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PIQUETE -
CIDADE PAISAGEM |

Carro abre-alas do
G.E. "Antonio João" em desfile cívico. O leque giratório,
fixo e fechado como
um mastro, abriu-se, repentinamente, frente ao palanque oficial.
Arquivo M.
Auxiliadora Mota G. Vieira
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A mais antiga e tradicional instituição de ensino de Piquete, o Grupo Escolar Antônio João, é o resultado da fusão das escolas isoladas do município. Isso ocorreu nos primeiros anos do século passado, com a anexação das escolas existentes na cidade, com o nome de Escolas Reunidas de Piquete. Foi instalado, primeiramente, na Rua Cel. Luiz Relvas, num antigo casarão do século XIX (em frente à atual Igreja Metodista), na expectativa de que o governo do estado viesse a construir o prédio para o grupo escolar. Esta era uma antiga reivindicação dos piquetenses: já em 1911, durante a administração do prefeito José de Brito, a municipalidade doou para o governo um terreno com essa finalidade. Posteriormente, em 1920, no governo do Major Carlos Ribeiro, veio a denominação de Grupo Escolar de Piquete. Os anos se passaram. Em outubro de 1939, as aulas foram suspensas, uma vez que o velho edifício colocava em risco a vida dos alunos. No dia 14 de abril de 1940, às 15h, aconteceu o assentamento da pedra fundamental do atual Grupo Escolar. A esse concorrido ato compareceu grande número de moradores, além de autoridades de ensino e uma delegação do governo do Estado, a cuja frente estava o professor Dario de Moura, diretor do Departamento de Educação da Secretaria de Educação e Saúde Pública do Estado. Também estiveram presentes o Cel. Gomes Carneiro, diretor da Fábrica Presidente Vargas, e oficiais, além do prefeito municipal, José de Brito Júnior, o padre Septimio Ramos Arantes e chefes da construção do prédio. Falou, na ocasião, em nome da municipalidade, padre Moraes, vigário de Guaratinguetá, e pelo corpo docente do Grupo Escolar de Piquete a professora Celina Guimarães. De acordo com o contrato, o engenheiro, Dr. Amâncio Figueiredo, deveria entregar a obra no prazo de 6 meses. A seguir, todos se dirigiram para a inauguração do grupo escolar provisório, localizado nas primeiras casas construídas para a Vila Duque de Caxias. Esse novo Grupo recebeu o nome de Grupo Escolar "Ten. Cel. Aquino". As obras correram dentro do prazo previsto, de maneira que, em 1941, o Grupo Escolar de Piquete foi inaugurado com o nome de "Antônio João", herói da Guerra do Paraguai. O novo Grupo, localizado na antiga Praça Cel. Wiedmann, hoje Praça 15 de junho, era uma construção moderna que satisfazia plenamente às exigências técnico-pedagógicas.
À sua frente um bem cuidado jardim, com bancos doados pelo comércio local. O edifício, muito bem dividido, possuía sete salas de aula amplas e bem iluminadas, sala de diretoria, gabinete dentário, etc. O pátio interno apresentava agradável aspecto devido a um belo jardim com um repuxo do qual jorrava água fresca e cristalina. Nesse ambiente de conforto e saber, o Grupo Escolar Antônio João já recebia, nos seus primeiros anos, 650 alunos, divididos em dois períodos de aula. Pelas espaçosas salas passaram inúmeras gerações, que ali receberam instrução e educação ministradas com amor, carinho e espírito cívico. Todos que o freqüentaram receberam boa formação e valioso preparo para a vida. Contribuíram para isso vários professores. Todos deixaram marcas indeléveis nos alunos.
Dentre os pioneiros do ensino nas primeiras décadas do Grupo Escolar destacaram-se: os diretores Nestor Pereira Éboli, Carlos Ramos da Silva e Benedito Édson de França Guimarães, e os professores Justiniano Lopes da Silva, Osmar Rocha Simas, Leonor Guimarães, Palma Ferrari de Oliveira (Dona Palmira), Celencina Guimarães, Tereza de Melo, Conceição Godoy, Haydê Oliveira Éboli, Maria de Lourdes Meireles Gama; Maria de Lourdes Brito Villar (Dona Milita ), Maria Alice de Araújo Luz, Fernanda Eunice B. Faury, Maria Aparecida Marcondes, Maria do Carmo Amaral Paschoal.
