ECOS PARISIENSES

























3 - Les Années 30

Após uma década de euforia, a alegria dos "années folles" chegou ao fim com a crise de 1929. A queda da Bolsa de Valores de Nova York provocou uma crise econômica mundial sem precedentes. Milionários ficaram pobres de um dia para o outro, bancos e empresas faliram e milhões de pessoas perderam seus empregos. A década de 1930 foi considerada a pior década do século XX, pois se iniciou com a Grande Depressão em 1929, e terminou com a Segunda Guerra Mundial em 1939.

Em 30 de janeiro de 1933, Hitler foi nomeado chanceler alemão, dando início a uma das épocas mais sangrentas de toda a história mundial. Essa década registrou o genocídio sem precedentes das "raças inferiores", ordenada por Hitler após assumir o poder. Entre essas “raças inferiores” estavam incluídos os ciganos e os judeus, esses últimos os grandes exterminados pela selvageria racial nazista. Além de Hitler na Alemanha, os movimentos totalitários eclodiram em outros países europeus, com Mussolini na Itália, Salazar em Portugal, Francisco Franco na Espanha e Stalin na União Soviética.

No final da década de 1930,  Picasso criou o seu quadro mais famoso: Guernica, uma resposta aos horrores da Guerra Civil Espanhola. O conflito iniciara em julho de 1936 com o golpe militar liderado pelo General Francisco Franco, representando os elementos fascistas, tradicionalistas e clericais do país, contra a República Espanhola e seu governo eleito da Frente Popular.

Ao estourar a guerra, Picasso imediatamente declarou seu apoio à República, levantando enormes quantias em prol da causa e aceitando pintar um grande mural para o pavilhão espanhol na Exposição Internacional de 1937, em Paris. Ainda não havia começado quando soube que, em 26 de abril de 1937, aviões nazistas, enviados por Hitler para ajudar Franco, tinham bombardeado e arrasado a cidade de Guernica. Picasso pôs-se imediatamente a trabalhar nos esboços preliminares para Guernica e depois pintou a enorme tela em cerca de um mês.

Ela foi a expressão máxima não só do sofrimento espanhol como do impacto devastador dos armamentos modernos de guerra sobre suas vítimas em todas as partes do mundo. No Brasil, ocorreu a Revolução de 30, movimento que atingiu o poder chefiado por Getúlio Vargas.

Nessa década, seguindo o pensamento alemão, formulou-se o conceito de indústria cultural, que seria a manipulação dos indivíduos através dos meios de comunicação de massa, anulando as individualidades e a capacidade crítica, levando ao consumo de produtos, mas também à aceitação de novas idéias, sonhos e interesses.

A partir de 1930, nos Estados Unidos, a música popular passou a ser um fenômeno de proporções continentais. Os grandes programas de rádio eram ouvidos de costa a costa, facilitando o aparecimento de novos artistas e mitos da comunicação. As condições técnicas para gravação de discos e transmissões de longa distância vinham sendo aperfeiçoadas com muita velocidade desde o início do século XX, fazendo com que a qualidade do som também se tornasse um produto. O estilo musical em ascensão, em meados dos anos 30, era o “swing”, estilo de jazz próprio para dançar, logo adotado pela mídia que precisava estimular na população o desejo de consumir e se divertir.

Em 1934, o musical "A Alegre Divorciada", de Cole Porter, trouxe Fred Astaire e Ginger Rogers, num filme de muito sucesso. Cole Porter com seu estilo refinado colocou-se ao lado de nomes como Irvinng Berlin, George Gershwin e Jerome Ken. No cinema, King Kong tornou-se o marco inicial das trilhas sonoras dos filmes, pois a música de Steiner, misteriosa, ameaçadora e, no desfecho, grandiosa e sentimental, transformou uma história potencialmente tola, numa aventura fascinante e memorável.

