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YOLANDA GADELHA THEÓPHILO |
"Levaram as pálpebras dos antigos sonhos,
deixaram somente a
memória e as lágrimas de agora."
Cecília
Meireles

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O casal Yolanda e Tácito
em 19/08/2009, na comemoração de seu 70º aniversário de casamento
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Saudações das bodas de setenta anos Dizem que os aniversários são prestações que pagamos pela
vida. Na data de hoje, Yolanda e Tácito nos presenteiam com o exemplo de
uma extraordinária união de setenta anos, rara concretização de um ideal
sempre sonhado pelos homens: uma longa existência, harmoniosamente
pontilhada de amor e realizações. A poesia destacou alguns eternos símbolos para ressaltar a relevância dessa data enriquecida por tantos anos felizes. Para uns, a comemoração seria denominada Bodas de Carvalho; para outros, Bodas de Vinho; ambos os símbolos se prestam a apuradas analogias. O carvalho, árvore venerada de todos os tempos, representa a longevidade, a sabedoria e a força. Sua sombra protetora servia de templo sacerdotal para os antigos druidas e sua altura descomunal simbolizava a riqueza espiritual, os valores materiais e morais do homem. O vinho, sangue da videira, foi associado pela simbologia ao amor, à alegria, ao conhecimento e à imortalidade. A alma experimenta em sua companhia, o milagre da vida: a transformação do que é terrestre em espírito livre de todos os laços. O sensato Omar Khayyam aconselhava não abandonar nunca o mágico que essa bebida tem. Ela alça o espírito através da palavra e em seu afã de livrar-se das amarras do mundo, vive o sonho de transcender o tempo. Tácito assemelha-se ao frondoso carvalho aprumado em terreno firme e fecundo. Com disciplina e pragmatismo realista superou os embates da vida. Vestindo por amor e ideal a farda militar, galgou alturas significativas no cenário nacional. Yolanda, a moça do sorriso bonito, apoiada em seu inquebrantável esposo, tal como o vinho, permitiu ao seu espírito beber da fonte de encantamento da vida, para cunhar pérolas literárias. Queridos tios
Yolanda e Tácito, a esses eternos símbolos eu juntaria o nosso regozijo,
meu e destes seus selecionados amigos, participantes desses festejos.
Assim como o carvalho e o vinho, os amigos são mais preciosos à medida que
vão se tornando mais duradouros. Na vida existe um instante de ver, um
tempo de compreender e de construir e, por fim, um momento de viver o
significado pleno da existência. E esta plenitude que vocês agora
alcançaram, conseqüência do contentamento de uma trajetória longa e
cultivada com zelo e amor, acompanha-se de valores sagrados. Nada há a
dizer com palavras sobre o que o tempo já demonstrou com tanto vigor. O
silêncio torna-se virtuoso diante da evidência dos fatos. Uma vida
perfeita se faz para quem mais vive na grandeza dos momentos serenos,
livres das aflições incertas de um tempo vindouro. Diante de nós, prezados amigos, está um casal no qual se consolidaram os mais essenciais valores para a felicidade humana. Sentimentos de bondade, probidade e ética, sempre presentes em seus percursos triunfantes. Parafraseando o inspirado Fernando Pessoa, podemos dizer de Yolanda e Tácito, porque eles são do tamanho do que vejo - e o que vejo são sonhos realizados. Nada mais real o que eu vejo, meus queridos tios: vocês são sonhos realizados; modelos a serem admirados e seguidos! Vanius Meton
Gadelha Vieira |
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Texto de
Apresentação do último livro de Yolanda Gadelha Theóphilo Caros familiares e amigos Qualquer pessoa
ligada às artes e em especial à literatura consideraria uma grande honra
apresentar um livro de escritora tão consagrada como Yolanda Gadelha
Theóphilo. Destaca-se mais a importância do fato por tratar-se de um
lançamento no aniversário de 92 anos da autora. Poucas personalidades no
mundo das letras atingiram produtivas essa idade provecta. Yolanda Gadelha
Theóphilo com brilho e lucidez, mais uma vez nos brinda com os respingos
da sua inteligência privilegiada. Sobrevivente de uma grave cirurgia
cardíaca, agravada pelos problemas próprios da longevidade, resistindo a
uma aparente fragilidade e fortalecida pela sua não conformação com a
mediocridade cotidiana, dona Yolanda retornou a sua máquina de escrever
para nos contar uma bela história. Sempre afirmou que esse livro seria seu
maior presente para o marido, daí ter escolhido a data de seu próprio
aniversário, para homenageá-lo. Entendemos essa escolha, pois como ela
mesma colocou em versos: Lançou seus
romances e um encantador livro de poemas. Laureada escritora, destacada
por críticos literários de renome, manteve sempre sua simplicidade e
ternura. Remontando ao início da década de 70, recordamo-nos de seu pai Meton de Alencar Gadelha. Certa manhã, indo visitá-lo, nós o encontramos sentado frente ao retrato de sua esposa Guiomar, que não tivemos o prazer de conhecer. Contou-nos sobre sua beleza, seu charme, sua elegância. “Ela sabia entrar e sair de um baile...”, afirmou ele, acrescentando a seguir: “Você conhece a Yolanda. Veja o seu momento de maior pompa e multiplique por dez. Essa era a Marzinha. E Yolanda é a filha que mais a ela se assemelha”. Junto à saudade da companheira desaparecida percebemos, nitidamente, em Meton Gadelha, o orgulho e a vaidade de sua filha mais velha. Ainda na década
de 70, um casal de acadêmicos de medicina, em início de namoro, numa
madrugada fria de plantão no Hospital Getúlio Vargas, no Rio de Janeiro,
conversava. Ele disse: “Tenho uma tia escritora, Yolanda, casada com um
militar, Tácito Theóphilo. Um casal muito unido, feliz; de família
tradicional os dois, elegantes, distintos, um casal como todos deviam ser,
o exemplo de uma união perfeita”. Seu amor
inconteste encanta a todos que os conhecem. Descrevê-los seria uma tarefa
inatingível para um cidadão comum. Em nossas incursões pelo mundo da
poesia, encontramos um poema de Castro Alves, denominado “As Duas Flores”.
