PIQUETE - CIDADE PAISAGEM
História



O Primeiro Dia dos Professores


Em 15 de outubro de 1948, por iniciativa do Departamento Educacional da FPV, comemorou-se, em grande estilo, pela primeira vez em Piquete,
o Dia do Professor. Na foto, Gen. Waldemar H. Aquino, diretor da FPV, Cel. José Pompeu Monte, chefe do DAE, Luiz Vieira, prefeito municipal,
professores José Éboli e Sinésio de Castro diretores de ensino, professores e os representantes dos alunos César D'Amico e Abigayl Léa da Silva.
Identificamos ainda: Profª Ricarda Godoy Lopes e Prof. Carlos Ramos da Silva.
Foto publicada o Jornal "O Estafeta".

 

Quinze de Outubro de 1948 - Uma data especial

Para marcar o Dia dos Professores, o Departamento Educacional da Fábrica Presidente Vargas promoveu, no dia 15 de outubro de 1948, um almoço de confraternização entre os professores do município. Pela primeira vez, em Piquete, os professores tiveram no calendário um dia para o justo reconhecimento de suas atividades na difícil missão de educar. A iniciativa de se comemorar o dia do professor no Brasil partiu de uma associação docente católica do Rio de Janeiro, na década de 30. A partir de então, em vários estados brasileiros, aconteceram manifestações voltadas para esse fim. Em sua origem, essa celebração tinha unicamente caráter afetivo ao pretender criar uma oportunidade para que as pessoas demonstrassem reconhecimento a quem lhes ensinara a ler e escrever, geralmente relegado ao esquecimento e ao anonimato. Em 1948, o governador de São Paulo, Adhemar de Barros,por meio do Decreto Lei 174, de 13 de outubro, declarou feriado escolar "a data de 15 de outubro, considerada o Dia do Professor". Dois dias após a promulgação do Decreto, a diretoria da Fábrica, como sempre pioneira nas grandes realizações, através do Departamento Educacional realizou esse encontro, considerado a maior reunião de educadores e pessoas voltadas ao ensino até então ocorrida em nossa terra. Esse almoço teve início às 12h e ocorreu num amplo salão do Departamento Educacional que se encontrava todo engalanado, e contou com a presença do Gen. Waldemar Brito de Aquino, diretor da FPV; do Professor José Pereira Éboli, Delegado Regional do Ensino; do Cel. José Pompeu Monte, Chefe do Departamento Educacional; do Prof. Sinésio de Castro, Inspetor de Ensino Primário; do Cel. Almir Autran Franco de Sá; Luis Vieira Soares, Prefeito de Piquete; Maj. Orlando da Costa Canário; Cap. Médico Otávio Tiburcio Ferreira; Prof. Melchiades Pereira Junior, Diretor do Grupo Escolar da Fábrica; Prof. Lutgardes de Oliveira, Diretor do Ginásio da Fábrica; Prof. Alexandre Ferreira Pedro Filho, Diretor da Grupo Escolar Antônio João; Prof. Laércio José de Azevedo, Diretor da Escola Agrícola; Prof. Leopoldo Marcondes de Moura Neto, Diretor da Escola Industrial Feminina; Prof. Professor Augusto Ribeiro de Souza, Diretor da Escola Industrial Masculina e de todo o professorado de Piquete. No transcurso dessa homenagem fez uso da palavra o Coronel José Pompeu Monte, que enalteceu a importância do trabalho do professor na formação do aluno. Ressaltou que o crescimento industrial por que passava o país necessitava de investimento muito grande, visando tanto ao desenvolvimento de equipamentos, quanto à capacitação técnica do operariado. Essa era uma preocupação da FPV que, através de sua política educacional, vinha investindo havia algum tempo na formação integral dos jovens de Piquete. Para tanto, criou e mantinha o Departamento de Assistência Educacional da Fábrica, órgão responsável pelo gerenciamento do Jardim da Infância, das Escolas Industrial Masculina e Feminina, do Ginásio, do Aprendizado Agrícola e das atividades extra-classe enfeixadas no Círculo da Juventude de Piquete. Após o discurso do Diretor do DAE, a professora Alba de Oliveira fez a leitura da "Oração ao mestre", discursando em seguida, o Professor Augusto Ribeiro de Souza. Naquele ambiente de congraçamento e elevação moral, fizeram uso da palavra vários alunos representantes das diversas escolas, que ressaltaram os feitos dos professores num profundo e sincero reconhecimento por tudo que vinham fazendo para elevar cada vez mais o nível cultural de nossa gente. Outros oradores se fizeram ouvir, dentre eles o professor Lutgardes de Oliveira, Miguel Kruse Médice e Alexandre F. Pedro, cujas palavras emocionaram os presentes, por isso muito cumprimentados. Antes de se ouvir o Hino Nacional, que assinalou o término daquele evento, falou o professor Éboli, que disse da satisfação de que estava tomado por todo aquele espetáculo de expressivo alcance social. Para encerrar, o General Waldemar Brito de Aquino discursou, dizendo do propósito do Departamento Educacional, agradecendo a presença de todos. Foi uma tarde memorável.

