PIQUETE - CIDADE PAISAGEM
História



Comícios e Políticos em Piquete


Adhemar de Barros, em discurso de campanha em 1963, na Praça da Bandeira.
No palanque, Darcy Encarnação e José Leite. Foto publicada no Jornal "O Estafeta"

 

O político Adhemar de Barros
Presença constante em Piquete

Relendo alguns exemplares do jornal "O Monitor", "órgão independente e noticioso", cujo primeiro número circulou em Piquete, em julho de 1939, constatamos em suas páginas a presença freqüente da figura carismática do interventor do Estado de São Paulo nomeado por Getúlio Vargas, Dr. Adhemar de Barros. Por meio de velhos jornais, podemos conhecer parte significativa de nosso passado histórico e personalidades que ocuparam um bem dimensionado espaço de tempo em nosso cotidiano, mas que a fragilidade da memória acabou por distanciar. Adhemar de Barros, por mais de três décadas, ocupou lugar de destaque na política nacional. Bem antes, porém, esteve ligado a Piquete, mantendo bom relacionamento com o município. Sua primeira visita a Piquete deu-se em 1932, como médico constitucionalista, já que havia abraçado a causa da revolução paulista. Aqui ficou, por algum tempo, auxiliando o chefe constitucionalista do setor de saúde, Dr. Mergulhão Lobo, num hospital de campanha instalado no Cine Glória. Passada a Revolução, ingressou no Partido Republicano Paulista (PRP), a fim de concorrer às eleições de outubro de 1934 para a Assembléia Constituinte do Estado de São Paulo. Eleito, participou, em 1935, da elaboração da Constituição de São Paulo e permaneceu na Câmara Estadual durante a legislatura ordinária subseqüente. Em 1936, passou a articular sua candidatura à presidência da República, nas eleições previstas para janeiro de 1938. Entretanto, em 10 de novembro de 1937, um golpe militar chefiado pelo presidente Getúlio Vargas implantou o Estado Novo, cancelando as eleições e suprimindo os partidos políticos e os órgãos legislativos do país. Adhemar de Barros perdeu, então, seu mandato de deputado estadual. Com o advento do Estado Novo, os Estados voltaram a ser governados por interventores federais nomeados pelo presidente da República. Em abril de 1938, Adhemar tornou-se Interventor do governo de São Paulo, cargo que exerceu até 1941. Por mais duas vezes governou São Paulo, agora como governador eleito e reeleito pelo voto popular (1947-1951 e 1963-1966). Foi, ainda, prefeito da capital no período de 1957 a 1958. Nunca deixou de participar do cotidiano de Piquete, onde manteve sempre muitos correligionários. Todas as vezes em que aqui esteve, durante campanhas políticas, seus comícios eram concorridos.Sua chegada à cidade era anunciada por faixas, cartazes e foguetório. Com um discurso populista que agradava a todos, atraía multidões para ouvi-lo na Praça da Bandeira, centro da cidade. Acreditava que para governar era preciso planejar. Nos doze anos em que administrou o Estado, o fez com base em planos de ação de caráter estratégico e com atividades setoriais. Esses planos faziam parte, também, de seu marketing político, pois, cada vez que se lançava candidato a governador ou a presidente da República, apresentava uma plataforma de realizações, que, se eleito, lhe serviria de base para estruturar o planejamento da administração. A formação humanística de médico influenciou toda sua obra. Priorizou sempre os setores da saúde pública e da educação. Hábil politicamente, Adhemar de Barros estava sempre se articulando com novas lideranças políticas, comerciantes, empresários e destacados intelectuais, que lhe proporcionavam votos e a permanência em cargos públicos. Em Piquete, diferentes gerações de "adhemaristas" como Juca Brito, Brás Pereira de Olivas, Christiano Rosa, Luiz Vieira Soares, Belmiro Lima, João Evangelista do Prado, Lefundes Tanajura, Eva Chaves, Darcy Encarnação, Gabriel Benfica Nunes, José Armando de Castro Ferreira e outros conseguiram por seu intermédio trazer vários benefícios para o município: socorro em enchentes, pontes, a melhorias para estradas, a construção do grupo escolar Antonio João.

