LITERATURA DE CORDEL



HISTÓRIA DA CIDADE DE SÃO PAULO
449 ANOS
Cesar Obeid

Olha gente eu vou contar
De uma forma bem bacana
Vou rimar cada palavra
Como quem brinca gincana
Pra mostrar como nasceu
Nossa terra paulistana.

E São Paulo veio assim
De uma forma planejada:
- Vamos lá nessa cidade
Ensinar bíblia sagrada
Era um padre Jesuíta
Que falava essa jornada.

Padre Manuel da Nóbrega
Quis sair do litoral
Já estava em São Vicente
Mas queria um outro local
Subiu a serra do mar
Foi pertinho à capital.

Também vieram co's padres
Os índios Tibiriçá
Também índios Caiubí
Aportaram bem por cá
E na Vila Santo André
E gostaram bem de lá.

E saíram procurando
Um lugar adequado:
- Esse aqui tem clima bom
Por Deus é abençoado!
No vale Piratininga
O colégio foi fundado.

1554
Vinte e cinco de janeiro
Celebrou-se então a missa
Bem solene o tempo inteiro
Já são quase cinco séculos
De São Paulo brasileiro.

E no topo da colina
Ele então foi construído
Era fácil defender-se
De um índio atrevido
Desse jeito o povo estava
Bem seguro e protegido.

A missão Jesuítica era
Sempre de catequizar
Os padres lá juntaram
Todos índios sem parar
E as famílias portuguesas
Pro trabalho começar.

Vão surgindo as fazendas
Espalhadas pela pista
No fim do século XVIII
Toda terra é uma conquista
Logo estamos a caminho
Lá do litoral santista.

Muito milho e mandioca
Que naquela terra tinha
A oliveira e o trigo
Lá também tinha a vinha
Muitas frutas e farturas
Daquela terra adivinha.

Mas não posso esquecer
De falar daquela área
Além de todas as frutas
Também tinha pecuária
Que não sendo importante
A chamavam secundária.

Só no século XVIII
Tivemos expedições
As chamadas de Bandeiras
Que queriam multidões
Para escravizar os índios
Trabalhando pros patrões.

Essas bandeiras queriam
O que era importante
O que dá muito poder
Toda hora e todo instante
Aqui falo pra vocês
Muito ouro e diamante.

E foi tudo espontâneo
Naturalmente criou
Grande centro onde diziam:
- Esse aqui negociou!
Em um centro de comércio
A vila "se transformou".

Se ouro foi pra Europa
Os índios diminuíram
No fim do seculo XVIII
Nossas vilas bem ruíram
E São Paulo estava pobre
Pois os ricos desistiram.

Se São Paulo então ficou
Com bastante agonia
Mas a terra abençoada
Deus não falha um só dia
Pois passado alguns anos
Nossa vila ressurgia.

O interior paulista
Tem a terra muito viva
Começou a plantação
Nessa terra produtiva
Que deixou a capital
Muito forte e bem ativa.

Muitas pistas, muitas pontes
Nessa terra paulistana
Muito milho e mandioca
Produção que lá emana
Mas o que domina mesmo
É a cultura da cana.

Quem produz bastante cana
Tem que ter bom desempenho
Tem que ser um homem forte
Comprovando seu empenho
Esse fazendeiro é
O grande senhor do engenho.

A cultura dessa cana
Muito farta, bem legal
Fez com que os fazendeiros
Procurassem outro local
Saíram do interior
Pra morar na capital.

Então nossa capital
Vai ficando recheada
Com os ricos fazendeiros
E a alma endinheirada
Sempre sempre vai crescendo
Nossa terra abençoada.

Chegam muitos diplomatas
São pessoas importantes
Chegam sábios e filósofos
Com saberes tão gigantes
Estrangeiros, artesãos
E também comerciantes.

Ano de mil e oitocentos
Vinte e oito dito e feito
Surge uma construção
Que impõe muito respeito
Eu falo da especial
Academia de direito.

O mundo está aqui
Tem teatro e livraria
Tem jornais e bons cafés
Tem bailes à fantasia
Tem cultura e muita arte
Também tinha poesia.

