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CIDADE PAISAGEM |

Exuberante paisagem
piquetense
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Filho do alferes Inácio Joaquim Monteiro e de Ana Joaquina do Amor Divino, foi batizado na vila de Santo Antonio de Guaratinguetá em 25 de março de 1806. Era irmão do Monsenhor Antonio Martiniano de Oliveira, vigário colado de Guaratinguetá, e do cônego Joaquim Anselmo de Oliveira, arcipreste da Sé Catedral de São Paulo. Estudou as primeiras letras na Aula Régia da vila de Guaratinguetá, com o padre Manuel Joaquim de Oliveira, e teve aulas de música com o mestre Francisco de Paula Ferreira, latinista, compositor sacro e professor de Gramática, Latina. De origem humilde, começou a trabalhar vendendo produtos da chácara de seu pai, na feira semanal do Largo do Rosário, em Guaratinguetá, e mais tarde, como tropeiro, conduzindo tropas e mercadorias para o Rio de Janeiro e Minas Gerais. Casou-se pela primeira vez com Ana Silvéria Umbelina do Espírito Santo, nascida em Lorena, no dia 22 de junho de 1808, filha do capitão Francisco Gomes Sandim e de Silvéria Inocência de Gusmão. Teve deste casamento treze filhos: 1. Dr. José
Martiniano de Oliveira Borges, bacharel em Direito, promotor público em
Guaratinguetá, juiz municipal e de órfãos, delegado de polícia e inspetor
de Instrução
Em 1833, foi nomeado para exercer os cargos de Escrivão de Órfãos, promotor público e sargento-mor da vila de Guaratinguetá. Foi vereador à Câmara Municipal na legislatura de 1833-1837, vice-presidente da Câmara Municipal no período de 1849-1852. Sub-delegado de Polícia em 1845 e Juiz de Paz no período de 1849 a 1852. Em 4 de abril de 1854 foi nomeado Coronel-Comandante da Guarda Nacional de Guaratinguetá e Anexos. Membro do Partido Conservador, elegeu-se deputado à Assembléia Legislativa Provincial (1856-1857). Fundou a Santa Casa de Misericórdia de Guaratinguetá e foi seu provedor. Protetor do Asilo do Bom Pastor, Inspetor de Obras Públicas, acionista da Estrada de Ferro Dom Pedro II, membro da comissão diretora das obras da Matriz de Santo Antonio, Inspetor de Estradas e chefe do Partido Conservador em Guaratinguetá e na região. Em reconhecimento aos seus relevantes serviços prestados à comunidade, à instrução pública e ao Brasil, o Imperador Dom Pedro II agraciou-o com os seguintes títulos, comendas e honrarias: - Cavaleiro da
Imperial Ordem da Rosa, em 1º de dezembro de 1848
Viúvo de Ana Silvéria Umbelina do Espírito Santo, ligou-se a Maria das Dores Cristina dos Santos, nascida em Guaratinguetá, com quem teve a filha Anacleta Cristina dos Santos. Com a mesma senhora teve mais duas filhas, legitimadas pelo Juízo Municipal de Guaratinguetá, em 20 de março de 1859. Casou-se pela segunda vez no dia 5 de junho de 1858, com Amélia Augusta Cazal, batizada em Guaratinguetá no dia 8 de março de 1830, filha do cirurgião-mor Rafael José Cazal, nascido na vila de Cascais, Patriarcado de Lisboa, Portugal e de Marguerite Penel, nascida em Vevey, cantão de Vaud, na Suíça. Teve deste casamento os seguintes filhos: 1. Maria Amélia
de Oliveira, casada pela primeira vez com o Dr. José de Barros Franco e em
segundas núpcias com o Major Rafael de Castro Bueno. A residência principal do visconde era a enorme chácara da rua da figueira, atual rua Visconde de Guaratinguetá, localizada onde hoje se ergue o Instituto de Educação Rodrigues Alves, e que primitivamente se estendia até os trilhos da Estrada de Ferro Central do Brasil. O titular era apaixonado pela natureza e ele mesmo plantara diversas árvores na propriedade, entre elas a mangueira que hoje estende sua galharada centenária sobre os jardins de uma residência da rua São Francisco, por onde a chácara se espraiava. A grande casa, composta de dois sobrados unidos em um só, foi sede de acontecimentos sociais de relevo, entre eles as recepções oferecidas à família imperial. Alguns objetos que adornavam a residência permanecem até hoje em poder dos descendentes do visconde e denotam seu requinte: biombo chinês de laca madrepérola, pratarias de lei, um conjunto de colunas e relógio de porcelana de Sèvres com apliques de bronze, do escritório do titular, porcelanas, cristais e vidros de importação européia, mobília de "palissandre" com embutidos de marfim, toalhas de algodão fino tecidas e bordadas pelas escravas da chácara. As demais casas do titular, espalhadas pela cidade, eram alfaiadas com idêntico luxo: mobiliário de jacarandá, armações de mogno e peroba, cortinados para cama, quadros dourados com a efígie do imperador e do conde D'Eu, capachos de tapete, argolas e ambrazes de metal dourado, biombos de pano, lampiões de centro com pertences bronzeados, lavatórios de vinhático com serviços de pó de pedra, tapetes de lã bordados, resposteiros de damasco com borlas de lã, espelhos dourados, redomas e mangas de vidros. Era a prataria, nessas casas, abundante: serviço para chá, serpentinas, salvas, paliteiros em forma