PIQUETE - CIDADE PAISAGEM
História

Ritmos Plazza



Ritmos Plazza” - Da esquerda para a direita: Almiro (bateria e voz), Zé Inácio (guitarra), Pingo (percussão),
Fio (maracá e agogô), Zé Rosalvo (marimba), Michelin (bongô e pandeiro), Didi (acordeon) e Quebra-Faca (sax).

Ritmos Plazza

Os anos 60 ficaram marcados como um dos momentos mais efervescentes da vida nacional. Movimentos como a Bossa Nova e o Cinema Novo revigoraram o ambiente cultural brasileiro. A explosão dos costumes concorreu para mudanças no comportamento dos jovens. No vestuário, as saias ficaram mais curtas, os maiôs foram substituídos pelos biquínis. Nas cabeças, o uso do topete com muita brilhantina, nos homens; e os cabelos armados com laquê, nas mulheres, além de óculos escuros como acessório. Aboliu-se o uso do suspensório, dos ternos e chapéus. Apareceram as chamadas calças rancheiras ou far-west. Os jovens tinham como ídolos Ray Charles, Miltinho, Santana, Ray Coniff e se reuniam nas tardes de sábado ou domingo nas casas de um ou de outro, para ouvir, numa vitrola, lançamentos musicais, grandes orquestras e sonhar com os bailes da vida. Por essa época, os bailes eram acontecimentos importantes na vida das pessoas. Como não havia TV, a juventude se preparava com esmero para eles, pois era oportunidade para paquerar e iniciar namoro. Em Piquete, o que não faltava era local para dançar: havia os salões do Elefante Branco e do Grêmio General Carneiro, na Praça Duque de Caxias, e os dos Ex-Alunos e do Comercial, na Praça da Bandeira. E foi para abrilhantar esses bailes que, no início de 1963, um grupo de músicos reunidos no “Bar do Sérgio”, na esquina da Coronel Pederneiras com a Travessa Padre Juca, resolveu se unir formando um conjunto musical. Dele faziam parte Almiro, Zé Inácio, Fio, Michelim, Didi Azevedo e Nelson Quebra-Faca. Batizaram-no “Ritmos Plazza”. Entusiasmados, passaram a ensaiar nos fundos da Alfaiataria Modelo, na Praça da Bandeira, propriedade de Zequinha Alfaiate (José de Souza Viana). Somou-se a eles Zé Rosalvo, que tocava piano, e mais tarde passou a tocar marimba, que, por motivos óbvios, era mais fácil de se transportar. Após meses de ensaio, afinados e prontos para o julgamento público, foram contratados para abrilhantar um Desfile de Penteados, seguido de baile promovido pela Escola Normal Duque de Caxias. Esse evento que marcou o nascimento do Ritmos Plazza, ocorreu na noite de 10 de agosto de 1963. Os músicos foram impecavelmente vestidos pelo Zequinha Alfaiate. Às 22 horas teve início o show com a apresentação do conjunto à sociedade piquetense por Yeyé Masiero. O salão do Elefante Branco estava lotado. O ritmo alegre e moderno agradou de imediato. Os jovens dançaram a noite inteira e, no dia seguinte, o assunto da cidade era o Ritmos Plazza. O baile da Escola Normal superou as expectativas e o novo conjunto passou a ser disputado pelo Grêmio General Carneiro e pelo Comercial para animar-lhes os eventos. O sucesso extrapolou as fronteiras do município e ganhou a região. Passaram a tocar por todo o Vale do Paraíba, Sul de Minas e Rio de Janeiro. Novos instrumentos foram comprados e novos músicos como Dito Bom Cabelo e José Vicente, bem como as crooner Beia, Nilza e Dircéia e enriqueceram o conjunto, que ficava cada vez melhor. Uma amostra desse sucesso aconteceu num réveillon no sofisticado Clube Recreativo Pouso Alegrense, em Pouso Alegre-MG. O diretor do clube avisou ao grupo que era costume do público local, muito exigente, mandar parar a música e substituí-la por “Long-Plays” se o conjunto não agradasse. Logo após as primeiras músicas foram ovacionados por mais de 3 mil pessoas. No outro dia, o prefeito da cidade contratou-os para tocar em um evento municipal naquela mesma noite. Nos anos 60, o Ritmos Plazza era considerado o melhor conjunto da região. Reconhecido por suas qualidades artísticas, o sucesso era crescente. Porém, no auge desse sucesso, em 1968, o Ritmos Plazza encerrou sua carreira. A maioria de seus componentes eram funcionários da FPV. E ficava difícil trabalhar na segunda e terça-feiras por terem que viajar para lugares cada vez mais distantes, para tocar nos finais de semana. Com o fim do Ritmos Plazza, um novo grupo de jovens passou a se reunir e surgiu “Os Aventureiros”, que, mais tarde, se transformaria no Apollo 2001.

Artigo publicado no Jornal "O Estafeta" 
Janeiro de 2010 - Piquete, SP

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