PIQUETE - CIDADE PAISAGEM
História

Há 50 anos atrás, Iaiá Boneca


Elenco da peça Iaiá Boneca: da esquerda para a direita em cima - Damas, Lessa, Myrthes, Dinah, Cesar;
em baixo - Wilson, Osvaldo, Nino, June, Reginato e Sueli.
Imagem escaneada do Jornal "O Estafeta"

Artistas Reunidos do Teatro Experimental
A.R.T.E.

Iaiá Boneca

-"Do que sabemos, há muita coisa a dizer, além desse rápido apanhado.

A magnífica peça "Iaiá Boneca" foi por duas vezes levada ao público de Piquete, em brilhante encenação pelos Artistas Reunidos do Teatro Experimental (ARTE), sob a direção artística de Nelly Quadrado e produção geral do Major Alberto Lessa Bastos. A obra de Fornari, apresentada em quatro aos e cinco quadros, contou com um maravilhoso elenco, cujos nomes passaram a se constituir o conjunto teatral de amadores que se exibirão em ouras cidades. O êxito alcançado pelos protagonistas de "Iaiá Boneca" foi extraordinário, graças a excelência com que apresentaram o delicado trabalho de Fornari, passado por volta de 1840. Desde os cenários, o desenrolar seqüente dos atos, a calma dos artistas, até a apoteose de encerramento, a atenção e os aplausos dos presentes, confirmaram a notável acolhida obtida pelo Grupo dramático piquetense. As figuras de destaque da sociedade local e demais pessoas convidadas, dentre elas o próprio Ernani Fornari, não pouparam elogios face à apresentação de "Iaiá Boneca". E assim foi que o autor que assistira a todos os seus lances pode com entusiasmo manifestar-se sinceramente a respeito, com as seguintes palavras:

"É com a maior satisfação e sinceridade que apresento os meus parabéns ao notável grupo de amadores, que de maneira extraordinária brindou esta maravilhosa cidade com a minha obra 'laiá Boneca'. Trata-se de um conjunto homogêneo, muito bem escolhido, cujo êxito alcançado ante a primeira apresentação, nada desmerece às interpretações de artistas profissionais, os quais até então ainda não conseguiram representar a peça integralmente. A Nelly Quadrado, mentora incansável dos que tão bem souberam desempenhar seus papéis, ao Major Alberto Lessa Bastos, protagonista excelente, à Myrthes Mazza, a laiá Boneca ideal, ao César D'Amico, no papel de Cristino; enfim, a todos que, integrados à peça, fizeram-na viver admiravelmente, a eterna admiração do autor".

O professor Carlos Ramos da Silva assim se manifestou:

"Embora de há muito me encontre afastado dos encantos da ribalta, trago ainda dentro de mim a recordação e os segredos da arte de representar. E é por isso que sem a menor dúvida acordo com a opinião pública, que em uníssono exclama: 'magnífica estréia dos figurantes de Iaiá Boneca. Amadores que sobrepujam velhos profissionais! Oxalá tenhamos outras representações'. o povo precisa de bons espetáculos".

Eis o elenco de "Iaiá Boneca" (por ordem de entrada em cena: laiá Boneca - Myrthes Mazza; Prima Dedê - June Martins; Bá Merenciana - Dinah Encarnação; Cristino - César D'Amico; Arnaldo - Damas Sobrinho; Vigário - Reginato Carvalho; Conselheiro - Alberto Lessa; Vadico - Oswaldo Peixoto; Alina - Suely Teixeira; Waldemar - Wilson Vilar; Feitor - Nino Soares.
Pelo que reportamos, nada mais fizemos do que uma síntese de diferentes opiniões daqueles que presenciaram o desenrolar do drama num ambiente de intensa satisfação no Cine Estrela do Norte, em Piquete. Oxalá novas apresentações posam alcançar de cultas platéias, novos sucessos, capazes de suplantarem aos obtidos nos da "avant-première". Tivemos a grata satisfação de saber de antemão, que a mesma peça fora galhardamente levada na vizinha cidade de Lorena e ainda mais em Itajubá. De ambas as cultas cidades há selecionada bagagem de aplausos, que oportunamente teremos prazer em apresentar aos nossos caros leitores.

