PIQUETE - CIDADE PAISAGEM
História

Fábrica de Pólvoras sem Fumaça


Fábrica de Pólvoras sem Fumaça
Foto de Andréia Marcondes

Porque uma Fábrica de Pólvoras para Piquete?

O Comendador (1) Francisco de Paula Vicente de Azevedo (1856-1938), um dos últimos titulados no Império entre seus pares valeparaibanos, tornou-se, destarte, Barão da Bocaina (2), tendo reconhecidos os seus empenhos na cidade natal - Lorena - e, particularmente, no progresso industrial paulista, como um dos incorporadores do Engenho Central. Segundo sua biógrafa Carlota Pereira de Queiroz, ele foi pioneiro da idéia da instalação de uma indústria siderúrgica na região servida pela E. F. Central do Brasil, contribuiu para melhoramentos na cidade natal, como ajardinamento, construção de pontes, instalou linha de bondes de tração animal, organizou o Banco Comercial de São Paulo e dele foi diretor, participou, como tesoureiro, da Comissão de Construção da Catedral de São Paulo e organizador, em 1910, da Comissão das Grandes Avenidas. Instalou, após uma visita à Suíça, uma estância climática em São Francisco dos Campos (MG), com hotel, igreja, escola e cultivo de frutas européias. Em 1901, ofereceu gratuitamente ao governo Federal terrenos para a instalação de um Sanatório Militar em Lavrinhas e para a Fábrica de Pólvora sem Fumaça, em Piquete. Houve quem, tratando das realizações do Barão e comparando-o ao grande incentivador das indústrias, o cognominasse "Mauá paulista".


Francisco de Paula Rodrigues Alves, Presidente do Brasil

Membro atuante do Partido Conservador, estava ao lado de outras personalidades importantes desse partido na região do Vale do Paraíba: Arnolfo Rodrigues de Azevedo, deputado estadual, federal e senador da República (1868-1942), e Francisco de Paula Rodrigues Alves (1818- 1919), ministro (3),senador, presidente do Estado e Presidente da República entre 1902 e 1906. Com o advento da República, os personagens aqui citados alistaram-se no Partido Republicano e tornaram-se seus ardorosos defensores. O governo de Rodrigues Alves na presidência da República foi marcado pela modernidade, pelo interesse no desenvolvimento da indústria, aparelhamento dos portos, remodelação, saneamento e embelezamento da cidade do Rio de Janeiro, construção de estradas de ferro e melhoria da E. F. Central do Brasil, construção de açudes e a criação da Superintendência dos Serviços de Obras contra as Secas. Importante destaque foi dado ao saneamento, com a ampliação do Instituto Soroterápico Federal (hoje Instituto Oswaldo Cruz) e as significativas e trabalhosas campanhas de vacinação. Outros atos importantes foram investimentos na área da segurança, como a remodelação da Marinha Nacional, com a construção dos couraçados São Paulo, Minas Gerais e diversos cruzadores, torpedeiros, submarinos e navios-escola, e a instalação da Fábrica de Pólvora sem Fumaça, em Piquete, com um ramal férreo para ligá-la a Lorena e à Central do Brasil.


Estação Rodrigues Alves
Foto escaneada de "Estação Rodrigues Alves - 90 Anos (1906-1996)"

Outra realização representativa desse governo foi a preocupação com as fronteiras, e sob esse aspecto, destacou-se a obra do Barão do Rio Branco na questão do Acre, incorporado ao território brasileiro após acordos celebrados para este fim.