Para nós, Yolanda e Tácito representam a personificação desses versos e
com eles sempre desejamos homenageá-los. O momento é oportuno. Tornamos
então nossas, as palavras do vate baiano: Maria
Auxiliadora Mota Gadelha Vieira |

Apresento a vocês alguns poemas de Yolanda Gadelha Theóphilo.
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Porque te Amei Porque te
amei, Tuas
vitórias foram as minhas recompensas; Só não fiz
das tuas lágrimas |
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Asas Deus me
deu duas asas para voar. |
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Eu Choro Eu
choro Eu
choro Eu
choro |
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Eu não
Queria Ah! meus
sapatos usados! Mas da
terra vim Uma rosa
pousada Irei, |
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A Chuva Cai |
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Vestido de
Noiva |
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Anseios e
Indagações |
"Deixo-te a minha saudade, a melhor parte
de mim."
Cecília Meireles
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Yolanda Gadelha Theóphilo nasceu em Fortaleza-CE, em
31 de março de 1919, filha de Meton de Alencar Gadelha e de Maria Guiomar
Tavares Borges Gadelha, descendendo de ramos ilustres. Yolanda fez os primeiros estudos em Fortaleza com a professora e escritora Margarida Sabóia de Carvalho. Os estudos secundários aconteceram no Rio de Janeiro, no Colégio "Sacré Coeur de Jésus", na Tijuca, onde diplomou-se em 12 de dezembro de 1936. Esse colégio equiparava-se ao Liceu da França e era dirigido por religiosas francesas. Em 1939, contraiu matrimônio com o então Tenente do Exército Tácito Theóphilo, tendo oportunidade de residir em diversos estados da Federação, absorvendo diversas culturas e costumes. Morou por dois anos nos EE.UU., onde graduou-se como "Gray Lady" (assistente social hospitalar) pela The American National Red Cross. Fundadora da Casa do Candango, em Brasília (1960), exerceu o cargo de Primeira Secretária, alicerçando os fundamentos da novel instituição - hoje de renome internacional. Dada a leitura desde a meninice, com o passar dos anos mais se aprofundou no conhecimento dos grandes escritores nacionais e estrangeiros. Iniciou-se, ainda jovem, como escritora, muito embora só em 1963 tenha editado o seu primeiro livro - "Eu e o Tio Sam" - trazendo a público suas experiências nos EE.UU. Em fevereiro de 1966, incentivada pela escritora cearense Alba Frota, concorreu com o romance "Longa Tarde sem Manhã" ao Prêmio Moinho Fortaleza, instituído pela Academia Cearense de Letras. Obteve a láurea máxima em abril do mesmo ano, sendo seu livro publicado, a seguir, pela Editora "O Cruzeiro", do Rio de Janeiro. Seguiu sua trajetória brilhante, brindando a literatura brasileira com novas pérolas como: "As Acácias estão florindo" em 1977 (relançado com alterações em março de 2008), "Instante dentro do Tempo", "Maré Alta", "Os Náufragos", "À Sombra das Distâncias", "Sargaços", "Tempo de Mar", "Vidas de Minha Vida", "Para não esquecer" (com lançamento em 2011, no dia de seu aniversário de 92 anos). Fugindo de sua linha de produção literária, em 1989 publicara "Momentos de Vida e Emoção" com poemas e crônicas rabiscados ao longo de sua vida e nunca divulgados antes: "Achei que era hora de esvaziar as gavetas, rasgar papéis, aliviar a bagagem que a gente vai deixando para trás", esclareceu a autora. Suas obras receberam honrosas apreciações de escritores e críticos prestigiados. Um dos elogios que mais a emocionava veio de Josué Montello: "Faça de contas que me levantei para lhe bater palmas, ao fim da leitura de À Sombra das Distâncias." Também teve destaque em algumas enciclopédias literárias como "Dicionário de Mulheres" de Hilda Agnes Hübner Flores e "Dicionário Crítico de Escritoras Brasileiras" de Nelly Novaes Coelho. Sobre seu talento e inspiração ela citou um dia: "Não
sei dizer de onde vem a inspiração. É algo muito profundo, da
sensibilidade que leva o escritor a perceber os meandros da vida
despercebidos pelas pessoas comuns." Yolanda
Gadelha Theóphilo partiu legando-nos a saudade...
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Casamento
de Sérgio Gadelha Pinheiro
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Tia Yolanda Em sua
vida longa e criadora Irmã dedicada e muito presente |
Veja: Tácito Theóphilo Gaspar de Oliveira
http://www.mauxhomepage.net/geraldomota/homenagens20.htm
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