de coqueiro, passarinho e torneira, copos com corrente para viagem, castiçais de vários tamanhos, jogo de bacia e jarro, copos dourados, tinteiro com relógio e campainha, espivitadeiras, bandejas, aros para guardanapos, braseiros, faqueiro de prata dourada... Elevado às mais altas posições na sociedade em que vivia, coube ao Visconde de Guaratinguetá, como representante da elite agrária, acolher por mais de uma vez a Família Imperial nas diferentes ocasiões em que ela visitou o Vale do Paraíba paulista. Consultando a documentação da época (jornais e correspondência do titular com a família imperial) pudemos reconstituir algumas dessas visitas, que tiveram início em 1868, quando os Condes D'Eu estiveram em Lorena, Guaratinguetá, Aparecida, Pindamonhangaba, Taubaté e Tremembé, após uma permanência de três meses na província mineira, onde a herdeira do trono e o príncipe consorte foram fazer uso das águas minerais de Lambari (naquele momento, Águas Virtuosas da Campanha). Os príncipes entraram na província paulista no dia 5 de dezembro, descendo a serra da Mantiqueira pela estrada de Itajubá, hospedando-se em Lorena na residência do comendador Moreira Lima, chefe do partido liberal da localidade. Ali permaneceram até o dia 7, quando partiram para Guaratinguetá. No esplêndido baile oferecido pelos viscondes de Guaratinguetá aos condes D'Eu repetiu-se a cena com que se festejavam os príncipes desde a sua chegada à província. À entrada do salão nobre formavam as jovens mais lindas da cidade, segurando salvas de prata com pétalas de rosas, que foram derramadas sobre a cabeça da princesa. Nessa noite memorável notabilizou-se a Viscondessa de Guaratinguetá pela elegância de seu traje, confeccionado por modistas da Corte, e pela profusão de suas jóias, em que sobressaía um belíssimo anel de diamante negro. Aos convidados foram servidos sorvetes e gelados, encomendados na Corte, e que fizeram sensação, pois eram novidade absoluta "n'aquele meio...". O Visconde de Guaratinguetá faleceu em São Paulo, no dia 19 de abril de 1879, estando sepultado em túmulo brasonado no Cemitério da Irmandade do Senhor dos Passos, em Guaratinguetá. A Viscondessa de Guaratinguetá faleceu em São Paulo, no dia 6 de julho de 1896, estando sepultada em túmulo brasonado, ao lado do Visconde. O Visconde de Guaratinguetá "tendo emergido de um mundo de pequenos artífices, de mercadores de lojas, de senhores de engenho medianamente enriquecidos pelo açúcar, de vendeiros e taverneiros de beira de estrada, de tropeiros e negociantes de tropas, de vendedores de negros cativos, de dizimeiros e guardas-mores das águas minerais, de padres que conciliavam os interesses da religião com os apelos do ganho proporcionado pela posse da terra e de alguma escravaria, de pequenos proprietários de sítios e engenhocas, acanhados chãos onde plantavam o estritamente necessário à subsistência, o rapaz Chico Pintor, o negociante e fazendeiro Assis Borges, capitalista e comendador, visconde de Guaratinguetá e grande do Império, pôde um dia fazer sua própria história na concisão destas linhas: `Nasci pobre. Tenho vivido sem necessidade e espero em Deus que assim finarei. Assim economizo para que outros se regalem'". Pelo inventário do Visconde de Guaratinguetá, verifica-se que ele foi um dos homens mais ricos do Brasil, no Segundo Reinado. O monte-mor partilhável foi de mil contos, pois, segundo afirma Afonso Arinos de Melo Franco, correspondia a 1% do meio circulante brasileiro, compreendendo fazendas, grande escravaria, bens móveis e imóveis em Guaratinguetá, Aparecida, Cunha e São Paulo, dívidas ativas, ações de dívida pública, dinheiro em bancos e casas comissárias de café. Falecido em 1879, seu inventário foi concluído em 1880, sendo o Conselheiro Francisco de Paula Rodrigues Alves, seu neto por afinidade, o advogado da viúva e demais herdeiros _ tanto o Conselheiro Rodrigues Alves, como seu irmão Coronel Virgilio Rodrigues Alves eram casados com netas do Visconde, filhas do Dr. José Martiniano de Oliveira Borges.
A grande fortuna dispersou-se entre os seus numerosos descendentes, não resistindo às mudanças sócio-econômicas (abolição da escravatura, desgastes das terras e a concorrência das novas áreas produtoras de café) que modificaram as estruturas e a economia do Vale do Paraíba nas últimas décadas do século XIX e nas primeiras décadas do século XX. A cidade de Guaratinguetá, honrando e perpetuando a memória de seu ilustre filho, único titular guaratinguetaense no Império, deu seu nome a uma das ruas mais antigas da cidade (a rua da Figueira), hoje, rua Visconde de Guaratinguetá. Outras ruas da cidade homenageiam a família do Visconde: rua Dr. Martiniano (Dr. José Martiniano de Oliveira Borges); rua Vigário Martiniano (Vigário José Martiniano de Borges); e rua Arcipreste Joaquim Anselmo de Oliveira. PASIN, José Luiz. Os Barões do café. Aparecida: Editora Santuário, 2001. |

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