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PIQUETE - CIDADE PAISAGEM |
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O Primeiro de nossos Jornalistas? (...) Atualmente, temos tantos e brilhantes professores aqui formados que nos vem uma indagação: quem teria sido o primeiro fIlho de Piquete a abraçar esta carreira? Sabemos que nosso primeiro Prefeito, Carlos Augusto Tacques Bittencourt, foi professor, mas era filho de Guaratinguetá. É uma resposta difícil e muito imprudente afirmar-se ser este ou aquele. Uma coisa, entretanto, podemos garantir. Dos primeiros foi José Ribeiro da Silva, ou Juca Ribeiro, como era mais conhecido. Filho de Augusto Ribeiro da Silva e Rosina da Encarnação, nascido em Piquete e neto do insigne e venerável Coronel José Mariano Ribeiro da Silva. Formou-se, o Professor Juca, no dia 15 de dezembro de 1919, na "Escola Primária de Guaratinguetá". Pomposa cerimônia de formatura aconteceu, com todos de "beca" tendo como paraninfo a pessoa do eminente médico Dr. Benedito Meirelles. Já professor, veio lecionar em uma de nossas escolas do sexo masculino mantidas pelo Estado, mais tarde na "Escolas Reunidas de Piquete" e que se transformou no "Grupo Escolar de Piquete".
Sua atuação
como mestre, todavia, não se restringia apenas ao magistério oficial. Criou
um curso de alfabetização para crianças e outro para adultos, cursos estes
que estiveram na ponta do anzol para se oficializarem, entravados, entretanto,
por uma nova lei que surgira na época e que eclipsou a pretensão. Ligado ao
mister de ensinar, provavelmente o Prof. Juca considerava que a pequena cidade
de Piquete andava muito afastada das letras. Havia necessidade da
"grande" massa contactar-se mais com o que se dizia por aí e, também,
o que tinha na cabeça a gente daquela época para dizer. E havia razão, pois
a maioria terminava o primário e... fim de carreira! Curso ginasial só de
Lorena para fora e assim mesmo, para aqueles com condições de manter o
rebento fora de casa, pois impossível era ir e vir diariamente até Lorena,
por exemplo, que era a cidade mais próxima. Coisa para apenas os de posses...
No que pensou, realizou: um jornal na cidade. Não deparamos com qualquer
informação de alguma gráfica por aqui antes, o que nos leva a crer que o
mesmo tenha adquirido e montado uma, não somente para a impressão do jornal,
lógico, mas para todos os impressos do comércio, prefeitura e o que mais
aparecesse. Como funcionário do Estado, a gráfica era registrada em nome de
sua esposa. O sonho materializou-se e um tablóide intitulado "SENTINELLA
", em 18 de setembro de 1927, circulava pela cidade. Uma ufania! Como
funcionário público que era, o nome do professor aparecia apenas como
"Redactor" e como Proprietário do referido órgão inseria-se o
nome do Vereador Horácio Pereira Leite grande incentivador da empreitada.
Quinzenário, tinha o jornal por divisa zelar pelos interesses do município e
do ensino, sob a legenda: "Pereat mundus fiat justitia".
Pelos
meados de 1928 começava-se a articular a campanha política para a Presidência
da República. Isso veio provocar o desaparecimento do "SENTINELLA
". O Professor Juca, não querendo que o seu jornal fosse levado para
rumos diferentes dos seus propósitos idealistas de ensinar, já que o PRP
subvencionaria o mesmo para suas propagandas eleitoreiras, achou por bem
terminar com a curta existência do quinzenário. Em seu lugar outro surgiu,
"PIQUETE-JORNAL", cujo primeiro número veio à lume em 15 de
dezembro de 1928. Inicialmente, o Prof. Juca Ribeiro ainda constava no frontispício
do jornal como seu Redator-Chefe, mas logo cedeu esse cargo ao Sr. Abdon
Leite, permanecendo apenas como Diretor-Fundador. O "PIQUETE-JORNAL"
viria colocar-se em oposição pertinaz ao Prefeito José de Brito, em polêmicas
ilógicas, por razões até certo ponto difíceis de serem compreendidas, pois
o jornal era um arauto do PRP e nosso Prefeito presidente do mesmo partido na
cidade. Bagunçada política... Esta é uma homenagem ao Professor José
Ribeiro da Silva, o velho Prof. Juca, por ter sido, provavelmente, o primeiro
jornalista de Piquete. Neste campo ele abriu caminho a uma grande série de
sonhadores que sempre tentaram, por tempos de árduas lutas, manter um órgão
informativo na cidade. Para quem não tem idéia, diremos que o jornalista do
interior é formado na academia do idealismo. A comparação pode não ser
boa, mas ele é um eterno parturiente... Mal chega a dar um sorriso de glória
pela luz de um número circulando, que se inicia o processo de gestação do
próximo. Efêmeras vitórias semanais, quinzenais, para tanta guerra! Jamais
se abate! Só a força do dinheiro - que nunca tem - provocada pela ausência
completa de colaboração do povo e, principalmente do comércio que sem ambição
acomoda-se "no que entra está dando", sem criatividade e fé na força
da comunicação, consegue sufocar nossos jornalistas que tantos e tantos
serviços prestaram a esse mesmo povo, a esse mesmo comércio. E quantos
abnegados tivemos por aqui! Afogaram seus ideais de bem servir na exaustão da
inglória, indigesta e desleal luta. Sempre surgirão outros, que sentirão as
dores do mesmo parto até que um dia ensecados, consumidos pelos desenganos,
capitulem e... abortem. Talvez com a conscientização e maturidade do povo
este reconheça o valor de um jornal da cidade e algum transpasse o tempo. Um
semanário, quinzenário, não importa, de uma cidade interiorana, é um
jornal sem "furos", é verdade, mas tem o inigualável trunfo de
registrar a sua história! Com o "PIQUETE-JORNAL" circulando
normalmente, terminamos por atingir o final do ano de 1929. Que tem isso
demais? Para nós, particularmente, nada, mas para o Prof. Juca, nosso velho
professor, falecido há poucos anos, foi muito importante. No início dessa crônica,
falamos de sua formatura como mestre e a turma de concluintes de 1919 houve
por bem realizar, no mesmo 15 de dezembro, mas desse ano que dissemos chegar
ao fim, uma festa de confraternização pelo decênio corrido desde o
juramento do mestre, festa de despedida e recebimento dos diplomas. Aconteceu
um magnífico banquete no "Instituto de Músicas Dr. Rodrigues Alves
Sobrinho" e após a confraternização e reencontro dos antigos colegas
de bancos escolares, realizou-se tocante homenagem ao paraninfo, o saudoso e
sempre reverenciado Dr. Benedito Meirelles.
José
Palmyro Masiero |

Jornal "A
Cidade
Arquivo Mara Teixeira
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Jornal "A CIDADE"
Jornal
"O Estafeta" - Maio de 2009 |
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Jornal
"O LABOR" Dóli de Castro Ferreira |

URJE
NOTÍCIAS -1973
A capa do jornal foi criada pelo Prof. Paulo Nader
Foto
enviada por Lety
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Cronologia
do Jornalismo em Piquete
18/09/1927
- Circula o primeiro número do jornal quinzenário "Sentinella",
cujo redator era o Prof. José Ribeiro da Silva e proprietário, o Sr. Horácio
Pereira Leite. |

"O Monitor"
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