Fábrica de Pólvoras em Piquete


Busto do Barão de Bocaina.
Foto de Lety

O Barão da Bocaina, o Presidente Rodrigues Alves e o dr. Arnolfo Rodrigues de Azevedo colocaram seus interesses político-economicos na instalação da Fábrica, já que a pólvora era fundamental para o Exército e a Marinha, pois a aquisição de metralhadoras modernas e de baterias de canhões aperfeiçoados de tiro rápido, de montanha e de campanha assim o exigiam. A questão das fronteiras havia muito, já colocava a importância da pólvora, e as guerras no sul e a do Paraguai mostraram, além das revoltas internas, como era importante dispor da munição para fins militares. Portanto, no governo Rodrigues Alves, a articulação dos três políticos citados, cuja origem vinha da oligarquia cafeeira valeparaibana, era um sinal de atenção às necessidades e à modernidade nacionais. Não foi, portanto, sem motivos, que o Dr. Arnolfo de Azevedo e o Barão da Bocaina articularam-se aos políticos no Rio de Janeiro e prepararam o caminho para que o estabelecimento fabril militar tomasse a direção de Piquete, antigo bairro da Vila de Lorena, e ainda mantida como sua área de influência político-administrativa e jurídica ainda na primeira metade do século (4). Havia interesse na escolha de local entre Rio de Janeiro e São Paulo, afastando-se a idéia primitiva de uma instalação em Mato Grosso, possivelmente no vale do rio Coxipó, ou em São Paulo, onde a localização desse tipo de estabelecimento não convinha à área urbana que crescia. Em Piquete, emancipado em 1891, as elevações da Mantiqueira, a riqueza hidrográfica e a Mata Atlântica eram indicadores seguros do que interessava aos planejadores do empreendimento. A política regional exacerbava-se nas velhas lutas que passaram do Império para a República, entre conservadores e liberais. O próprio Barão da Bocaina tivera, por causa dessas querelas, o avô, Comendador José Vicente de Azevedo (1799-1811), pretensamente envenenado, e o pai, Coronel José Vicente de Azevedo (1834-1869), assassinado. As famílias da oligarquia valeparaibana tinham nos casamentos a representação da posse das terra, títulos e poder. A chegada de portugueses à região, geralmente negociantes de grande, médio e pequeno porte, marcava a ramificação das vertentes familiares, das quais Lorena teve como principal a árvore originada do Capitão-Mor Manuel Domingues Salgueiro (1749-1818). Dela, pelos casamentos, a sociedade se organizava, as propriedades se estabeleciam e a política direcionava os atos. Novos proprietários se impunham e davam rumos aos interesses regionais e locais. O casamento do Comendador José Vicente de Azevedo com Da. Maria da Guia (1798-1864), filha do Capitão-Mor Manoel Pereira de Castro (1777-1846), incluía o atacadista português à árvore citada. Ela era neta de Manuel Domingues Salgueiro. Por sua vez, Arnolfo Rodrigues de Azevedo descendia do Dr. Antonio Rodrigues de Azevedo (1838-1889), depois Barão de Santa Eulália, casado com a prima Da. Eulália Moreira (1837-1921), filha de Carlota Leopoldina, depois Viscondessa de Castro Lima (1808-1882), e do negociante português Joaquim José Moreira Lima (1807-1879). Um acordo foi possível entre os Rodrigues, integrantes do Partido Conservador, e os Moreira, pertencentes ao Partido Liberal, para que o casamento se realizasse. As querelas familiares se intensificaram. Assim, com efeito, a vida do Barão do Bocaina foi marcada pelas vicissitudes das lutas políticas que teriam causado as mortes do pai e avô. Não foram muito diferentes as biografias de outros titulares do Império no Vale do Paraíba. Como grande proprietário, o Barão da Bocaina possuía fazendas formando um arco em torno de Lorena(5). Alinhou-se pela causa abolicionista em favor da instalação de imigrantes em colônias, entre as quais Canas, em Lorena, Quiririm, em Taubaté e Sabaúna, em Mogi das Cruzes. Representante das famílias proprietárias cuja riqueza e poder vinham da produção cafeeira e posse de escravos, participou das propostas ligadas à nova mentalidade que surgia com o advento da República. O local de Piquete representou para esses políticos uma fórmula de associação aos propósitos do Exército e da Marinha, organizações que passavam pelos processos de modernização, quer do corpo organizativo de suas constituições, quer dos equipamentos de que necessitavam para esses fins. Era um projeto caudatário do momento de modernidade atravessado pelo país e de expressiva vertente no âmbito regional. A Fábrica foi construída entre 1902 e 1907. A decisão política levou à inauguração, a 15 de março de 1909, com a presença do Presidente da República Afonso Pena, do Mal. Hermes da Fonseca, Ministro da Guerra, e grande comitiva.

