PIQUETE - CIDADE PAISAGEM
SUA GENTE

José de Souza Leite


Professor José de Souza Leite e seu neto Thiago

O professor José Leite encantava a todos nós com sua facilidade de expressão, suas histórias, sua forma diferente de tratar os jovens. Lembro-me que em suas aulas de Geografia, usava os consagrados livros de Aroldo de Azevedo. No entanto, o mestre fugia do texto, dando asas a sua imaginação e estimulando a nossa. Certa feita, ele nos disse que não precisávamos decorar o que o autor escrevia, mas sim desenvolver nas dissertações solicitadas o que havíamos entendido sobre o que ele explanara em suas aulas. Segui à risca o conselho do mestre. Prestei muita atenção em suas aulas - o que não era difícil, por sua verve brilhante. Estudei para a prova apenas o essencial. Na dissertação solicitada descrevi o tema da forma como ele orientara, expondo o que apreendera de seus ensinamentos. Isso me valeu uma nota plena e o professor José Leite tornou-se o meu ídolo.

No início da década de 60, a música jovem brasileira era rica de canções americanas com letras traduzidas para o português. Quase não havia compositores jovens e os cantores da época como Cely e Tony Campelo, Carlos Gonzaga e outros, gravavam essas canções geralmente com versão de Fred Jorge. Com essa liberdade nas traduções (muitas vezes a mesma canção era gravada com letras diversas), a nossa criatividade nos mostrou que poderíamos também compor versos para as canções de sucesso. Então, surgiu no Ginásio da FPV, baseada na canção Bat Masterson gravada por Carlos Gonzaga, uma paródia muito divulgada entre os alunos, referindo-se ao nosso professor José Leite. Recebi a letra dessa canção numa manhã muito fria, antes de um desfile de Sete de Setembro, em uma folha de papel, que infelizmente não conservei. A memória me falha, impedindo-me lembrá-la toda. Dos versos que me recordo, destaca-se o registro de características marcantes do nosso mestre, como o relato de suas viagens e a organização de excursões diversas conosco.


Professor José Leite acompanhando seus alunos do Ginásio da FPV, em excursão ao Pico do Itatiaia.

Dessa brincadeira restou-me uma bela recordação. Não consigo escutar essa canção sem me lembrar do querido professor. Diziam os versos:

"No velho ginásio lecionou,
geografia a ensinar.
Seu nome logo se espalhou:
seu Zé Leitão, seu Zé Leitão.

Em todas as aulas contava
muitas viagens e excursões
Em todas as aulas falava (...)
Seu Zé Leitão, seu Zé Leitão.

Obs. Se alguém se lembrar dos versos completos, agradeceria a colaboração.

Professor José Leite assinava seus escritos e caricaturas como J. Milk, mostrando mais uma vez o seu humor e alegria. Encontrei num caderno de recordações de minha mãe, sua colega de Escola Normal, uma dessas caricaturas e não poderia deixar de aqui reproduzir essa página.

Mas de onde veio e o que fez de sua vida esse mestre querido? A curiosidade e saudade de todos nós me fez procurar informações sobre sua vida. Há muito tempo eu buscava dados sobre esse professor tão presente em nossas lembranças. Desejava homenageá-lo e através de Luiz Carlos Oliveira, o Ticassê, consegui o endereço eletrônico de seu filho caçula Marquinhos, que prontamente me atendeu. Não poderia faltar esse nosso mestre numa seção destinada às pessoas que colaboraram na formação de toda uma geração.

Nascido em 22/04/1920, na cidade de Itajubá, MG, José de Souza Leite teve como pais Amélia de Souza Leite e Sebastião Leite. Casou-se com Therezinha Batista da Luz Leite com quem constituiu uma bela família. São seus filhos: Antonio Carlos, Paulo José, Luiz Fernando, Lúcia Maria e Marco Antonio, que lhe deram oito netos: Marcelo, Valéria, Paulo Rogério, Rodrigo, Daniel, Vanessa, Lucas e Thiago e dois bisnetos: Bruno e Helena. Complementam o seu clã o genro Domingos e as noras: Kate, Marly, Vera e Maria Emilia.


Da esquerda para a direita sentados: Luiz Fernando, Antonio Carlos, Maria Lúcia e dona Therezinha. Agachado, o filho caçula Marco Antonio.