Havia no Grupo a Caixa Escolar, um órgão que beneficiava os alunos carentes, uma biblioteca infantil, um informativo "O Antônio João", a sopa escolar, cuidada pela D. Júlia Salomé, orfeão escolar, cooperativa escolar, etc. Texto publicado no Jornal "O Estafeta" - maio de 2004 |

Campanha do Agasalho - foto escaneada do
Jornal "O Estafeta"
Por muitos anos, o Grupo Escolar Antônio João promoveu, nos meses que antecediam a chegada do inverno, a Campanha do Agasalho. Essa era uma iniciativa da Caixa Escolar, que beneficiava muitos alunos carentes e mobilizava toda a escola. A Caixa Escolar era um órgão existente em todos os grupos escolares e tinha por objetivo proporcionar benefícios aos alunos necessitados, fornecendo uniformes, material didático, lanches, agasalhos, etc., além de colaborar para a melhoria da escola. Ela recebia auxilio da Prefeitura Municipal, da Legião Brasileira de Assistência e também dos familiares dos alunos matriculados.
Naquela época, o aluno recebia o boletim escolar e o levava para casa, trazendo-o de volta, no dia seguinte, com a assinatura do pai ou responsável e certa quantia em dinheiro para a Caixa Escolar. Nele constavam as notas obtidas pelo aluno em cada matéria, sua freqüência e seu comportamento, tudo medido em escala de zero a cem. No entanto, pouco mais de 50% dos pais dos matriculados reuniam condições para essa colaboração. Isso obrigava a diretoria da Caixa, juntamente com o Diretor da Escola, a quem competia dar destino à verba arrecadada, a serem criativos, buscando junto à comunidade os recursos adicionais para alcançar os objetivos. A Campanha do Agasalho era um dos trabalhos executados pela Caixa Escolar. Nela, todos os professores se engajavam, enquanto os diretores articulavam o apoio das autoridades e do comércio local.
Em junho de 1957, a Campanha foi diferente dos anos anteriores. Todo o Grupo Escolar Antônio João se mobilizou. O diretor, prof. Carlos Ramos da Silva, conseguiu no comércio várias peças de flanela. Os professores, então, resolveram inovar: eles mesmos confeccionaram agasalhos, que, somados aos adquiridos junto à comunidade, iriam aquecer os alunos naquele inverno. Assim, no dia pré-determinado, reuniram-se para os trabalhos. Enquanto alguns professores riscavam os moldes, outros cortavam, chuleavam, costuravam e pregavam botões. Até os serventes pegaram firme nesse trabalho, de modo que, em curto prazo, inúmeros agasalhos foram confeccionados. Assim, no dia 8 de junho, aconteceu a tradicional Festa do Agasalho, que contou com a presença de muitas pessoas. Às 9hs, com a chegada do professor José Pereira Éboli, Delegado de Ensino, que representava o Dr. Vicente de Paula Lima, Secretário da Educação, tiveram início as solenidades. Foram entregues aos alunos 140 agasalhos e 50 cobertores. Compareceram, ainda, diversos alunos das escolas isoladas do município, os quais também receberam cobertores. Foram distribuídos lanches a todos os presentes. No transcorrer da festa, usaram da palavra o diretor, Prof. Carlos Ramos da Silva, e o Prof. Éboli.
O Orfeão da Escola, tendo à frente a professora Myrthes Mazza, arrancou aplausos, agradando a todos com seu repertório popular. Abrilhantou a festa a Corporação Musical Piquetense, sob a direção do maestro Carlos Vieira Soares. Entre as autoridades presentes, o prof. Joaquim de Castro Neto, inspetor escolar, Ana Eulália da Encarnação Arantes, presidente da LBA, Major Carlos dos Santos Couto, diretor da FPV, Padre João Batista Serafim, vigário de Piquete, Prof. Joracy Faury, Prefeito Municipal, Prof. Paulo Nader, gerente do Banco do Vale do Paraíba, Profª. Osminda Mendes Corrêa, diretora do Grupo Escolar da FPV, Raul Soares de Oliveira, vereador e representante da Câmara Municipal, além de muitos pais. Nessa ocasião, foi também inaugurado o Parque Infantil do Grupo Escolar Antônio João, composto de quatro brinquedos: gangorra, balanço, barquinho e trenzinho. A Campanha do Agasalho foi um sucesso em Piquete. Toda a cidade dela participou e os alunos acabaram por ter uma bela aula de cidadania. Texto publicado no Jornal "O Estafeta" - junho de 2004 |
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