PIQUETE - CIDADE PAISAGEM
História

Estação Rodrigues Alves


Pátio da Estação Rodrigues Alves na década de 30
Imagem escaneada de "Estação Rodrigues Alves - 90 Anos"

O Ramal Férreo "Lorena-Bemfica"
Inauguração da Estação "Rodrigues Alves"

Cogitou-se, no governo Campos Sales, a instalação, no Brasil, de uma fábrica de pólvora sem fumaça - o mais recente progresso tecnológico na área bélica. A iniciativa partira do Ministro da Guerra, Marechal João de Nepomuceno de Medeiros Mallet. Era, também, intenção do Exército construir um sanatório militar em local aprazível e saudável, e um ramal férreo para escoamento dos produtos fabris, bem como transporte de doentes e cargas. Nomeou-se, então, em 16-01-1901, por Aviso do Ministério da Guerra, a comissão encarregada de proceder aos estudos necessários para escolha do local mais apropriado à instalação da fábrica de pólvora. Esta comissão trabalhou durante todo esse ano e, em 17-12-1901, através do Aviso n° 2 638 do Ministério da Guerra, deu por terminados seus trabalhos. Nessa ocasião, o Barão da Bocaina, com boa circulação nas altas esferas governamentais, tomou conhecimento dessas aspirações do Exército Nacional e, sem vacilação, ofereceu graciosamente nas suas propriedades os lugares para os empreendimentos. Com essa oferta, conseguiu trazer para nossas terras uma comissão designada para a escolha dos locais apropriados, tendo à frente da mesma o Ministro da Guerra, Mal. Mallet, além dos Srs. General Carlos Eugênio, diretor de engenharia; Maj. José Vilela Tavares; Cap. Eugênio José Calazans e o Cap. médico Dr. Antônio da Silva Cruz. O Sr. Ministro e comitiva chegaram a Lorena no dia 11-01-1902, tendo uma esplêndida recepção. Por essa época a região vivia um período de desalento e estagnação econômica, decorrentes, entre outras causas, da queda da cultura cafeeira, falência do "Engenho Central" e a dispersão das grandes fortunas locais. Foi, portanto, com grande expectativa, que as comunidades de Lorena e da Vila Vieira do Piquete receberam a comissão do governo, antevendo para a região uma nova era de prosperidade, para a qual contribuiriam as obras militares a serem iniciadas e a geração de empregos. Durante a recepção ao Mal. Mallet, a Câmara saudou o Ministro através de seu presidente, Dr. Arnolpho Rodrigues de Azevedo, reconhecendo-o

(...) "como um dos maiores benfeitores desta terra que beijará reconhecida as dadivosas mãos de V. Exa. no dia em que ellas lançarem nesta cidade a primeira estaca da estrada de ferro São Francisco dos Campos, porque nella verá esta população o marco primordial do seu renascimento e o primeiro passo na larga estrada de seu engrandecimento e progresso."

No mesmo dia, a comitiva rumou para Piquete, onde foi magnificamente recebida pela população. Até uma Lei Municipal, n° 1, de 09 de Janeiro, fora sancionada, autorizando o Intendente José Alvim Bittencourt "a dispensar a quantidade suficiente com a recepção do Marechal Ministro da Guerra." No Piquete, o Mal. Mallet foi hospedado pelo Ten. José Mariano Ribeiro da Silva, em seu Hotel Santa Cruz. Logo depois, por sugestão do próprio ministro, o nome foi mudado para Hotel das Palmeiras. No dia seguinte, continuaram viagem para São Francisco dos Campos, distante três léguas de Piquete, acompanhados pelo Barão da Bocaina. A comitiva permaneceu três dias em São Francisco dos Campos, pequeno povoado fundado pelo Barão da Bocaina, percorrendo os terrenos para a escolha do lugar ideal para as obras pretendidas. Para o sanatório foi escolhida a planície de Lavrinhas, em terras mineiras, perto do Pico do Cabrito, ao lado da estrada que de Piquete seguia para São Francisco dos Campos e para a fábrica de pólvora. O Ministro escolheu terrenos localizados em terras paulistas, no Piquete. Os locais seriam ligados à cidade de Lorena por ramal férreo, que passaria por Piquete. A comitiva retornou de São Francisco dos Campos, às 8 horas da manhã, do dia 14, almoçou no Hotel Palmeiras, partindo para Lorena às 3 horas da tarde. Lá, acompanhados pelo Barão da Bocaina e muitas autoridades locais, percorreram toda a cidade, visitando a Câmara Municipal. Nessa ocasião, o Mal. Mallet recebeu da Câmara um ofício que dizia respeito à estrada de ferro São Francisco dos Campos:

