PIQUETE - CIDADE PAISAGEM
História

 A Fábrica de Pólvoras de Piquete na Revolução de 1932


Soldados Constitucionalistas e moradores de Piquete em frente à antiga Matriz de São Miguel.
Ao centro, o prefeito municipal, Antônio Pelúcio, e o padre Estanislaw Leme. Primeiro da esquerda para a direita José Alves Beraldo.
O Comando Constitucionalista permaneceu em Piquete do dia 10 de julho a 14 de setembro

A participação da Fábrica de Pólvoras de Piquete na Revolução de 1932

No dia 9 de julho de 1932 um movimento revolucionário sem precedentes na história do Brasil fez com que milhares de paulistas pegassem em armas contra o Governo Provisório de Getúlio Vargas, num esforço por restituir o país à ordem constitucional suspensa desde a Revolução de 1930. Houve mobilização de todo o Estado de São Paulo. Enquanto o governo ditatorial organizava a resistência, em São Paulo formavam-se batalhões que seguiram para as frentes de batalha. Durante a Revolução, o Vale do Paraíba, por sua importância estratégica, foi palco de grandes combates. Piquete foi logo ocupado por tropas constitucionalistas devido à sua localização geográfica e à presença da Fábrica de Pólvora sem Fumaça. Desde a eclosão do conflito, pelo ramal férreo chegaram levas de soldados. Muitos voluntários conscritos do Exército e Praças da Força Pública, perfazendo um total de aproximadamente 8 mil homens, inclusive 2 mil que se dirigiram para a Serra. Alguns edifícios da cidade foram requisitados em nome da causa paulista: o Hotel das Palmeiras, o Cine Glória, o Grupo Escolar de Piquete, a Cadeia e algumas residências. A população, assustada com o movimento, refugiou-se em sítios e fazendas. A direção da Fábrica de Pólvoras sem Fumaça, que era exercida pelo Coronel José Pompeu de Albuquerque Cavalcante, bem como sua oficialidade, ficaram numa situação embaraçosa uma vez que foram sitiadas por tropas constitucionalistas. No dia 12 de julho, após se reunirem com o diretor da Fábrica, os oficiais lavraram uma ata na qual deixaram registrado que continuavam solidários com o Governo Federal e que este ato fosse comunicado ao comandante das Forças Revolucionárias, em Lorena, e às autoridades legais, no Rio de Janeiro. No 18 de julho todas as oficinas da Fábrica foram paralisadas, continuando apenas os serviços de conservação e de limpeza. A comunicação entre a Fábrica e o Governo Federal foi interrompida por ordem do comando constitucionalista, isolando ainda mais a oficialidade. Quanto ao operariado, a maioria era constituída por paulistas sensíveis à Revolução, enquanto outros titubeavam em apoiar o movimento por serem funcionários públicos federais. No dia 11 de agosto, para fazer funcionar a Fábrica, apresentou-se ao seu diretor o Tenente Coronel de Artilharia Felisberto Antônio Fernandes Leal exibindo um ofício assinado pelo General Berthold Klinger, Comandante das Forças Constitucionalistas, que o nomeava Diretor da Fábrica e determinava que o Coronel José Pompeu e seus oficiais ficassem presos sob palavra, em suas residências, na Vila da Estrela. No dia seguinte, o Ten.Cel. Fernandes Leal assumiu a direção da Fábrica, e nessa ocasião foi nomeado seu auxiliar o 1° Tenente Bibiano Sérgio Dale Coutinho. Como primeiro ato do novo diretor foram requisitados todos os funcionários, operários e empregados a prestarem seus serviços na Fábrica. No dia 4 de setembro, o Cel. José Pompeu e alguns oficiais foram encaminhados ao comando do 2° RM. Aos poucos, as tropas federais avançavam pelo Vale do Paraíba. A situação do conflito definia-se implacável. A realidade era apenas uma: São Paulo estava só. Desde o início, os constitucionalistas enfrentavam uma crise material. As armas e munições eram insuficientes. Era preciso aumentar o estoque, especialmente de munições, tendo em vista o cerco federal ao Estado. A Fábrica de Piquete era a esperança. Tinha como meta a produção de 20 toneladas de explosivos para armas automáticas, 10 para fuzil, 1,5 para canhão e 4 para morteiros. A Fábrica, porém, só funcionou por pouco mais de três semanas, antes de ser forçosamente abandonada face à pressão das tropas federais. Nesse período trabalhou-se apenas 12 horas por dia, já que havia falta de energia elétrica. Piquete atendeu em menos de 50% ao pedido de pólvora para armas automáticas e produziu 2 toneladas de pólvoras para morteiros. No dia 13 de setembro, o Ten.Cel. Felisberto Antônio Leal e seus oficiais deixaram a direção da Fábrica, entregando-a ao Major Maximiliano F. da Silva. No dia seguinte, com a aproximação das tropas federais, os soldados constitucionalistas deixaram Piquete num comboio que seguiu com grande número de operários e familiares. Após a travessia do comboio com os últimos soldados, a ponte de ferro sobre o Paraíba, em Lorena, foi dinamitada. A Revolução chegava ao fim. No dia 2 de outubro, em Cruzeiro, foi assinado o armistício. Os operários que aderiram ao movimento foram sumariamente demitidos. No dia 22, um pelotão do 19º BC, comandado pelo Ten. Agostinho Bezerra Filho, veio guarnecer a Fábrica, permanecendo até 28 de dezembro. No dia 30 reassumiu suas funções na Fábrica o Coronel José Pompeu Cavalcante. Os operários foram anistiados por Getúlio Vargas, e, aos poucos, a vida foi voltando ao normal.

Jornal "O Estafeta" - Piquete, SP
Julho de 2010

Fundo musical: Hino do Partido Constitucionalista - 1932
Arquivo Geraldo Luiz Leite Mota

Voltar

 

 

 

| Home | Contato | Cantinho Infantil | Cantinho Musical | Imagens da Maux |
l
Recanto da Maux | Desenterrando Versos | História e Genealogia l
l
Um Herói nunca morre l Piquete - Cidade Paisagem l
MAUX HOME PAGE- designed by Maux
2003 Maux Home Page. Todos os direitos reservados. All rights reserved.