Reportagem de J. Milk
Quinzenário "O Labor" - Piquete, SP
15 de fevereiro de 1958

Obs. J. Milk era pseudônimo de nosso querido professor de Geografia José Leite, que com ele assinava textos e desenhos caricatos com os quais presenteava seus amigos.


Da esquerda para a direita: Reginato, June, Osvaldo, Wilson, Myrthes, Lessa, Sueli, Damas, Cesar, Dinah e Nino.
Arquivo Rossana Mazza Masiero

Artistas Reunidos do Teatro Experimental
A.R.T.E.

Há 40 anos Iaiá Boneca

Dada a exigüidade de espaço, apenas leves pinceladas para um grandioso espetáculo. No início de 1957, conversando no Cassino dos Oficiais, a Profª. Nelly Quadrado e o Major Lessa decidiram fazer teatro na cidade. Nascia ali o Grupo ARTE (Artistas Reunidos do Teatro Experimental). Peça escolhida, IAIÁ BONECA, de Ernani Fornari, em quatro atos e cinco quadros. Texto de época, ação passada em 1840, período da maioridade de D. Pedro II. Admitamos ter sido valentia exagerada dos dois, tendo em vista que a maioria dos atores pisariam a ribalta pela vez primeira. Mas deram conta do recado. E como! (...)
Eis o elenco: laiá Boneca, Myrthes Mazza; Prima Dedê, June Martins; Bá Merenciana, Dinah Encarnação; Cristino, César D'Amico; Arnaldo, Damas Sobrinho; Conselheiro, Alberto Lessa; Vigário, Reginato Carvalho; Vadico, Oswaldo Peixoto; Alina, Suely Teixeira; Waldemar , Wilson Vilar e Feitor, Nino Soares. A Direção foi de Nelly Quadrado e a produção do Major Lessa, com o patrocínio da F.P. V. Apoio Técnico: Montagem, Cezar Dória; Cenários, Cézar Dória, Mendes Bastos e Mário Mendes; Móveis, Escola Agrícola de Lorena; Guarda-Roupa, Ilze de Oliveira, Dep. Assist. Material e lracema Silva; Modelos, Nelly Quadrado; Ponto, José P. Masiero; Contra-Regra, Paula Souza, Antonio Domingos e Targino Viana; Maquinista Chefe, Willy Vieth; Carpinteiro-Chefe, Benedito Ferreira da Silva e Romeu Dotta;Eletricista-Chefe, Rosemar Jaime da Silva; Serv. de Eletricidade, SEPI; Serv. de Transmissão, 6ª Divisão; Maquiagem, Nelly Quadrado e Alberto Lessa; Desenhistas, José Guedes e Geraldo Nascimento; Efeitos Musicais, professor Lauro e seu Orfeão. Um grande espetáculo. Há 40 anos...

Jornal "O Estafeta" - Piquete, SP
Março de 1997

 


Myrthes Mazza Masiero em representação teatral pelo GRUPO ARTE
Arquivo Rossana Mazza Masiero


Myrthes Mazza Masiero em representação teatral pelo GRUPO ARTE
Arquivo Rossana Mazza Masiero


Myrthes Mazza Masiero em representação teatral pelo GRUPO ARTE
Arquivo Oswaldo Peixoto (Peru)



Dinah Encarnação, Oswaldo Peixoto e outros integrantes do Grupo ARTE, na peça "As Solteironas dos Chapéus Verdes"
Arquivo Oswaldo Peixoto (Peru)

 
 

