PIQUETE - CIDADE PAISAGEM
História

Usina Hidrelétrica "Rodrigues Alves"


Usina Hidrelétrica Rodrigues Alves
Foto de Lety

Inauguração da Usina Hidrelétrica "Rodrigues Alves"

As obras militares em Piquete, no início deste século, provocaram um surto de crescimento e desenvolvimento até então desconhecido pela população. Construíram o ramal férreo, a fábrica de pólvora e grande número de edificações de valor histórico-arquitetonico que, ainda hoje, passados nove décadas, impressionam pela imponência e beleza plástica. Para os piquetenses, o mês de setembro é especialmente significativo, pois marca a inauguração dessas primeiras obras: o ramal férreo Lorena-Benfica, a estação ferroviária Rodrigues Alves, a represa Mal. Argollo e a usina hidrelétrica Rodrigues Alves. Essas inaugurações ocorreram num único dia 15 de setembro de 1906, e tal foi sua importância que contaram com a presença do ministro da Guerra do governo Rodrigues Alves, Mal. Argollo, representantes do Exército, da Armada, figuras exponenciais da República, políticos da região e grande massa popular de Lorena e cidades vizinhas. Piquete preparou-se para esse dia. As 13h30min ocorreu a inauguração da Estação Ferroviária Rodrigues Alves. Após as solenidades, autoridades e convidados partiram para a fazenda Estrela do Norte, que estava enfeitada artisticamente com alegorias a todos os Ministérios. Ali residiam, com suas famílias, o Ten. Cel. Sisson e demais oficiais que faziam parte da comissão construtora da Fábrica.


Inauguração da Usina Hidrelétrica Rodrigues Alves - 15 de setembro de 1906
Foto escaneada do folheto comemorativo do Centenário da Usina Rodrigues Alves

As 15h ocorreu a inauguração da usina hidrelétrica pelo Ten. Cel. Sisson e Mal. Argollo. A usina impressionou a todos os presentes, segundo jornais da época que cobriram os eventos, por estar bem montada em edifício sólido, bem construído, espaçoso, com estrutura metálica, sem efeito aparatoso, porém elegante. A placa comemorativa, ainda hoje, na sua parede externa tem a seguinte inscrição: "Usina Rodrigues Alves - República dos Estados Unidos do Brasil - Fábrica de Pólvora sem Fumaça - Presidente da República, Dr. Francisco de Paula Rodrigues Alves - Ministro da Guerra, Marechal Francisco de Paula Argollo - Diretor Geral de Engenharia, General Modestino Martins - Chefe da Comissão Construtora, Tenente-Coronel Augusto Maria Sisson -1905- 1906".


Grupo de convidados presente à inauguração da Usina Hidrelétrica Rodrigues Alves.
Foto escaneada do folheto comemorativo do Centenário da Usina Rodrigues Alves

A seguir, o Ministro e comitiva dirigiram-se para a represa quando foi descerrada a placa inaugural com o nome do Mal. Argollo. De volta à fazenda da Estrela para breve descanso, retomaram à usina hidrelétrica às 19h, quando, sob aplausos dos assistentes, o Ten. Cel. Sisson fez mover o dínamo destinado à iluminação elétrica de todos os estabelecimentos construídos. A iluminação era farta e bem distribuída.


A Casa de Máquinas comportava tres grupos hidrelétricos de 120 HP cada um, composto de tres turbinas
do sistema Pelton, com regulador de precisão e dínamo de corrente alternada trifásica de 200V.
O acionamento era feito por dínamos de corrente contínua, armados sobre a mesma rede do alternador.
A instalação era completada pelo quadro de distribuição e os indispensáveis aparelhos de medida e de segurança.

Foto escaneada do folheto comemorativo do Centenário da Usina Rodrigues Alves

Este ato marcou também a chegada da eletricidade ao nosso município, a princípio, apenas para abastecer a Fábrica e suas dependências. Só mais tarde, em 1º de janeiro de 1920, na administração municipal, do Maj. Carlos Ribeiro, é que a energia elétrica, cedida pela Fábrica, iluminou as poucas ruas e residências da cidade. A usina hidrelétrica e a estação ferroviária Rodrigues Alves são, portanto, patrimônio histórico de Piquete. São herança de um passado que nos permite saber quem fomos e como fomos. Nos últimos anos, a atual administração da Imbel, sob a presidência do Gen. Malan de Paiva Chaves, consciente de que preservar o legado das gerações passadas é fundamental para nossa cidade e para a memória da indústria brasileira, tem se empenhado na recuperação de seus edifícios. Fica-nos este exemplo de cidadania, a ser imitado por todos.

Texto publicado no Jornal "O Estafeta" - setembro de 1999

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