PIQUETE - CIDADE PAISAGEM
História

O Santo Cruzeiro

 


Santo Cruzeiro ao amanhecer
Foto de Celeste Aída Rosa

O nosso Santo Cruzeiro

Nas missões católicas do ano de 1900, Piquete recebeu Frei Silvério, barbudo capuchinho da ordem franciscana. No primeiro dia, ele, da porta de nossa velha matriz, namorou o morro em frente para ser a penha de um cruzeiro. Desse namoro aos fatos não levou muito tempo, pois dentro de cinco dias lá estava, ereta, a dominar o pequeno povoado, uma cruz de madeira medindo mais ou menos oito metros de altura. O lenho desse cruzeiro era o de uma caviúna derrubada e lavrado no próprio morro pelo afamado madeireiro José Serrador. No sermão de cerimônia da ereção da cruz, Frei Silvério, parecendo adivinhar o futuro, falou simbolicamente sobre uma serpente que seria criada no município e que viria trucidar muitas vidas inocentes. Falou ainda que a cidade só não seria destruída pela tal serpente porque aquele cruzeiro, erguido em lembrança e honra de Cristo, evitaria tal catástrofe. De fato, três anos após foi iniciada a construção de nossa fábrica de explosivos, que tem cobrado a vida de muitos de nossos irmãos em troca do bastante que tem feito pelo nosso progresso. (Estas informações foram colhidas do Sr. Herculano Gonçalves, em 1974). Em três de maio de 1930, uma comissão composta pelos Srs. Auzelino de Castro, Odilon Soares da Costa, Benedito Pereira, Norival Crispim de Castro e Benedito José de Oliveira, depois de uma campanha popular que congregou toda a cidade, fez inaugurar, lá em cima uma capela de tijolos, medindo 4x6 metros, em terreno doado pela senhora Mariana Domiciana Relvas, cuja escritura de doação é datada de 2 de maio daquele ano e arquivada na Cúria Diocesana de Lorena. O nosso Museu Municipal possui uma fotocópia de tal escritura. No final da década de 40 o nosso vigário, Padre Juca, tendo em vista os abusos cometidos por pessoas mal educadas, viu-se obrigado a mandar demolir a dita Capela. Em 1958 uma outra comissão, encabeçada pelo Sr. Joaquim Augusto, em virtude do mau estado do cruzeiro de madeira, fez construir o atual cruzeiro de cimento, cujo projeto e cálculo da ferragem foram feitos pelo autor destas linhas. Foi uma luta a sua ereção, chegando mesmo ao ponto de uma pessoa de destaque na cidade ter dito, ao ver a cruz ainda na forma, no chão: Fizeram um belo cruzeiro, mas não vão conseguir erguê-lo...


 Morro do Cruzeiro
Foto de Lety

De fato, para consegui-lo foi preciso solicitar da F.P.V. o favor de mandar a turma especializada da SEP, dirigida pelo Sr. Antônio Francisco Peixoto. Cogitou-se construir no trajeto do Santo Cruzeiro as 14 estações da Via Sacra. O mesmo Sr. Joaquim Augusto, que encabeçou a idéia, pediu a um desenhista para estudar um tipo de estação que não ficasse muito dispendiosa. Esse projeto foi aprovado pelo Vigário e várias famílias fariam a doação das estações. Nada, porém, aconteceu. 

Carlos Vieira Soares
"Rememorando..."


O "Santo Cruzeiro" de Piquete
Foto de Luciana Multini

O Santo Cruzeiro

A Paróquia de Piquete somente veio a ter vigário efetivo e residente em 1934. Antes dessa data, os fiéis eram assistidos, periodicamente, por sacerdotes de paróquias vizinhas (Lorena e Embaú). Por isso, a fim de manter viva a fé católica do povo, o Bispo de Taubaté providenciava, de tempos em tempos, a vinda das Santas Missões que aqui permaneciam alguns dias. Numa dessas missões, no início do século, um dos frades pregadores teve a feliz idéia de plantar a Cruz de Cristo no alto do morro fronteiro à velha matriz. Da idéia à ação, foi coisa de poucos dias. Era o primeiro Santo Cruzeiro, de madeira, erguido bem no alto da colina, abençoando a nossa população, com o símbolo de Cristo. Alguns anos mais tarde, uma comissão de piquetenses construiu e inaugurou uma pequena capela, junto ao cruzeiro, afim de abrigar as pessoas piedosas que lá compareciam para cumprir promessas e rezar. Infelizmente, a capela teve de ser demolida, devido ao abuso de pessoas desclassificadas que passaram a usá-la para fins inconfessáveis. Sujeita às intempéries e passados quase cinqüenta anos, a velha cruz, já carunchada e com os braços despencando, não mais oferecia segurança e nem despertava a necessária piedade às pessoas que a visitavam. Daí a constituição de uma comissão, agora com a difícil e dispendiosa obrigação de substituir a cruz de madeira por outra de concreto, com iluminação elétrica não apenas no cruzeiro, mas em todo o trajeto a partir dos pés do morro. Listas foram organizadas para angariar numerário e assim custear a obra. Num desses pedidos de donativos, aconteceu um fato que pode parecer piada. O presidente da comissão, com a sua lista em punho, num sábado, entrou em um armazém repleto de fregueses e também de fornecedores que traziam seus produtos da zona rural. Anunciado o motivo do pedido, todos foram dando a sua contribuição: um, dois, cinco, dez cruzeiros, etc. Um dos fornecedores presentes, com uma "bolada" de cédulas que havia recebido do dono do armazém, disse ao portador da lista: "Donativo para o Santo Cruzeiro? Conte comigo, pois eu sou devoto da Santa Cruz". Depois, enfiando os dedos no bolsinho da calça (onde antigamente se guardava o porta-níqueis), retirou uma moeda de cinqüenta centavos, dizendo: "Eis a minha contribuição para o Santo Cruzeiro". "E esse era devoto da Santa Cruz", comentava posteriormente o presidente da comissão. Mas os verdadeiros devotos foram generosos. Em pouco tempo, o cruzeiro, devidamente equipado com a instalação elétrica, foi erguido, aliás com alguma dificuldade, devido ao seu grande peso. E hoje, transcorridos mais de quarenta anos, o Santo Cruzeiro iluminado continua ereto e firme no alto da colina, como um marco de fé a atestar o grau de espiritualidade do povo piquetense, sendo muito visitado pelos fiéis, sobretudo na Semana Santa.

João Vieira Soares
"Minha Terra... Minha Gente... Minha Vida..."

Leia mais sobre o Santo Cruzeiro:
http://www.mauxhomepage.net/piquete/turismo/cruzeiro.htm

 

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