Autora: Dóli de Castro Ferreira
Publicado na Academia Paulista de Historia


Antigo Pórtico da Fábrica de Pólvoras sem Fumaça
Foto de Lety

Notas da Autora

1. Antes do título de Barão da Bocaina, Francisco de Paula Vicente de Azevedo, a 27 de maio de 1884, recebeu a Comenda da Imperial Ordem da Rosa.
2. Por Decreto de 7 de maio de 1887 foi agraciado por D. Pedro ll com o título de Barão da Bocaina.
3. Rodrigues Alves, guaratinguetaense, foi ministro da Fazenda do Governo do Marechal Floriano Peixoto e posteriormente, do Governo do Dr. Prudente de Moraes.
4. A Fábrica de Pólvora sem Fumaça originou-se da doação, em 1902, de terrenos pelo Barão da Bocaina para instalar-se o Sanatório Militar, em Lavrinhas, na área de S. Francisco dos Campos. A 11-02-1902, o Mal. João Nepomuceno Mallet, recepcionado em Lorena, dirigiu-se a Piquete em comitiva com políticos e proprietários fazendeiros e capitalistas, para as devidas instalações fabris. O Tenente José Mariano Ribeiro da Silva, principal articulador político da então Vila Vieira do Piquete, guiou-os até o hotel Santa Cruz, de sua propriedade, ofereceu-lhes uma refeição, e depois até S. Francisco dos Campos, onde a visita atingia os seus propósitos. As Fazendas Benfica, Sertão e Limeira foram escolhidas para a construção das instalações. A 15-09-1906, o então Ministro da Guerra do governo Rodrigues Alves, o Mal. Francisco de Paula Argollo, acompanhado do Presidente de São Paulo Washington Luiz, inaugurou o Ramal Férreo Lorena-Benfica, a Estação Ferroviária Rodrigues Alves, a Represa Mal. Argollo e a usina hidrelétrica Rodrigues Alves.
5. O Barão da Bocaina possuía fazendas em Lorena, Piquete, Guaratinguetá, Cunha, Pindamonhangaba e Itajubá cf. Carlota Pereira de Queiroz em "Vida e Morte de um Capitão-Mor", Secretaria de Cultura, Esportes e Turismo, SP.


Operários desfilando em 1940
Foto publicada no Jornal "O Estafeta".

 