E naquele bom passado
A mulher era omissa
Pouco saía de casa
Parecendo uma injustiça
Pois pra ver alguma moça
Tinha que ir para a missa.

Surge a iluminação
Pras ruas abandonadas
Iluminação a gás
Alguns deram umas risadas
Como num gesto de mágica
Ruas são iluminadas.

Já no século XIX
Na cidade São José
No vale do Paraíba
Onde o povo mostra fé
Está grande a cultura
Produtiva do café.

O café traz as riquezas
Traz dinheiro e muitos brilhos
Surgem então novas estradas
Também surgem novos trilhos
E São Paulo 'tá crescendo
Muito e sem empecilhos.

E os ricos fazendeiros
Vêm morar na capital
Para cuidar dos negócios
Campos Elíseos, o local
Foi então que surge o bonde
Com tração só animal.

Pois assim que aconteceu
Bem aqui nesses terreiros
Os burrinhos que levavam
Os ricaços fazendeiros
Trabalhavam bem felizes
Carregando aventureiros.

Mas o tempo foi passando
E os anos consumidos
Todos gostavam dos burros
E os chamavam "queridos"
Quando chega o século vinte
São jogados e esquecidos.

Pois agora o que manda
É a elétrica tração
Ninguém quer mais esses burros
Pra "puxar" qualquer vagão
O burrinho aposentou-se
É o progresso da nação.

Substituíram tudo
Minha gente, foi um rolo
A velha casa de taipa
Caiu e sobe o tijolo
Das casas abandonadas
Só lhes resta o consolo.

E São Paulo foi crescendo
Toda noite todo dia
Um povo que só trabalha
Seu José, dona Maria
A situação "tá" dura
Mas não falta alegria.

Muitas raças já vieram
Do norte ao sul do país
Pernambuco, Paraíba
Uma gente de raiz
Tem também gente do sul
Vem pra cá pra ser feliz.

Tem mineiro e baiano
Tem quem veio de Natal
Tem quem é do interior
Tem quem é do litoral
Todos foram e são bem vindos
Nesta linda capital.

E São Paulo recebeu
Imigrantes portugueses
Com os braços bem abertos
Recebeu os japoneses
E os sírios, coreanos
E também os libaneses.

E São Paulo até hoje
Nunca pára de crescer
É cidade gigantesca
Produtiva pra valer
Nesta terra de concreto
Tudo pode acontecer.

Aqui temos miseráveis
Aqui falta até comida
Aqui temos mil ladrões
Temos gente esquecida
A cidade tão gigante
Que parece estar perdida.

Mas eu não perco minha fé
Sei que tudo vai mudar
Sei que o pobre vai comer
A miséria acabar
E é isso que me ajuda
Todo dia caminhar.

Sei que aqui falta comida
Para a boca da criança
Sei que aqui falta emprego
E a sujeira só avança
Sei que falta muitas coisas
Só não falta a esperança.

De um povo que trabalha
Com suor bom do seu rosto
Seja o dia ou seja a noite
Todo povo está disposto
Seja o rico ou seja pobre
São Paulo só nos dá gosto.

É cidade dos artistas
É cidade da cultura
É cidade do cinema
É cidade da bravura
É cidade onde o poeta
Constrói sua literatura.

Cidade dos nordestinos
Que saíram do sertão
Cidade onde o imigrante
Entregou seu coração
Onde cruza a Ipiranga
Com a bela São João.

É cidade do Bixiga
É cidade Bela vista
É cidade poluída
Que machuca minha vista
Mas eu curo bem na hora
Que eu vou para a Paulista.

É cidade são Matheus
É cidade Itaquera
Cidade praça da Sé
Onde o povo se aglomera
É cidade onde o real
Se transforma em quimera.

Olha gente eu falaria
Até o findar do ano
Sobre essa linda cidade
E eu não faria engano
Que falei emocionado
Porque sou um paulistano.

A vocês que vivem aqui
Essa simples poesia
São estrofes de cordel
Que eu fiz com alegria
Mas agora eu vou embora
Adeus, até outro dia.

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