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Barão de Bocaina

Barão de Bocaina


Selo do Centenário de Nascimento do Barão de Bocaina

Emancipada em 15 de junho de 1891, a pequena e humilde Vila Vieira do Piquete que se propunha um progresso baseado no café e na agricultura, teria a total estagnação como futuro, senão uma vida modorrenta se nela não tivesse sido instalada, no início do século 20, a Fábrica de Pólvora sem Fumaça. Aí, realmente, Piquete nasceu. Toda a cidade passou a viver em sua função e mesmo os que nenhum vínculo possuíam com ela se beneficiavam desse estabelecimento militar. O responsável pela instalação da Fábrica de Pólvora sem Fumaça no município e considerado o propulsionador do grande desenvolvimento da região, foi Francisco de Paula Vicente de Azevedo, o Barão de Bocaina. Neste ano comemora-se o sesquicentenário de seu nascimento, ocorrido em Lorena, a 8 de outubro de 1856. Francisco de Paula Vicente de Azevedo perdeu o pai, o Cel. José Vicente de Azevedo em 1869, assassinado numa emboscada. Aos 13 anos, era o mais velho dos quatro filhos. Dona Angelina Moreira Vicente de Azevedo, sua mãe, viúva aos 33 anos assumiu sozinha a direção da família. Como primogênito, Francisco de Paula começou a ajudar a mãe tão logo a idade permitiu. Não cursou o ensino superior. Casou-se aos vinte anos, mas sua esposa faleceu dois anos depois. O futuro Barão da Bocaina iniciou sua vida pública ainda muito jovem, em Lorena como Coletor das Rendas Gerais, cargo que exerceu entre 1876 e 1879. Promovido para exercer a mesma função na capital da Província, preferiu ficar em sua cidade, deixar a carreira e ingressar na política. Assumiu então, a chefia do Partido Conservador, tendo sido eleito vereador à Câmara Municipal. Assumindo a Presidência, permaneceu nesse cargo até a proclamação da República. Dedicou-se ao comércio, à indústria e à lavoura. Foi fundador do Engenho Central de Lorena, o primeiro empreendimento do gênero no Vale do Paraíba paulista, tendo sido, "por serviços prestados à indústria", agraciado, em 27 de maio de 1884, com a Comenda da Imperial Ordem da Rosa. Possuidor de grandes extensões de terra em Lorena, Piquete, Guaratinguetá, Cunha, Pindamonhangaba e Itajubá, foi um dos precursores da substituição da mão-de-obra escrava. Promoveu o estabelecimento de várias colônias para a colocação de imigrantes, entre as quais Canas (em Lorena), Quiririm (em Taubaté) e Sabaúna (em Mogi das Cruzes). Em 7 de maio de 1887, por decreto do Imperador D. Pedro II, foi agraciado com o título de "Barão da Bocaina". Em 1891 casou-se, pela segunda vez, com dona Rosa Lopes de Oliveira. Por essa época, fez longa viagem à Europa. Ao retornar, introduziu a correspondência expressa, até então desconhecida no país. Tendo observado a semelhança de clima e condições da Suíça com os Campos do Jordão, no alto da Mantiqueira, onde era proprietário, fundou ali a primeira estação climática da região: São Francisco dos Campos. Lá construiu igreja, escola, hotel, grandes parques ajardinados e mais de cinqüenta casas. Iniciou nessa região, o cultivo de frutas européias; numa de suas fazendas, plantou, por exemplo, 35mil pés de marmelo. Mudando-se para São Paulo, foi um dos diretores da Estrada de Ferro Central do Brasil e do Banco Comercial de São Paulo. O chamado "Encilhamento", crise econômica de 1892, trouxe-lhe enormes prejuízos financeiros, obrigando-o a retomar para o Vale do Paraíba; foi morar em São Francisco dos Campos, onde residiu até o fim de 1904. O maior empreendimento do Barão da Bocaina, no entanto, foi promover a vinda do Ministro da Guerra do governo Campos Salles, Marechal Mallet, a Piquete e região, em janeiro de 1902, para escolher os terrenos que seriam por ele doados para a construção de um sanatório militar e de uma fábrica de pólvora sem fumaça. Dessa viagem resultou, de imediato, a construção do ramal férreo Lorena-Bemfica. Alterava-se, a partir de então, o rumo da história de Piquete. Em função dessas obras militares na região e do desenvolvimento e progresso delas advindas, as câmaras municipais de Lorena e Piquete deram seu nome a duas importantes ruas desses municípios, em novembro de 1902, por ocasião da inauguração do primeiro trecho do ramal Lorena-Benfica. Reconhecia-se a importância de seu trabalho por essas cidades. Em 1905, a convite do Conselheiro Rodrigues Alves incumbiu-se de reorganizar os serviços de arrecadação de rendas federais. Em 1921, no governo Epitácio Pessoa, muito trabalhou pela eletrificação da Central do Brasil e pelo estabelecimento de uma grande siderúrgica à margem dessa estrada. Anos mais tarde, a partir das idéias do Barão de Bocaina, foi construída, em Volta Redonda, uma das maiores empresas desse ramo no mundo. Homem visionário e de ação, inúmeros outros assuntos atraíram sua multiforme atividade. O Barão da Bocaina faleceu em São Paulo, aos 82 anos de idade, em 17de outubro de 1932. Deixou um legado de exemplo de homem público e empreendedor que, pelos grandes serviços prestados ao país e pelo espírito progressista, foi proclamado o "Mauá Paulista".

 "Gente da Cidade" - Jornal "O Estafeta"
 Piquete, SP - Setembro de 2006


Casa do Barão de Bocaina, construída em 1911, em São Paulo-SP

 

 

 

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