As Solteironas dos Chapéus Verdes

Sob a direção artística da Professora Nely Quadrado e a produção geral do Major Alberto Lessa Bastos, idealizadores do Grupo ARTE (Artistas Reunidos do Teatro Experimental), de Piquete, a peça Iaiá Boneca, encenada no Cine Estrela, em 1957, foi um estrondoso sucesso de público e de crítica. Essa mesma acolhida pode ser observada nas cidades vizinhas onde a troupe se apresentou. Isso fez com que os jovens e talentosos atores que constituíam o grupo ARTE se entusiasmassem com o resultado da primeira peça de seu repertório, principalmente após o reconhecimento público manifestado por Ernane Fornari, autor de Iaiá Boneca, que veio do Rio de Janeiro especialmente para assistir à montagem do grupo de Piquete. Em 1958, a Prof. Nely e seu marido, Major Aldyr Quadrado, deixaram Piquete rumo a Nova York. Foram estudar na Universidade de Columbia: ele, assuntos técnicos; ela, assuntos pedagógicos. No entanto, os jovens atores não ficaram órfãos. Assumiu a direção do ARTE o Major Lessa Bastos, que passou a ensaiar quase todas as noites, no Casino da Estrela, uma nova peça. Assim, no dia 30 de abril de 1958, a principal casa de diversão de Piquete, o Cine Estrela, mais uma vez ficou superlotada para a apresentação de “As Solteironas dos Chapéus Verdes”, da escritora francesa Germaine Acremant. A expectativa do público era grande, principalmente devido ao sucesso alcançado por Iaiá Boneca. Às 21h precisamente abriram-se as cortinas para que o Major Lessa Bastos fizesse a apresentação da peça. O romance “Les Dames Aux Chapeaux Verts”, escrito em 1921, é uma sátira à vida provinciana e obteve grande sucesso, reeditado inúmeras vezes e traduzido em mais de 25 línguas. Por todo o mundo, a peça extraída desse romance agradou. A história se passa numa pequena e antiga região de Artois, no extremo norte da França, no Departamento de Pas-De-Calais. Conta a vida, paixões, raiva e outros sentimentos vividos por mulheres da família D’Anvers, ao mesmo tempo tão juntas e tão separadas. Toda essa história é contada numa peça constituída por três atos e um quadro. Patrocinada pela FPV, a montagem de As Solteironas dos Chapéus Verdes, em Piquete, contou com um selecionado elenco formado por Mariza Mazza, Orquideia Bangoim, Dinah Encarnação, Lucy Mesquita, Suely Teixeira, Reginato Carvalho, Mirthes Mazza, Carlos Ramos da Silva, Oswaldo Peixoto, Nino Soares da Costa e Cézar Damico. Apesar de o palco do Cine Estrela não ser adequado para teatro, em que os movimentos de cenários, contra-regras, orientadores, artistas e outros exigem espaços maiores, a equipe contornou essas dificuldades. O incansável Major Lessa Bastos com seu dinamismo e entusiasmo arrastou uma excepcional equipe de colaboradores: a montagem coube ao Professor César Dória, os cenários a Mendes Bastos e Mário Mendes, o maquinário a Willy Vieth, a parte de carpintaria a Benedito Souza, Romeu Dotta e Ércio Molinari, a parte elétrica a José S. Barbosa, os figurinos à Myrthes de Oliveira, a maquiagem a Alberto Lessa, os desenhos a Geraldo Nascimento e José P. Masiero. Foi assistente de direção Alda Vital Brasil. A contadora, a professora Odaísa Frota, e o ponto coube a José P. Masiero que, mais tarde, se destacaria como diretor de teatro. Ao término do espetáculo, os aplausos incessantes da platéia coroaram o grupo ARTE.

Jornal "O Estafeta" - Piquete, SP
Agosto de 2011

 


Elenco de Flauta para um Negro
Foto escaneada do Jornal "O Estafeta"

continua

 

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