O início das obras de construção da Fábrica de Pólvoras sem Fumaça

O mês de julho de 1905 tornou-se marco significativo para a Vila Vieira do Piquete, pois foi quando tiveram início as obras de construção da fábrica de pólvoras sem fumaça. Tendo sido determinado pelo governo Rodrigues Alves que na Vila fosse instalada essa fábrica, foram adquiridas para esse fim as fazendas "Sertão", "Estrella do Norte" e "Limeira". A primeira, pela quantia de 50 mil réis, a segunda por 90 mil e a terceira por 70 mil réis, sendo as respectivas escrituras lavradas, respectivamente, nos dias 3, 5 e 11 de julho daquele ano. Em 4 de julho de 1905, o Ministro da Guerra, Marechal Argollo, aprovou as instruções que deveriam orientar a comissão encarregada da construção da fábrica e nomeou, para chefiá-la, o tenente coronel do corpo de engenheiros, Augusto Maria Sisson. Nesse mesmo mês foram nomeados o ajudante capitão de engenharia João José dos Campos Curado; Auxiliares: os segundos-tenentes Luiz Mariano Pereira de Andrade, Antônio Miguel Barbosa Lisboa, Miguel Pires Ferreira, Antônio José Fonseca; os alferes-alunos Egídio Moreira de Castro e Silva, José Pires de Carvalho e Albuquerque, João Salustiano Lira e Palmiro Serra Pulchério. Foram ainda designados, em 14 de agosto, o alferes-aluno Leonel Velasco e, a 3 de novembro, o médico Dr. Antenor O'Reilly de Souza, para que se juntassem à Comissão Construtora. Posteriormente, apresentaram-se os desenhistas alferes Raul de Faria e o civil Campelo. Finalmente, a 23 de novembro, apresentaram-se o alferes-aluno Cândido Caetano Moreira, comandante do destacamento, 25 praças e 1 inferior. No dia 22 de julho, a Comissão Construtora instalou-se na Fazenda Estrella do Norte, local escolhido para a edificação da parte urbana da fábrica. Já a parte industrial seria instalada nas terras das fazendas Limeira e Sertão, local estratégico, com abundância de água e protegido pelos contrafortes da Mantiqueira. Com a chegada da Comissão Construtora, foram iniciadas, de imediato, as obras da barragem do ribeirão Sertão e a construção da usina hidrelétrica. Como tiveram início em julho, período de estiagem, os primeiros cuidados consistiram em verificar a descarga do ribeirão Sertão no local escolhido para a barragem destinada a armazenar as águas para o serviço da usina. Havia, por parte do chefe da Comissão Construtora, uma preocupação com o meio na ambiente, o que pode ser observado em suas anotações, quando ele relata que o volume do ribeirão iria aumentar, naturalmente, com a conservação das matas nas suas cabeceiras, o que foi rigorosamente respeitado. Foram construídas, também, uma ponte sobre o ribeirão Sertão, para atenuar o forte declive que dava acesso à planície da Limeira e outra sobre o ribeirão Benfica, para facilitar a entrada de materiais pela estrada de rodagem que ligava a Fazenda da Estrela com a Vila do Piquete. Com o início da construção da fábrica, houve considerável aumento do fluxo migratório de homens que, com suas famílias, para cá se dirigiam em busca de trabalho. Por essa época, a Vila do Piquete era constituída de poucas ruas próximas à antiga matriz de São Miguel, sendo que a maioria das casas se localizava ao longo da artéria principal que se dirigia para Minas. Surgiu, então, um grave problema de habitação. Num primeiro momento, os militares ficaram provisoriamente hospedados no Hotel das Palmeiras. Seu proprietário, Cel. José Mariano, esmerava-se por acolhê-los bem, tendo, inclusive, ampliado suas dependências, enquanto a antiga sede da "Estrella do Norte" passava por adaptações e reformas, dando início à atual Vila Militar da Estrela. Por outro lado, os proprietários da Fazenda São João empreenderam o loteamento de parte de terras, que se tornou o embrião da Vila Operária São José. As obras de construção da Fábrica provocaram um rebuliço na pacata Vila Vieira do Piquete. A sociedade local, aos poucos ia tomando contato com os militares e suas famílias, bem como com os novos hábitos e costumes vindos da capital federal. A presença do Exército trouxe prosperidade e progresso para a Vila, cujos moradores passaram a procurar o escritório da Fábrica na Estrela, a fim de se empregar. A população, até então de vida rural e simples, acostumada apenas ao amanho da terra, passou a se beneficiar, prestando serviços e fornecendo material e mão-de-obra. Após intenso trabalho, o chefe da Comissão Construtora, em 3 de maio 1907, dá por concluídos os 37 edifícios da Fábrica de Pólvoras sem Fumaça.

Jornal "O Estafeta" - Julho de 2005


Augusto Maria Sisson, o construtor da Fábrica de Pólvoras sem Fumaça.
Foto publicada no Jornal "O Estafeta".