Jornal "O Estafeta" - Outubro de 2008


A menina Abigayl Léa formou-se professora,
tornando-se uma das grandes mestras da cidade.
Foto enviada por Lety

Piquete - Saudade Singular

Em Piquete, a "saudade da professorinha" é exponencial. Quem, consultando a população, tenta levantar dados sobre a história da cidade, logo vai bater no Grupo escolar de Piquete. São notícias e notícias do diretor Luiz de Castro Pinto e professores como Antonieta de Castro Andrade e João Cardoso do nascimento. E havia as aulas de francês. E sabiam cantar o Hino Nacional do Chile, para homenagear o dono da fazenda Bela Vista, que era chileno e grande amigo da escola. Avançando no tempo, vamos dar na responsabilidade social da Fábrica Presidente Vargas. Agora as lembranças se alternam. Ora vêm à baila os militares que tomaram a importante decisão; ora os civis que aceitaram o grande desafio. E a corrente de notícias sobre o Gen. Waldemar Brito de Aquino, o Cel. José Pompeu Monte e o Gen. Leunam Andrade Moniz Ribeiro vai crescendo e entrelaçando-se com os feitos de Lutgardes oliveira, Laércio ramos de Azevedo e José Geraldo Evangelista. E ninguém esquece a Educação Física: "nunca houve igual na região". E as demonstrações de ginástica na Semana da Pátria. E o professor Ciro Areco.  E o professor Pedro Mazza. E o exame médico. E o exame biométrico. Eu mesma, se fosse entrevistada pela historiadora Dóli de Castro Ferreira, que se esforça por não deixar cair no esquecimento fatos importantes da vida da cidade, certamente faria referência ao Grupo Escolar da Fábrica Presidente Vargas. E diria que a minha "professorinha" se chamava Maria Piedade Moreira. Que um grande incentivador da minha vida escolar foi o professor Carlos Ramos da Silva; que Osmar Rocha Simas e Oraida Bernadete Ribeiro Pereira tornaram leve a minha marcha no caminho do saber. E não me esqueceria de relatar o episódio que só fui entender mais tarde, quando me tornei professora: a alegria do meu diretor Melchiades pereira Júnior quando fui aprovada no exame de admissão ao ginásio da Fábrica Presidente Vargas. A cabeça de uma menina de onze anos não entendia porque responder a questões sobre assuntos tratados exaustivamente no Grupo Escolar implicava tanto mérito. Só mais tarde pude perceber que a simplicidade de uma prova de seleção pode revelar anos e anos de labuta de um professor. Reflexos de todas essas luzes, nesse mundo de Deus há muitos piquetenses vencedores, capazes, úteis à sociedade, que, de vez em quando, param para rememorar sua terra e sua escola. Nesse momento de festa de aniversário, desejo que nunca faltem boas escolas a Piquete. Para que o fio da saudade seja eterno.

Abigayl Léa da Silva
Jornal O Estafeta", Junho de 2005.


Professor Pedro Mazza e alunos da Escola Industrial.
Foto publicada no Jornal "O Estafeta"

 

Homenagem a Uma Mestra

Nas lembranças de Abigayl Léa, o fio eterno da saudade que ela deseja preservar... Se a mestra desfia suas lembranças, esquece que também faz parte de nossas evocações. 

Ela afirma: " Só mais tarde pude perceber que a simplicidade de uma prova de seleção pode revelar anos e anos de labuta de um professor.

No entanto, talvez nem ela mesma saiba o alcance dos resultados de seu trabalho e dedicação.
Em 1967, deixando Piquete para submeter-me ao vestibular de medicina, não precisei me preocupar com a matéria por ela brilhantemente lecionada. Nos tensos momentos que antecedem o resultado do vestibular, tendo em minhas mãos o gabarito das provas, verifiquei que tinha "fechado" a prova de Português, ou seja, acertara todas as questões. Isso não me foi surpresa: sabia que conseguiria um resultado assim.
Na ocasião, disse ao meu pai que me acompanhava: "Graças a Dona Abigayl".

Não me dediquei ao magistério, mas acompanhando a formação escolar de meus filhos, exigindo deles um desempenho pleno em Matemática e Português, cadeiras básicas que quando bem assimiladas facilitam a aprendizagem das outras matérias, sempre me lembrava de Abigayl Léa e do professor Benedito de Paula. Grandes e saudosos mestres. Hoje, nós também já somos responsáveis pelo alongamento dos fios de nossas saudades...


Gessy Junqueira de Andrade, minha primeira mestra.
Foto enviada por Lety

 

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