PIQUETE - CIDADE PAISAGEM
História

A Origem do nome de Piquete




Luiz Arantes Júnior, "Seu" Zizinho, descerrando a placa comemorativa do 67º aniversário de Piquete,
em 15/06/1958, colocada na pedra que representa o marco do local em que acampou o piquete
de cavalaria de Caxias. Foto escaneada do Jornal "O Estafeta".

A Origem do nome de Piquete

Por um equívoco da tradição costuma-se atribuir a origem do nome de nossa cidade a um piquete de cavalarianos das tropas de Caxias, quando da Revolução Liberal, em 1842. Na verdade, a palavra piquete significa "corpo de tropas de soldados que formam guarda avançada" ou "porção de tropa a cavalo". Advém, no nosso caso, de uma tropa auxiliar montada, não dos soldados de Caxias, mas da guarda que, por muitos anos, guarneceu o Registro de Itajubá, bem como o caminho para Minas Gerais. A instalação desse Registro, em novembro de 1764, provocou o surgimento, em suas proximidades, de pousos para tropeiros e viajantes. Aos poucos, moradias e roças despontaram, espalhadas ao longo do caminho, o que suscitou o crescimento espontâneo e a fixação de moradores, originando o bairro do Piquete. No início do século XIX, a população de Lorena era dividida, para fins de recenseamento, em Companhias de Ordenanças, sob a responsabilidade de um capitão. Encontramos no "Arquivo Público do Estado de São Paulo", os "Inventários da População da 7ª Companhia das Ordenanças da Villa de Lorena de 1828", nos quais, pela primeira vez, é citado o bairro do Piquete. Nesse ano, no bairro havia 63 fogos (lares) com 303 habitantes livres e 123 escravos. Esta 7ª Companhia abrangia os bairros da margem esquerda do Paraíba até o alto da serra da Mantiqueira, na divisa com Minas Gerais, e incluíam, além do bairro do Piquete, o Passa Vinte, o Embaú, o Quilombo, o Porto Velho e o Limoeiro. Constatamos, portanto, que 14 anos antes da Revolução Liberal de 1842, Piquete já era Piquete! O desconhecimento da documentação existente em 1828 justifica e torna perfeitamente compreensível o engano da tradição oral quanto à origem do nome Piquete. No entanto não é mais aceitável que hoje alunos, publicações, eventos oficiais venham citar cavalarianos da Revolução Liberal como responsáveis pela origem do nome de nossa cidade.

Antônio Carlos Monteiro Chaves


Placa colocada no local do acampamento do piquete de cavalaria.
Foto de Lety

Piquete - Algumas considerações sobre o seu nome

Em 1842, durante a revolução de São Paulo e Minas Gerais contra os desmandos do Ministério, veio  acantonar aqui em nossas plagas um piquete de cavalaria. Até agora pensávamos que fosse esse o piquete que deu seu nome à nossa terra. Historiadores como os professores Paulo Pereira dos Reis e José Geraldo Evangelista afirmam, porém, que, já muito antes de 1842, foram encontradas referências sobre o "Bairro do Piquete", contrariando o que sabíamos a respeito do seu nome. Dizem eles que a estrada que liga Lorena ao Estado de Minas foi construída por piquetes de trabalhadores que, a cavalo, se dirigiam ao ponto do trabalho, e dai o nome. A nossa dúvida é a seguinte: pode ser que as referências digam apenas que "seguiu para o Arraial de São Miguel um piquete de trabalhadores para a conservação da estrada" ou "o Sr. tesoureiro da Intendência providencie o pagamento referente ao mês tal, da turma que forma o piquete que trabalha no Arraial de São Miguel", etc. Outra versão é a levantada pelo General João de Deus, escritor residente em Itajubá, e que passou sua infância em nossa terra. Relata ele em um jornal daquela cidade: 

"PIQUETE - Esse nome relembra um troço de homens fardados e armados, postos de atalaia nalguma parte para a defesa de alguma coisa. E foi por isso mesmo que essa cidade, vizinha e irmã da nossa, plantada ali do outro lado, bem ao pé do maciço majestoso da Serra da Mantiqueira, já no Estado de São Paulo, ganhou esse nome. No tempo em que a região, totalmente desabitada, era parte de uma sesmaria dos Taques Bittencourt e em que, das Minas Gerais, carreavam ouro e pedrarias contrabandeadas, com destino aos portos do litoral de Parati e Cunha (sic), foi então que o Governo Imperial resolveu, para coibir essa prática danosa ao Erário, estabelecer na região um contingente de tropa imperial, no sopé da Mantiqueira, no lado de São Paulo, com a missão de reprimir o contrabando e apreender o ouro e pedrarias na região de Itajubá Velho das Minas Gerais, que se escoavam clandestinamente pelos desfiladeiros difíceis da Serra da Mantiqueira, com destino ao estrangeiro, via marítima. E o piquete da tropa imperial ali permaneceu anos a fio vigiando os interesses da Coroa. Do acampamento inicial... etc".

Há muita lógica, nessa versão, mas com todo o respeito que devemos ao General João de Deus, achamos que ela carece de comprovantes. Temos portanto, três versões diferentes mas nós aceitamos a do piquete de cavalaria, baseados não apenas no que aprendemos nos bancos escolares, mas porque, no local onde a tradição diz que o piquete esteve acantonado, há uma placa de bronze cujos dizeres explicam minuciosamente o fato, até com o nome do Tenente que comandava o pelotão. Alguém deveria ter pesquisado o assunto. Quem? Sabemos que foi o Major Lessa, sub-diretor da Fábrica Presidente Vargas quem mandou fundir a placa e ofereceu-a à Prefeitura. Mas onde conseguiu os dados? As dúvidas vão continuar...!

