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PIQUETE -
CIDADE PAISAGEM |

Inauguração da
Torre de TV, no Pico do Ataque, prestigiada pela sociedade
piquetense.
Arquivo Ilce Nunes Pazzini
Revestida de solenidade deu-se no dia 7 de agosto de 1960, no Pico do Ataque, a mais de 2000 m de altitude, a inauguração da torre de TV. Os atos solenes foram abertos pelo Sr. Christiano A. da Rosa, que convidou o Capitão Willy Antonio Pereira, representante do diretor da FPV, a estourar um champanhe "sobre a aparelhagem". O Cap. Willy, entretanto, passou a honra da solenidade ao Sr. Oswaldo Coelho Nunes, que aquiesceu prazerosamente. Várias pessoas discursaram, aplaudindo o fato auspicioso e enaltecendo aqueles que tanto lutaram em prol da TV, em Piquete.
Desde a inauguração da televisão no Brasil, em 1950, em São Paulo, pela PRF3-TV, futura TV TUPI, a população piquetense passou a sonhar com aquela que se tornaria o maior e mais popular meio de comunicação e entretenimento do mundo. O pioneirismo para a instalação da TV em nossa cidade coube ao Sr. Oswaldo C. Nunes que, tendo adquirido um aparelho da marca Zenith, em 1959, não podia usufruir do mesmo. Faltava uma torre de retransmissão que captasse os sinais de São Paulo e do Rio de Janeiro e os enviasse para os aparelhos da cidade.
Em junho de 1959, o jornal "A Cidade" noticiava o desenvolvimento das primeiras experiências com TV, em Piquete e o trabalho dos Srs. Oswaldinho e José Ferreira da Silva (Berné) para a captação e transmissão dos sinais para a população da cidade. As primeiras recepções foram assistidas por grande público, no "Bar do Armando", em julho desse mesmo ano.
Com um misto de
curiosidade e grande expectativa, a população que assistiu às primeiras
imagens se manifestou favorável à formação de uma comissão para estudar a
melhor maneira de se instalar uma torre de retransmissão num ponto mais
elevado do município. A comissão pró-instalação da TV foi constituída
pelos Srs. Christiano A. da Rosa, presidente; José Armando de Castro
Ferreira, secretário; Antonio Brasilino, Diocesano Ramos da Silva, Fausto
de Andrade Nunes e José Gomes de Siqueira. O presidente de honra foi o Sr.
Oswaldo C. Nunes. Para a instalação dos aparelhos retransmissores, em
qualquer ponto do município, era necessário levar até lá energia elétrica.
Socorreu-nos a FPV, que se prontificou a ceder da REPI a energia
necessária. Em agosto, a Comissão Pró-TV, vereadores e Prefeito
reuniram-se para estudar a possibilidade de se instalar a antena no Pico
do Cabrito. Durante todo o ano, o assunto na cidade era a chegada da
televisão. Após o parecer de técnicos, contando com apoio do Cap. Willy e
do diretor da REPI, Maj. Nelson, escolheram o Pico do Ataque, pela
proximidade da rede elétrica e também por ser mais alto que o do Cabrito.
Logo teve início o preparo do local e a instalação das antenas e dos
retransmissores. No dia 7 de agosto de 1960, era grande o número de
pessoas que foram assistir à inauguração, no Pico do Ataque. Estavam lá,
além da comissão oficial, vários da Pró-TV: Berné, Fausto, Carlos Vieira,
Guilherme e outros. Entre os muitos discursos, o da Profª Mariinha Mota
sobre a grandiosidade do feito e do idealismo daquele punhado de homens
que visavam a uma Piquete melhor. O Prof. José Carlos Ribeiro sugeriu que
a Câmara concedesse ao Sr. Oswaldo Coelho Nunes o título de "Cidadão
Honorário Piquetense", pelo seu empenho em prol da TV em nossa cidade. O
técnico Antonio Guilherme fez a ligação dos aparelhos. Ao sabor de um
lanche, gentileza do Sr. José Moreira da Silva (Zé do Bar), os presentes
assistiram à TV a mais de 2000 m de altura. Nesse ambiente cordial, estava
inaugurada a retransmissão de TV em Piquete. |
A edição de número 27 do Estafeta conta um pouco da inauguração da torre de TV, citando inclusive um discurso feito por sua mãe. Eu me lembro perfeitamente daquele primeiro aparelho de TV, marca Zenith, da antena que papai colocou no alto do Santo Cruzeiro, de nós crianças, afastarmos a mesa da sala e colocarmos as cadeiras como num auditório e passarmos horas na frente dele ouvindo chiados e vendo chuviscos e vibrando quando aparecia alguma sombra de imagem.
Outra lembrança é de uma viagem até o Pico do Itatiaia para conhecer o sistema da repetidora que estava instalada lá. A Kombi subiu até lá com galhardia, mas a volta foi uma novela, pois as curvas eram tão fechadas que prendia o pára-choque traseiro e nós tínhamos que descer para levantar a traseira no muque e a viagem continuar.
Nossa casa vivia cheia de gente: Seu Berné, Valdir Viana, Guilherme (técnico que ajudou na instalação que eu me lembro tinha uma filha chamada Mônica e que tinha o apelido de Monquinha). Era uma casa tão aberta que raramente a porta era trancada a chave. Quantas e quantas vezes o último que entrava esquecia de trancá-la, pensando que havia outro para chegar. Foi um tempo feliz e vale a pena recordá-lo. Você me contou de lembrar que papai só tomava café sem açúcar e eu me lembro com saudades de um bolinho de arroz que comia em sua casa: era uma delícia!... Ilce Nunes Pazzini |
As fotos desta página
pertencem ao arquivo de Ilce Nunes Pazzini e mostram os primeiros tempos de luta
para a instalação
da repetidora de televisão em Piquete. Pertenci a esse grupo privilegiado de
crianças que, na casa de seu Oswaldinho,
torcia em frente da TV para
distinguir alguma imagem...
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