Jornal "O Estafeta" - abril de 2008


Comício na Praça da Bandeira no início dos anos 60.
Foto públicada no Jornal "O Estafeta"

Antigos Políticos. Políticos Antigos

As cidades ganham ares diferentes no período que antecedem as eleições. Meses antes, coligações partidárias são seladas e elaboradas as estratégias de campanha. A partir daí, comícios são organizados pelos correligionários dos candidatos em diferentes pontos da cidade e visitas domiciliares são iniciadas. Busca-se, a todo custo, ganhar o voto do eleitor. Esse período deveria ser usado para conscientizar o eleitor da importância do voto e para que os candidatos aos cargos majoritários expusessem seus planos de governo. No entanto, não é isso que acontece. Mal raia a manhã, histórias das mais esdrúxulas passam a correr pela cidade, de boca em boca. Cada dia uma nova história. Parece novela. A indústria dos boatos cresce. Dados manipulados são divulgados, contribuindo, assim, para enriquecer o anedotário político, que cresce a cada eleição, principalmente nas pequenas cidades. Contribuem, em grande parte, para isso, políticos populistas, que querendo ganhar o eleitorado a todo custo, usam todos os métodos possíveis e inimagináveis para engabelar o eleitor. São muitas as histórias que surgem em época de eleição. Quando a campanha é federal ou estadual, devido aos candidatos estarem distantes do eleitorado, são generalizadas. Mas, quando se trata de eleição municipal, afloram as paixões, muitas vezes de maneira desonesta, de modo que o palanque é usado por candidatos para mentir ou, de forma truculenta, agredir com acusações infundadas seus adversários. Escondem por trás dessa ação o despreparo e a falta de propostas eficazes para o debate público. Parte-se para a ignorância, e os comícios, que deveriam ser educativos e esclarecedores, transformam-se num circo a que a população vai para se divertir. Se no passado o chamado voto de cabresto era prática comum entre os políticos populistas, hoje ainda se observam em pequenas localidades, remanescentes dessa prática. Assim, a máquina administrativa, muitas vezes, é usada, num flagrante desrespeito à coisa pública. Cestas básicas, frangos, consultas médicas, transporte de doentes, medicamentos, pagamento de gás, luz, prestação de carros, entre outros, são trocados por adesão ao candidato, que espera votos pela concessão destes favores. Hoje, felizmente, este modelo está em baixa. O eleitor quer conhecer o programa de governo e já não mais comunga do ideário populista. Enquanto cidadão, exige respeito e busca qualidade nas ações dos governantes. Em época de eleição, muitos antigos moradores recordam-se de um político populista que por mais de três décadas manteve estreita relação com Piquete - Adhemar de Barros. Adhemar esteve aqui, pela primeira vez em 1932, como capitão médico constitucionalista. Em 1938, nomeado Interventor do Estado de São Paulo por Getúlio Vargas, indicou para prefeito de Piquete José Monteiro de Brito Júnior. A partir de então, sua presença em nossa cidade foi freqüente. Sua chegada a Piquete era sempre uma festa.. Seus correligionários preparavam a população para os comícios, na Praça da Bandeira, tradicional local de concentração popular nos anos 50 e 60. Esses comícios são lembrados ainda hoje por antigos "adhemaristas". Bem antes da hora marcada para seu início, grupos de pessoas se dirigiam para o local: afluíam pelas ruas Cel. Luiz Relvas, Síria, do Piquete, Com. Custódio e Vila Duque, às centenas. Num caminhão palanque, desfilavam políticos locais e de sua comitiva, que disputavam espaço para as lentes dos fotógrafos. Oradores se sucediam. Quando Adhemar de Barros era anunciado, era a apoteose. Sob aplausos e espocar de foguetes; a população se manifestava. Queriam se aproximar para ouvi-lo. Carismático, seduzia a todos. Apesar das denúncias de desvios de verbas públicas ao longo de sua trajetória como administrador, quando foi cunhado como "rouba, mas faz" , fez escola. Felizmente, esse modelo de político ficou para trás. Hoje busca-se ética, seriedade, eficiência e qualidade administrativa!

Jornal "O Estafeta" - setembro de 2008


Comício de Campanha em 1963 - Da esquerda para a direita: NI, Adhemar de Barros, Auxiliadora Mota,
Mª das Graças Mota Cruz, Christiano Alves da Rosa, Cyro Areco, NI, José Leite, Zezinho Gonçalves.
Arquivo Mª Auxiliadora M. G. Vieira

 

 

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