"A Câmara Municipal desta cidade tendo conhecimento da resolução de V. Exa. de construir em São Francisco dos Campos um hospital militar para tuberculosos, e, alli, estabelecer a fabrica de pólvora sem fumaça, ligando ao mesmo tempo aquella localidade a esta cidade por uma via-ferrea, reuniu-se, hoje, em sessão extraordinária, e deliberou offerecer-vos o seu pequeno concurso à patriótica iniciativa em via de realizar.(...) Não podendo esta municipalidade conservar-se indiferente diante da patriótica iniciativa de V. Exa., que muito de perto lhe vem interessar, sentiu-se na necessidade e de desobrigar-se do imperioso dever que lhe ocorria de contribuir com seu concurso e esforços para secundar o acto de V. Exa. e, nesse propósito tem a satisfação de comunicar-vos que já conseguiu de diversos proprietários cessão gratuita dos terrenos, que por ventura devam ser aproveitados para a construção do leito da projectada via-ferrea, promptificando-se também a fazer as desapropriações que forem necessários para aquelle fim."


Estação Rodrigues Alves
Imagem escaneada de "Estação Rodrigues Alves - 90 Anos"

Coroados de êxito os trabalhos, com a definição do sanatório militar e da fábrica de pólvora sem fumaça respectivamente, em Lavrinhas e no Vale do Benfica, o séqüito ministerial retornou ao Rio de Janeiro. A primeira medida, a mais premente para essas obras, referia-se ao transporte de material. Decidiu-se, então, pelo início imediato do ramal férreo, que partindo da estação da E. F. C. B., em Lorena, atingisse o Benfica. A maior parte dos estudos para essa obra já havia sido levantada no séc. XIX, pela comissão chefiada pelo engenheiro Dr. Desirê Pujol, que pretendia construí-la até as divisas com Minas Gerais, e cujos projetos foram adquiridos pelo Exército. Nasceu, assim, a "Comissão de Construção do Ramal Férreo Lorena-Bemfica", a cuja direção foi colocado o Cel. Belarmino de Mendonça, que foi substituído mais tarde pelo Ten. Cel. Ignácio de Alencastro Guimarães. Em 03-02-1902, chegou a Lorena o antigo 12° Batalhão de Infantaria, tendo o Dr. Arnolpho R. Azevedo conseguido de Da. Angelina Moreira de Azevedo, mãe do Barão da Bocaina, autorização para que ele se instalasse gratuitamente na "Fazenda Amarela". Esse batalhão militar veio construir o Ramal Férreo com um efetivo de 450 homens sob o comando do Cel. Francisco Agostinho de Melo Souza Menezes. Ao mesmo tempo formou-se a "Comissão Construtora do Sanatório Militar de Lavrinhas". As obras caminharam em ritmo acelerado. Já em novembro de 1902, o Mal. Mallet, que logo deixaria o Ministério, veio inaugurar um grande trecho da estrada. Assumindo o Ministério da Guerra o Mal. Francisco de Paula Argollo, os trabalhos continuaram a todo vapor em direção a Piquete, passando a comissão militar construtora do ramal férreo a ser chefiada pelo Ten. Cel. de Engenharia, Ignácio de Alencastro Guimarães. Estavam marcadas para março de 1904 as visitas do Ministro da Guerra e da Viação às obras do ramal férreo e do sanatório militar. Tendo isso em vista, nosso Intendente José Bittencourt, sancionou uma Lei que diz no seu artigo 1º 

"É o intendente authorizado a preparar, nesta Villa, a recepção dos Ministros da Guerra, Marinha, Viação e sua illustre comitiva, que aqui devem chegar no dia 26 do corrente, com destino ao Sanatório Militar em Lavrinhas, podendo dispender a quantia precisa para tal fim". 

No artigo 2°, vamos ler a vultosa quantia gasta nesta recepção: 

"Fica desde já creada a verba supplementar de um conto e quinhentos mil réis, do § 12º do artigo 2° da Lei nº 21 de 6 de outubro de 1903, para os fins do art. 1° desta lei." 