Entristece-nos lembrar que falta entre nós o sorriso descontraído de Paulo José, falecido tão jovem. Companheiro amigo de nossa adolescência, Paulo José nos deixou muito cedo: o primeiro de nossa geração a partir. No entanto, ele gerou dois filhos: Valéria e Rogério que são os pais dos dois bisnetinhos de nosso querido mestre.


Paulo José, em 1963, quando de sua formatura, na 4ª série do Ginásio da FPV

Atualmente aposentado, o professor José Leite pertenceu ao quadro de professores da Secretaria de Educação do Estado e do Ministério do Exército. Formou-se professor pela Escola Normal "Duque de Caxias", em Piquete, no ano de 1955, pertencendo a uma geração de grandes mestres que cuidaram por décadas da formação intelectual de nossos jovens, como Benedito de Paula, Silvio Vilela, Paulo Nader, Mariinha Mota, Myrthes Mazza, Dulce Damico, João Vieira Soares e outros. Na comemoração do 30º aniversário de sua formatura, o professor João Vieira Soares rascunhou uns versos sobre seus colegas de turma. Referindo-se ao nosso homenageado, registra sua alegria e suas famosas histórias, relembrando:

"(...) Zé Leite e seu repertório
sobre o Seabra - seu primo. (...)

Obs. Veja o poema todo no endereço: http://www.mauxhomepage.net/piquete/historia/historia23b.htm


Normalistas de 1955

José de Souza Leite completou sua qualificação profissional na Faculdade Salesiana de Lorena, graduando-se em Ciências, Geografia e História. Concluiu com inquestionável aproveitamento, vários cursos de especialização como Aperfeiçoamento de Professores pela Secretaria de Educação do São Paulo, Aperfeiçoamento de Chefes pela Prefeitura de São José dos Campos, Horticultor Técnico pela Escola de Horticultura de Itajubá, MG. Como professor atuou em diversos municípios e escolas. Em Piquete, além de professor de Geografia de toda uma geração no Ginásio da Fábrica Presidente Vargas, ministrou curso nessa Fábrica e dirigiu a Escola Agrícola General Osório, a ela pertencente. Em Lorena, SP lecionou na Escola Normal Patrocínio São José e no Curso Delta; em Cunha, SP, na Escola Estadual B. Casemiro; em Guaratinguetá, SP na Escola Estadual Conselheiro Rodrigues Alves; em campos do Jordão na Escola de 1º e 2º grau Senne; em São José dos Campos, SP na Escola Estadual Mauricio Cury. Em Pindamonhangaba atuou no antigo Instituto de Educação João Gomes de Araújo (atual escola Técnica), na Escola Estadual Professor Mário Bulcão Giudice e na Escola Estadual João Pedro Cardoso, onde também foi assistente de direção. Lecionou também na Escola Estadual João Martins de Almeida, no Externato São José e na Villares, para alunos operários daquela indústria. O querido professor José Leite, como professor, foi ainda o idealizador de técnica relacionada com a Dinâmica de Grupo Escolar, aplicando tal iniciativa sob a forma de "Júri Simulado". Essas suas atividades estão comprovadas de forma oficial, devidamente registradas na Secretaria de Educação de São Paulo. Além de professor, José de Souza Leite foi jornalista reconhecido. Atuou em Piquete como articulista e diretor do jornal "O Labor", publicado pela Fábrica Presidente Vargas. Com o pseudônimo J. Milk colaborou ainda com os jornais "O Regente" e "A Cidade", em Piquete, publicando inclusive algumas caricaturas de sua autoria. Em Itajubá colaborou com o informativo "Sul de Minas" e em Pindamonhangaba escreveu para o extinto "Sete Dias" e para o jornal "Tribuna do Norte", com a coluna "Geografando", abordando importantes temas relacionados à geociência. Radicado em Pindamonhangaba desde 1967, integrou a equipe de duas gestões municipais. Na administração do prefeito Dr. Caio Gomes Figueiredo (1969/1972) foi Secretário do Conselho Municipal de Turismo, permanecendo no cargo na administração seguinte do prefeito João Bosco Nogueira. Na década de 90 recebeu da Câmara Municipal o título de Cidadão Pindamonhangabense. Ingressou na Academia de Letras de Pindamonhangaba em 29 de fevereiro de 2008, ocupando a cadeira nº 35, cujo patrono é o Dr. Ângelo Paz da Silva. Atuante nos movimentos filantrópicos, o nosso querido professor presidiu o Conselho Particular Vicentino e o Lar de Velhos São Vicente de Paulo, em Pindamonhangaba, onde ainda compõe a Conferência Vicentina.


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