Carlos Vieira Soares
Texto publicado no Jornal "Aparecida" - Edição Especial de Piquete
15 de junho de 1991


Pedra na Rua do Piquete, marco da localização do piquete de cavalaria
Foto de Lety

A Pedra do Piquete

 

A "pedra do piquete de cavalaria", assim conhecida pela "referência histórica" que lhe foi imposta por placa comemorativa do 67° aniversário da emancipação política do município, é um marco em nossa cidade. Na placa lê-se a data 15 de junho entre 1891 e 1958. Em seguida, foi gravado Comemoração do 67° aniversário de Piquete. Abaixo, os seguintes dizeres: "Marco do local em que acampou o piquete de cavalaria comandado pelo Ten. Vicente Eufrázio, enviado pelo Duque de Caxias durante a Revolução do 2° Império, fato que sugeriu o atual nome desse lugar, antes conhecido como Arraial de São Miguel". Pois bem, a placa de bronze fixada à Pedra, inaugurada, passou a referenciar o chamado "fato" histórico. Entretanto, a documentação disponível no Arquivo Estadual de São Paulo referente à Vila de Lorena, da qual o Bairro do Piquete era parte integrante entre os componentes da margem esquerda do Paraíba do Sul, apresenta-se indicada em 1828, relativamente à citada Vila, sob a administração do capitão-mor e respectivo corpo da Guarda Nacional. Dessa forma, não é válida a data de 1842, da revolução citada, e relativamente ao acampamento de militares, como designativa da denominação da cidade de Piquete. Esta denominação já fora referida em documentos anteriores. Assim, acusa documentação do início do século XIX, como a que se refere ao Bairro do Piquete, para indicar caminhos da serra e controle de passagem, ou seja, da instalação oficial do Registro exigido pela administração da Corte. Admitimos, portanto, que o desconhecimento de comprovantes documentais tivessem validado o repetido pelas oralidades do imaginário corrente. Não faltavam repetidores da história oral que circulava entre os "portadores do conhecimento histórico". Sem provas documentais. Ora, desde que esse conhecimento foi possível por intermédio de pesquisadores, a questão veio à luz, e alguns pronunciamentos orais e escritos demonstraram, pelos testemunhos das contagens de população, como se organizava a Vila de Lorena (Hepacaré, ou da Piedade) e seus bairros administrados pelas Companhias de Ordenanças ou de Guardas; A administração monárquica controlava essas ações e fazia registrar todos os movimentos produções, caminhos e funcionalidades. Daí a importância do Registro no Bairro do Piquete. A pedra do marco, dado como símbolo do evento, é um imenso bloco de gnaisse, de disposição lamina, distribuída por camadas de espessuras variadas e inclinação monoclinal. Como as rochas denominadas gnaisses, em geral são sujeitas à degradação e às transformações (metamorfoses). Portanto, temos à nossa vista exposta uma estrutura rochosa metamórfica e em processo de degradação. Em sua composição, é possível notar-se os minerais básicos dos gnaisses: quartzo, feldspato e mica. As rochas cristalinas magmáticas, como os gnaisses e granitos, são compostas principalmente pelos minerais citados e outros em diferentes proporções. Por sua vez, os minerais, como os referidos, aparecem de várias maneiras, densidades, tonalidades e especificidades físico-químicas. Não incluem elementos orgânicos em sua composição e, por isso, não constituem fósseis. Esta particularidade é reservada para as rochas sedimentares. Ambos os tipos dessas rochas compõem a litosfera ou crosta terrestre que recobre nosso planeta. Formam, por sua distribuição, terras emersas, ou continentais, e os fundos oceânicos, isto é, as submersas. No caso das rochas cristalinas, temos a formação dos chamados escudos, por sua sólida estruturação. E no das rochas sedimentares, mais plásticas, as bacias. Piquete, com a serra da Mantiqueira, comporta-se em áreas de escudo cristalino - daí a incidência dos granitos e gnaisses, principalmente no caso de nossa "pedra histórica", por abrigar a memória refletida na placa. Por tratar-se de um gnaisse metamorfizado, admite-se seja um possível micaxisto. Este, segundo Antônio Teixeira Guerra, no Dicionário Geológico-Geomórfico, é uma rocha de origem metamórfica, constituída essencialmente de micas, quartzo e alguns feldspatos, além de vários minerais secundários. Segundo esta fonte, o micaxisto, como toda rocha metamórfica, aparece na natureza em disposição de camadas de espessuras variadas e laminadas. Costuma dar, por efeito da degradação, origem à formação de argilas. Assim, nossa pedra é um belo testemunho da estrutura de nossos terrenos, que, exposta, denuncia a possibilidade de ser encontrada em praticamente toda a composição dos morros, escarpas de serras. E nestas, as diferentes altitudes sobrelevadas em picos, nos quais a geomorfologia representa, nos seus modelos, as ações das águas correntes, dos cursos dos rios e das cachoeiras e enxurradas. A dinâmica contínua nos permite avaliar em tempo muito prolongado o que a ação humana pôde apressar de maneira negativa, não preservando encostas e produzindo plantios ameaçadores do equilíbrio.

Dóli de Castro Ferreira
Jornal "O Estafeta" - Piquete, SP
Setembro de 2007


Busto de Caxias, na praça principal da cidade
Foto de Lety

 

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