Realmente interessante é o artigo 3°: 

"É igualmente authorizado o Intendente a levantar em qualquer estabelecimento público ou particular, o empréstimo preciso para a fiel execução desta lei, pagando o capital e juros por conta ao augmento que possa ter a receita do presente exercício ou por conta da receita do exercício próximo fucturo". 


Estação Angelina - 1904
Imagem escaneada de "Estação Rodrigues Alves - 90 Anos"

A quantas andávamos! E realmente, às primeiras horas do dia 26 de março, a caravana atingiu a estação da E.F.C.B. em Lorena. À chegada foi executado o Hino Nacional Brasileiro pelas bandas do 12° Batalhão, do Colégio São Joaquim e "Mamede de Campos", e muitas homenagens foram prestadas aos visitantes. Após as cerimônias de recepção, a comitiva dirigiu-se aos escritórios da Comissão Construtora do Ramal Férreo. 

(...) "Às 9 horas e 20 minutos o trem partio da estação d'esta cidade, levando nos diversos carros perto de 300 pessoas e as bandas de música do Collegio S. Joaquim e "Mamede de Campos". Às 9 horas e 50 minutos o comboio chegou a parada do 12° Batalhão depois de uma viagem excelente. (...) e tomaram o comboio que foi até a ponta dos trilhos em terras da fazenda 'Conceição', junto ao rio do Ronco, onde depois de breve descanso o Sr. Marechal Argollo pegou na alavanca para erguer a primeira pedra da ponte sobre o mesmo rio e no tijollo do alicerce da estação que alli vae ser construída e denominar-se-ão - ponte e estação - Marechal Argollo. (...) Nhum barracão alli construído o Sr. Coronel Belarmino de Mendonça, fez servir variadissimo 'lunch ": café, doces e etc. Em seguida dirigiram-se todos da comitiva para a Villa do Piquete em trolys e a cavalo. (...) Chegaram à nossa cidade às 13 horas e foram recebidos n'um prédio novo, ellegante, alli construído pelo Cap. Manoel A. Bittencourt e após pequeno repouso dirigiram-se os Srs. Ministros e comitiva para o 'Hotel das Palmeiras' de propriedade do Coronel José Mariano Ribeiro da Silva, onde foi servido lauto almoço. Findo este, os visitantes tomaram o rumo de São Francisco dos Campos. Chegaram a Lavrinhas as cinco e meia da tarde, onde vistoriaram as obras do sanatório. Já na fazenda do Barão da Bocaina, em São Francisco, foram recepcionados com um magnífico banquete. No dia seguinte, um domingo, as dez horas da manhã tomaram o rumo de Lavrinhas e, as duas horas da tarde, partiram para a fazenda 'Estrela' onde chegaram uma hora e pouco depois, sendo recebidos por Custódio Vieira da Silva. Os visitantes em companhia dos Srs. Ministros da Guerra e Viação, visitaram os terrenos da fazenda e observaram a grande quantidade d'água, que a mesma possue para tocar os diversos machinismos alli colocados e resolveram depois de seguro exame que se levantasse a fabrica de pólvora.


Estação Coronel Barreiro - 1904
Imagem escaneada de "Estação Rodrigues Alves - 90 Anos"

Tivemos, assim, a data de 27 de março de 1904 como da definitiva escolha para a construção da Fábrica de Pólvora Sem Fumaça, abandonando-se, dessa forma, os terrenos no Benfica, cedidos pelo Barão da Bocaina e aceitos pelo Marechal Mallet, em 1902. Em 22-07-1905, a Comissão Construtora da fábrica de pólvora sem fumaça instalou-se na fazenda "Estrela do Norte", iniciando as obras da barragem no rio Sertão e a construção da Usina Hidrelétrica. Enquanto a ponta dos trilhos avançava, em Piquete estava sendo construída a estação do ramal. A ferrovia teve suas obras concluídas sob a chefia do Ten. Cel. de Engenharia, Ignácio de Alencastro Guimarães. Tiveram que superar inúmeros obstáculos como deficiência de verba, falta de pessoal e impropriedade do terreno para levar até o fim a incumbência. A construção da estrada foi, entretanto, conseguida com regularidade e máxima economia. A comissão construtora era composta de um ajudante, seis auxiliares, dois desenhistas, cinco praticantes, um encarregado do material, um médico, oficiais e praças do 12° batalhão de Infantaria com uma média de 144 homens e 180 trabalhadores civis. A comissão, como primeira dificuldade, teve que desviar o curso do rio Ronco, construindo extensos patamares e diversos declives. O rio Ronco foi trabalhado em um desenvolvimento de 260 metros. Os trabalhos iniciais constaram do destacamento de uma área de 60 000 metros, sendo abertos também 3 540 metros de caminho por entre capoeiras e matas. Como obras de conservação e segurança, a comissão construtora teve que fazer drenagem de diversas áreas do solo, abrir valetas para escoamento das águas pluviais do leito da estrada, construir pontilhões e boeiros em grande número. Foi também construída junto à linha férrea uma linha telegráfica de Lorena a Benfica, que relevantes serviços prestou à comissão construtora da fábrica de pólvora e à própria comissão da estrada. Possuía a estrada de Lorena a Benfica uma oficina para o conserto do seu material de tração, uma caixa d'água com capacidade para 3 621 litros, na estação Coronel Barreiros e diversos ranchos para as turmas de conservação as linhas. Finalmente, o dia 15 de setembro de 1906 foi marcado para inauguração do "Ramal Férreo Lorena - Bemfica" e a "Estação Rodrigues Alves". 