O jazz já se consolidara através de grandes orquestras, como as de Count Basie, Benny Goodman, Cab Calloway e Earl Hines. Duke Ellington era considerado o Mozart do jazz, por seus arranjos sofisticados e  orquestra composta de grandes e brilhantes artistas.

Embora os períodos de crises não sejam os mais indicados para alterar a maneira de vestir, os anos 30 redescobriram as formas do corpo da mulher, através de uma elegância refinada, sem grandes ousadias. As saias ficaram longas, os vestidos justos e retos, com uma pequena capa ou um bolero. Devido à crise mundial, materiais mais baratos passaram a ser usados, como o algodão e a casimira. O corte enviesado e os decotes profundos nas costas dos vestidos de noite marcaram os anos 30, que elegeram as costas femininas como o novo foco de atenção.

Alguns pesquisadores acreditam que foi a evolução dos trajes de banho a grande inspiração para tais roupas decotadas. A moda dos anos 30 descobriu o esporte, a vida ao ar livre e os banhos de sol. Seguindo as exigências das atividades esportivas, os saiotes de praia diminuíram, as cavas aumentaram e os decotes chegaram à cintura. Com a valorização do corpo feminino os seios também voltaram a ter forma. As mulheres recorreram ao sutiã e a um tipo de cinta ou espartilho flexível. Embora marcadas, as formas deviam ser naturais, apresentando um corpo magro, bronzeado e esportivo.

Greta Garbo, com seu visual sofisticado, de sobrancelhas e pálpebras marcadas com lápis e pó de arroz bem claro, foi imitada pelas mulheres. O cinema disseminava os novos costumes. Outras estrelas de Hollywood como Katharine Hepburn e Marlene Dietrich influenciavam milhares de pessoas.
Os estilistas criaram pareôs estampados, maiôs e suéteres.

Muito usados pelos astros do cinema e da música, um acessório que se tornou moda nos anos 30 foram os óculos escuros. Em 1935, um dos principais criadores de sapatos, o italiano Salvatore Ferragamo, lançou sua marca, que se transformaria num dos impérios do luxo italiano. Com a crise na Europa, Ferragamo usou materiais mais baratos, como o cânhamo, a palha e os primeiros materiais sintéticos. Coco Chanel continuava sendo sucesso.

Seguindo a linha clássica, tudo o que era simples e harmonioso passou a ser valorizado, sempre de forma natural. Os móveis de Jean-Michel Frank e André Arbus traduziam esse neoclassicismo, o auge do gosto pela vida e sua arte. Além disso, o estilo “art-déco”, surgido nos anos 20, dominou a década de 30. O surgimento de novos materiais, como a baquelita, uma espécie de plástico maleável, aliada ao novo conceito de modernidade, fez surgir um novo design, aplicado a vários objetos e eletrodomésticos. A baquelita também foi amplamente utilizada para a fabricação de jóias leves.

Nessa época, o termo “prêt-à-porter” ainda não era usado, mas os passos para o seu surgimento eram dados pelas butiques que já apresentavam os primeiros produtos em série assinados pelas grandes maisons. No final dos anos 30, com a aproximação da Segunda Guerra Mundial, as roupas já possuíam uma linha militar; algumas peças já se preparavam para dias difíceis, como as saias com uma abertura lateral, para facilitar o uso de bicicletas.

A guerra transformaria a forma de se vestir e o comportamento de uma época. A cidade de Paris, ocupada pelos alemães em junho de 1940, já não contava com todos os grandes nomes da alta-costura e suas maisons. Muitos estilistas se mudaram, fecharam suas casas ou mesmo as levaram para outros países. A Alemanha ainda tentou levar as maisons parisienses para Berlim e Viena, mas não teve êxito. O estilista francês Lucien Lelong, então presidente da câmara sindical, teve um papel importante nesse período ao preparar um relatório defendendo a permanência das maisons no país. Durante a guerra, 92 ateliês continuaram abertos em Paris.