Augusto Maria Sisson, o construtor da Fábrica de Pólvoras sem Fumaça

Há 100 anos, em julho de 1905, tiveram início as obras de construção da Fábrica de Pólvoras sem Fumaça. Essa indústria bélica, que foi instalada poucos anos após a emancipação do antigo Bairro do Piquete, cresceu com a cidade e com ela mantém intensa relação. Para construir essa indústria, o Ministro da Guerra do Governo Rodrigues Alves, Marechal Francisco de Paula Argollo, nomeou o Engenheiro Militar Tenente Coronel Augusto Maria Sisson para a chefia da Comissão Construtora dessa Fábrica, que chegou a Piquete instalando-se na Fazenda da Estrela, em 20 de julho de 1905. No entanto, a fragilidade da memória faz com que poucos piquetenses se lembrem desse personagem de nossa história, cuja única referência no município é um busto em bronze plantado em frente ao antigo Cassino dos Oficiais, obra escultória de Antônio César Dória. Neste mês de julho, quando do centenário do início de construção da Fábrica, publicamos dados biográficos de Augusto Sisson, responsável por tão grandiosa obra:

Nascido a 04 de dezembro de 1863, na cidade do Rio de Janeiro, Augusto Maria Sisson era filho de Sebastião Augusto Sisson, professor da Escola de Belas Artes e Dona Maria Justina Faller Sisson. Com 16 anos, a 10 de fevereiro de 1880, assentou praça. Foi Alferes Aluno a 17 de fevereiro de 1885, 2° Tenente a 15 de dezembro de 1888 e 1º Tenente a 7 de janeiro de 1890. Por relevantes serviços, foi promovido a Capitão em 11 de outubro do mesmo ano. Datam os decretos de promoção a Major de 21 de setembro de 1900, a Tenente Coronel, de 29 de maio de 1905, a Coronel, de 11 de fevereiro de 1911 e a General de Brigada, de 17 de outubro de 1917. Augusto Sisson era, também, Engenheiro Militar. 

Da fé de Ofício do General Augusto Maria Sisson consta que:

Em 1890, foi citado pelo Ajudante Geral do Exército, pelas ações oportunas, precisas e enérgicas durante os difíceis momentos da Proclamação da República. Em 1893, a 29 de novembro, apresentou-se na Lapa, vindo de Curitiba, ao General Gomes Carneiro, defensor daquela praça. Na mesma data, assumiu o comando da força de artilharia em operação de guerra naquela cidade. A 15 de dezembro foi citado por ter tomado parte no combate do dia 6, por ocasião do encontro em uma emboscada de revoltosos. Em ordem do dia 27, foi elogiado porque, como comandante da artilharia, operou com grande vantagem contra  os revoltosos que se achavam à margem do Rio da Várzea, entrada do Rio Negro. Em 1894, tomou parte no cerco da Lapa como comandante de artilharia desde o dia 15 de janeiro até 11 de fevereiro. Em maio, pela ordem do dia do comando do Corpo do Exército em operação no estado do Paraná, foi nomeado para proceder investigação acerca da invasão daquele estado. Nesse mesmo ano, foi citado pela Repartição do Ajudante Geral, que publicou recomendação ao Governo, feita pelo General Comandante do 40° Batalhão de Infantaria, pela sua bravura, encarnação de patriotismo e abnegação. Ainda em 1894 foi designado para a Comissão demarcadora do novo Distrito Federal,. previsto pela Constituição de 1891, tendo então seguido para Goiás integrando a Comissão chefiada pelo Engenheiro e Geógrafo Gastão Cruls, lá permanecendo até o fim da tarefa. Em 1899, o Capitão de Engenheiros Augusto Maria Sisson foi incumbido de ir à Alemanha com dois operários do Arsenal de Guerra, a fim de assistir às experiências de armar e desarmar as cúpulas giratórias que a casa Krupp fabricara, em 1894, para as fortalezas de Lage e Imbuhy. Regressou da Alemanha em 1890, retomando as obras de conclusão do Forte de Imbuhy. Em 1901, no dia 24 de maio, com a presença do Presidente da República, Dr. Manoel Ferraz de Campos Salles, do Ministro da Guerra, Marechal João Nepomuceno de Medeiros Mallet, do Diretor de Engenharia, General Carlos Eugênio de Andrade Guimarães, Coronel Modestino de Assis e mais de 500 pessoas, entre ministros, parlamentares e autoridades, foi solenemente inaugurado o Forte de Imbuhy, tendo o Marechal Mallet, por esse feito, louvado o então Major Augusto Maria Sisson, engenheiro chefe das obras, com os seguintes termos: Recordando, pois, assinalados serviços prestados por aqueles oficiais, mandei, em ordem do dia, louvar o Major Augusto Maria Sisson, pela inteligência, zelo, esforço e dedicação com que se houve, na parte que lhe coube no projeto, aquisição, fiscalização e execução das obras da Fortaleza de Imbuhy. Em 1902, concluiu as obras do Forte de Lage, também sob sua responsabilidade. Em 1905, o Ten. Cel. Augusto Maria Sisson foi nomeado Chefe da Comissão Construtora da Fábrica de Pólvoras sem Fumaça, em Piquete/SP, que, no dia 15 de março de 1909, com a presença do Presidente da República, Dr. Afonso Augusto Moreira Penna, do Ministro da Guerra, Marechal Hermes Rodrigues da Fonseca, e inúmeras autoridades, foi inaugurada a então maior e mais moderna fábrica de pólvora da América do Sul. Ainda em 1909, o Tenente Coronel Sisson foi nomeado para as funções de Chefe do Serviço de Engenharia Militar do Rio Grande do Sul, onde permaneceu por seis anos. Em 1915, foi nomeado Comandante da Escola Militar de Realengo, exercendo este cargo até 1917, quando ascendeu ao generalato. Em 1918, o General Sisson presidiu o Clube Militar do Rio de Janeiro, tendo sido, na mesma ocasião, nomeado Chefe do Gabinete Militar do Presidente da República, Dr. Wenceslau Braz. Aos 55 anos, a 8 de março de 1918, após inúmeros serviços prestados ao país, Augusto Maria Sisson faleceu no Rio de Janeiro, tendo o fato merecido destaque em diversos jornais da então capital federal.