 "A uma hora da tarde partiu o trem de Lorena para Piquete levando seis carros repletos de senhoras e senhoritas da melhor sociedade, banda de música e membros da comitiva. O trem foi aclamado na parada Angelina e recebeu outras manifestações à passagem da ponte Mal. Argollo e da estação Cel. Barreiros. A estrada acompanha as ondulações do terreno de modo que, sem se esperar, surgiu a estação Rodrigues Alves num púlpito de arvoredo, a que se segue fechando o horizonte, o dorso azulado da Serra da Mantiqueira. O trem encostou na estação que é elegante e espaçosa. Antes mesmo de parar, centenas de foguetes espocaram pelos ares. Desceram do 'especial' Marechal Francisco de Paula Argollo, Ministro da Guerra, o Dr. Washington Luiz, Secretário da Justiça do Estado de São Paulo, representando o Dr. Jorge Tibiriçá, todos os membros do estado-maior, vários oficiais, deputados, jornalistas e outros convidados.


Ramal férreo Lorena - Piquete
Imagem escaneada da Agenda 99 - Fundação Christiano Rosa

Aguardando o Ministro e seu séqüito, estavam o Cel. Augusto Maria Sisson, chefe da comissão construtora da "Fábrica de Pólvora Sem Fumaça" e seus auxiliares; o grande líder piquetense Cel. José Mariano Ribeiro da Silva; o Prefeito Cap. José Inocêncio A. Bittencourt; Cel. Luís F. Relvas; o Cap. Antônio Pereira Rosa; Ten. Cel. João T. Maria, chefe da comissão do Sanatório Militar; Benevenuto Bittencourt; inúmeras famílias e grande massa popular. Todos se perfilaram para ouvir o Hino Nacional executado pelas bandas do Colégio S. Joaquim e do 12° Batalhão de Infantaria. Após a confraternização, deslocaram-se para a residência do Cel. José Mariano, Hotel das Palmeiras, totalmente ornamentado, onde foi servida farta mesa de doces. Ao champanhe, discursou o Sr. Frederico Leite Teixeira Magalhães, saudando os governos da República e de São Paulo. Retirando-se do Hotel das Palmeiras, a comitiva retornou à estação. Pelo Cap. Lino Carneiro de Fontoura, ajudante da comissão construtora do ramal férreo, foi lida a ata da inauguração, que foi assinada pelo Ministro Argollo, Washington Luiz e todos os presentes. Encerrando esse ato inaugural, falou o Ten. Cel. Teixeira Maia, tecendo o histórico dos trabalhos.


Estação Rodrigues Alves

Poderíamos encerrar aqui este trabalho; entretanto, existem outros fatos interessantes que não gostaríamos que fossem omitidos. O nosso ramal férreo foi, até 1941, de bitola estreita, isto é, de um metro entre os trilhos. A partir daí passou a ser de 1 metro e sessenta centímetros. Desde 1907 as locomotivas que serviram à Fábrica foram cedidas pela Estrada de Ferro Central do Brasil. Num pequeno retrospecto, vamos ver as máquinas que percorreram nossos trilhos de bitola estreita: em 1907, serviram as de números 3 e 27; em 1908, as 28, 32 e 38,  que permaneceram até 1912; em 1913, além das três citadas, veio a 59; em 1914, saiu a 59 e permaneceram, até 1921, as 28, 32 e 38; em 1922, apenas a 28; em 1923 a 36; em 1924/25, a 38; em 1926/27/28, a 36; em 1929, a 38. A partir de 1930 até 1932, as 1038 e 1039; em 1933, as 1020 e 1039; em 1934 as 1020 e 1038, que continuaram até 1941, quando alargaram os trilhos. 