Apesar das regras de racionamento, impostas pelo governo, que também limitava a quantidade de tecidos que se podia comprar e utilizar na fabricação das roupas, a moda sobreviveu à guerra. A silhueta do final dos anos 30, em estilo militar, perdurou até o final dos conflitos. A mulher francesa era magra e as suas roupas e sapatos ficaram mais pesados e sérios. A escassez de tecidos fez com que as mulheres tivessem de reformar suas roupas e utilizar materiais alternativos na época, como a viscose, o rayon e as fibras sintéticas. Mesmo depois da guerra, essas habilidades continuaram sendo muito importantes para a consumidora média que queria estar na moda, mas não tinha recursos para isso. O náilon e a seda estavam em falta, fazendo com que as meias finas desaparecessem do mercado. Elas foram trocadas pelas meias soquetes ou pelas pernas nuas, muitas vezes com uma pintura falsa na parte de trás, imitando as costuras.

Os cabelos das mulheres estavam mais longos que os dos anos 30. Com a dificuldade em encontrar cabeleireiros, os grampos eram usados para prendê-los e formar cachos. Os lenços também foram muitos usados nessa época. A maquilagem era improvisada com elementos caseiros. Alguns fabricantes apenas recarregavam as embalagens de batom, já que o metal estava sendo utilizado na indústria bélica. A simplicidade a que a mulher estava submetida talvez tenha despertado seu interesse pelos chapéus, que eram muito criativos. Nesse período surgiram muitos modelos e adornos. Alguns eram grandes, com flores e véus; e outros, menores, de feltro, em estilo militar.

Quando, em junho de 1940, Paris foi tomada pelas tropas nazistas, a Europa sentiu-se golpeada. Era a vitória da incerteza, sinal de que algo tomara o caminho errado. Depois de uma campanha de apenas 39 dias, blindados alemães andavam pelas ruas da capital francesa. Adolf Hitler exigia que a rendição fosse assinada no mesmo vagão de trem em que alemães e franceses acordaram o fim da Primeira Guerra Mundial, com a diferença que, em 1918, a França se apresentava como a vencedora.

Até o início da Segunda Guerra Mundial, Paris fora a capital mundial da vanguarda e do modernismo. Parecia que todo mundo que importava estava por lá... Da pintura, Picasso, Dali, Matisse, Chagall, Marcel Duchamp eram alguns de seus representantes; da fotografia, cada vez mais apreciada como arte, havia Man Ray e Brassaï; entre os escritores, destacavam-se James Joyce, Andre Breton, Tristan Tzara, Ernest Hemingway, Erza Pound, Gertrude Stein e F. Scott Fitzgerald.
Se Paris era a cidade, a luz estava com eles...

 

Les Années 30 - MAPA

André Dassary
Andrex
Anette Lajon
Arletty
Berthe Sylva
Charles Trenet
Charpini
Comedian Harmonists
Edith Piaf

Jean Tranchant
Joséphine Baker

La Palma
Leo Marjane
Louis Cousin
Lys Gauty
Lucien Lejal
Lucienne Boyer
Lucienne Delyle

Elyane Célis
Eva Busch
Felicien Tramel
Fred Adison
Gaston Ouvrard
Georges Milton
Georges Thill
Germaine Sablon
Georges Tabet

Luis Mariano
Maguy Fred
Marcelle Bordas
Marianne Oswald
Mick Micheyl
Mireille
Nitta Jo
O Dett
Pauline Carton

Gilles e Julien
Guy Berry
Henri Garat
Irène de Trébert
Jacques Helian
Jacques Pils
Jean Fred Mélé
Jean Lumiére
Jean Sablon

Pierre Chagnon
Pierre Dudan
Pills e Tabet
Ray Ventura
Reda Caire
René Sarvil
Rina Ketty
Suzy Solidor
Tino Rossi

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Rien de Rien - Edith Piaf

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