PIQUETE - CIDADE PAISAGEM
História


Com a construção das vilas operárias pela Fábrica, a partir da década de 30 do século passado, houve
uma radical modificação no traçado urbano de Piquete. A Rua Mestre Targino Cunha, na Vila Duque,
tornou-se o eixo principal do município, ligando a Praça da Bandeira ao Cine Estrela do Norte, Grêmio
General Carneiro e Ginásio Duque de Caxias. Foto publicada no Jornal "O Estafeta".

A Vila Duque de Caxias

Nas últimas décadas, as vilas operárias tornaram-se objeto de estudos em todo o país, pelo interesse expresso por sua preservação, visto seu importante papel no desenvolvimento urbano das cidades. Muitas cidades, dentro de sua política de urbanismo, desenvolveram estudos e planejamentos com objetivo de elaborar uma proposta de recuperação arquitetônica dessas edificações. Buscam preservar e resgatar a identidade dessas vilas. Em Piquete, o cojunto formado pelas Vilas General Carneiro e Duque de Caxias é singular no Vale do Paraíba. A cidade ganhou nova fisionomia a partir dessas construções feitas pela Fábrica de Pólvoras e Explosivos de Piquete. Antes delas, a cidade ressentia-se da falta de moradia para os operários. A escassez e precariedade de residências para essa população - até então produto exclusivo da iniciativa privada, levou a Fábrica, dentro de uma política de apoio aos trabalhadores preconizada por Getúlio Vargas, a criar uma série de serviços organizados. Esses serviços tinham como objetivo dar a esses operários e respectivas famílias tranqüilidade material e social, e, conseqüentemente, assegurar-lhes segurança e conforto. Com a criação da Sessão Comercial, em 1931, a Administração da Fábrica pôde, com os lucros provenientes das suas operações, manter um serviço continuado de construções e assegurar aos seus servidores uma assistência social tida como exemplar no país. Iniciou a construção da Vila General Carneiro, visitada por Getúlio Vargas em julho de 1939, e, a seguir, a vila operária Duque de Caxias. Essa Vila foi construída em terrenos comprados pela Fábrica, de Dona Mariana Relvas. Era uma extensa área de pastagens e brejos, que foi cortada e aterrada por Antônio Pereira. Esse empreiteiro, com uma frota de carroças puxadas por mulas, transportou toneladas de terra preparando o terreno onde se construíram a Vila Duque, o Cine Estrela do Norte, o Grêmio General Carneiro, o Parque Filisbina Rosa e a Escola Industrial Feminina. A vila Duque de Caxias tinha sua entrada delimitada com a Praça da Bandeira por um pórtico. Os primeiros conjuntos de casa já se encontravam construídos em 1940 e serviram para que ali fosse instalado, provisoriamente, o Grupo Escolar de Piquete, enquanto se concluíam as obras do Grupo Escolar Antônio João. Essa vila era formada por casas geminadas, de fachada simples, com portas e janelas voltadas para a rua. Contavam com sala, dois ou três quartos, cozinha e banheiro. Nos fundos, amplo quintal com lavanderia. As ruas eram revestidas com pedras pé-de-moleque e as calçadas, largas e arborizadas, davam-lhes um aspecto harmonioso. A função da Vila Operária era proporcionar o mínimo de bem-estar aos moradores. Vivia-se com dignidade. Dentre as primeiras famílias que ali residiram estão as de Odilon S. Costa, Hermógenes Junqueira, José Ribeiro, Antonio F. Peixoto, Durval Viana, Vitor Conti, Benevenuto Magalhães... Nela, todos se conheciam. Nas noites de verão, enquanto as crianças brincavam, as mulheres colocavam cadeiras diante das casas, conversavam e trocavam receitas. Para os homens, o assunto era o trabalho na Fábrica e o time do coração de todos: o Esporte Clube Estrela. Próximo ao ribeirão havia um campinho onde os meninos jogavam pelada. Nesse local, periodicamente, circos eram armados: o Circo do Carequinha mais de uma vez ali se instalou. Outro que deixou saudades foi o Circo Irmãos Temperani. Com a inauguração do Cine Estrela, em 1944, a Rua Mestre Targino Cunha tornou-se sua principal artéria. Por ela a cidade desfilava. Antigos moradores se recordam de um carnaval no final dos anos 40, quando ali ocorreu uma memorável batalha de confetes e houve encontro de blocos carnavalescos da Vila Militar da Estrela e dos Ex-Alunos que cantavam "Daqui não saio, daqui ninguém me tira. Onde é que eu vou morar...". Recuperar a história das vilas operárias, da qual a Vila Duque de Caxias é um belo exemplo, é preservar um capítulo significativo da história de Piquete.

Jornal "O Estafeta" - maio de 2008


Vila Duque de Caxias. A casa da esquina foi ocupada pelo Prof. Antonio César Dória.
Foto de Lety.


Vila Duque de Caxias, onde se visualiza a casa em que morou o Prof. Leopoldo M. M. Netto.
Foto de Lety.

"Na Vila Duque a cumplicidade de almas e casas dando as mãos. Janelas que espiavam a vida sem espanto. Até as pedras conheciam os passos de cada um..."

Myrthes Mazza Masiero


Vila Duque de Caxias na década de 40. A vila teve início em 1938, em complemento ao programa
de construção de casas para operários, idealizado pelo Cel. Gomes Carneiro, sob a supervisão do Cap. Monte.
Foto do álbum "Coisas Findas" da Fundação Christiano Rosa.

 

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