Estação Rodrigues Alves 
Foto de Lety

Com o advento das rodovias e o aprimoramento da área automobilística, as nossas ferrovias foram relegadas a plano secundário. E essa situação teve seu início pela década de 1920, especialmente após a inauguração, em 1928, da estrada de rodagem São Paulo - Rio de Janeiro. Os caminhões e ônibus passaram a roubar cargas e passageiros, pois entravam dentro das cidades, deixando os carregadores e viajantes quase à porta de seus destinos. A situação piorava tanto, que nas décadas de 1930/40, a E.F.C.B. passou a fazer propaganda, em jornais e revistas, das vantagens de sua utilização. A frota rodoviária aumentava, com menores fretes e maior rapidez. Ao invés de partir para a renovação de seus serviços, modernizando-se, por muito tempo continuaram nossos trens e sua infraestrutura sem nenhuma alteração. A mudança das "marias-fumaças" pelas máquinas a Diesel melhoraram quanto à velocidade e limpeza, assim como os trens de aço que chegaram tarde. A projetada eletrificação da E.F.C.B. não saiu dos projetos. 


Família em passeio no trem de aço saido de Baependi , MG para Cruzeiro, SP - 1952
Arquivo Maria Auxiliadora Mota G. Vieira

A inauguração da Rodovia Presidente Dutra, em 1950, deixou a ferrovia em estado de coma. Com sua duplicação em 1968, em pior estado ficou. Ante esse quadro de degradação de nossas ferrovias, o governo acabou por estatizá-las e surgiu a Rede Ferroviária Federal Sociedade Anônima: a RFFSA. Desde 1956, o ramal férreo Lorena - Piquete acumulava prejuízos. Os funcionários da Fábrica passaram a utilizar ônibus para se locomover de Lorena para o trabalho em Piquete. A composição, que no tempo da 2ª Grande Guerra puxava oito classes de funcionários, foi diminuindo, diminuindo... Também os que apanhavam o velho "trenzinho das dez" para Lorena passaram para os coletivos rodoviários. Mesmo os produtos de importação e exportação da Fábrica já não mais utilizavam os vagões ferroviários. A Fábrica montou sua própria frota de caminhões. Em resumo, culminou com a desnecessidade do ramal férreo Piquete - Lorena. A certidão de óbito do ramal, que sempre teve como objetivo maior atingir o sul de Minas, mas que praticamente existiu para servir à Fábrica de Piquete, vai transcrita no telegrama que chegou à estação de Piquete.

"CSU 20 do SP.3 ao TODOS DA SP.3
N° 43 às 13,50. R. 07,40/VD
JUIZ DE FORA para D. PEDRO II M. BELO ATÉ BARREIRO B. PIRAI ATÉ PINHEIRINHO
S.J.CAMPOS ATÉ C. SOUZA JAPERI
RAMAL DE PIQUETE - 27/28.12.77
Acordo entendimento DSR.3 e DOP e até posterior orientação ficam suprimidos partir dia 1°/janeiro/78 trens prefixos SPO. 71.72.73 e 74.
Nardelli
"


Locomotiva do "trem piqueteiro", na Estação Estrela
Foto de Lety

E a última viagem do "nosso trenzinho" deu-se no dia 31 de dezembro de 1977.

Autor: José Palmyro Masiero
"Estação Rodrigues Alves - 90 Anos"

Fontes de Consulta

1 - Livro de Atas da Câmara Municipal da Vila Vieira do Piquete 1891-1904
2 - Livro de Atas da Câmara Municipal de Lorena 1902
3 - Livro de Leis da Vila Vieira do Piquete - 1892-1907
4 - Relatório do Ministro da Guerra 1902 - A.H.E.X.
5 - Relatório da Divisão Geral de Engenharia - 1905
6 - Masiero, Palmyro - Um trenzinho que se fez saudade
7 - Jornal "O Município" - Lorena - 01/04/1904
8 - Jornal "O Estado de São Paulo" - 15/01/1902
9 - Jornal "O Estado de São Paulo" - 20/01/1902
10 - Jornal "Correio Paulistano" - 17/09/1906
11 - Jornal "O Estado de São Paulo" - 17/09/1906

 

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