Jornal "O Estafeta" - Julho de 2005


Busto de Getúlio Vargas
Foto de Andréia Marcondes

 

Fábrica Presidente Vargas completa 93 anos
Piquete, SP


Atual prédio de Administração da IMBEL
Foto de Lety

A Fábrica Presidente Vargas, filial nº 1 da Indústria de Material Bélico do Brasil (IMBEL), completou 93 anos de trabalho na produção de pólvoras e explosivos, tanto de emprego militar como civil. A unidade foi inaugurada em 15 de março de 1909, sob o nome de Fábrica de Pólvora sem Fumaça, em solenidade com a presença do presidente da República, Afonso Pena, e do ministro da Guerra, marechal Hermes da Fonseca. Em 1936, teve o nome alterado para Fábrica de Pólvora e Explosivos de Piquete. Cinco anos depois, recebia a designação atual e, em 1975, passou a integrar o parque fabril da IMBEL. Localizada no Vale do Paraíba, praticamente a meio caminho entre as duas maiores cidades do País, possui uma área de cerca de 29 milhões de metros quadrados, sendo a maior parte formada por vegetação típica de mata atlântica que se estende pelas encostas da serra da Mantiqueira. Sua linha de produção voltada para as Forças Armadas compreende: nitrocelulose; pólvoras de base simples e dupla; trinitrotolueno (TNT); e propelentes moldados. Também produz dinamites, lamas e emulsões explosivas, explosivos granulados e nitrocelulose colódio (para tintas e vernizes) para o mercado civil. Conta com cerca de 470 funcionários e sua gestão é voltada para a segurança do trabalho, qualidade e preservação ambiental. A fábrica mantém, ainda, preocupação constante com o desenvolvimento de novos artigos e a melhoria daqueles já existentes, além do aperfeiçoamento dos processos em vigor, tudo com o objetivo de dotar o País de produtos bélicos atuais e com qualidade.

"Noticiário do Exército"
Brasília- DF, 2ª feira, 8 de abril de 2002 Ano XLV Nº 9.966

 


Antigo organograma da Fábrica Presidente Vargas
Foto de Andréia Marcondes

 

 

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