PIQUETE - CIDADE PAISAGEM
TRADIÇÕES E FOLCLORE

Jongo em Piquete

 

"Vem pro jongo,
Ô vem jongueiro ver,
João-Congo,
O jongo tem que ter
Mais um herdeiro
Nesse terreiro
Pro jongo não morrer."

Trecho do Jongo de João-Congo
Sérgio Santos e Paulo César Pinheiro


Gil do Jongo
Foto de Lety

 

SÍNTESE HISTÓRICA DO JONGO
EM PIQUETE

Apresentação

A manifestação da expressão cultural jongo, em Piquete, é reforçadora tradicional entre a população afro-descendente, bastante numerosa. Jongo, expressão de origem africana, do quimbundo, jihungo, recebe designações variadas, como caxambu, batuque, tambor ou tambu [1]. Trata-se de uma dança de roda na qual se unem os dançarinos de ambos os sexos formando-se um círculo, centralizado por um casal que se improvisa entre os participantes animados por ritmos de tambores e cantoria. Esta cantoria se improvisa no decorrer da dança. Um líder do grupo age como convocador da dança e se incorpora aos demais como animador e parte integrante. Coordena e prepara as apresentações. Ensina os novatos. Tratando-se de dança tradicional entre negros africanos trazidos como escravos e afro-descendentes, manifesta-se principalmente na região sudeste, na área cafeeira, e, nesse particular, pode ser observada nos estados de São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro. Nos terreiros de café, após o dia de trabalho, podia representar uma forma de compensar o peso da sujeição e o esforço despendido.
Portador de vínculos tradicionais e de raiz com o sagrado, o jongo é representado nas celebrações religiosas e demais festas. Portanto, trata-se de referência cultural de natureza imaterial. É, assim, dado como bem cultural ou patrimônio não suscetível de tombamento e direito autoral. Caracteriza manifestação de referência de resistência e de tensões relacionadas aos aspectos sociais, religiosos e étnicos, evidenciando clivagens e destas fazendo motivos disfarçados por linguagem cifrada, cujos cantos se entoam em rimas de versos curtos e repetição enfática. Nessa cantoria, a chave do disfarce sobrepõe-se afirmativa para os grupos de registro de exclusão e invisibilidade, tratados como massa marginalizada pela hierarquia social derivada do escravismo.
Em sua especificidade, o jongo é cultivado por grupos e comunidades encontradas nas periferias urbanas, e, por mais das vezes, segundo as evidências demonstradas, é produto das resistências quilombolas e de seus remanescentes, para se auto-afirmarem frente às imposições convocadas para controle. Chama a atenção pela quantidade numerosa dos participantes e o envolvimento desses em prolongada atividade de dança, sem demonstrar cansaço. Pelo caráter agregativo, representa reforço tradicional e coesivo, apesar das exibições individuais dadas como competitivas pelo apuro dos dançadores.

O JONGO EM PIQUETE

Particularmente em Piquete, o jongo foi registrado como prática entre os negros habitantes do bairro da Raia – bairro esse que concentrava, até os meados do século passado, população de origem africana e seus descendentes. A Raia localizava-se como excluída das possibilidades imobiliárias de outros setores da cidade – seja por questão econômica, seja por exclusão social propriamente dita. Por sua vez, a situação geográfica do bairro indica que se formara nos terrenos desprestigiados à margem esquerda do ribeirão Piquete e à margem da ferrovia do ramal Lorena-Piquete. Favorecida por esses indicadores, a coesão social entre os grupos excluídos por suas origens raciais e de trabalho, não ficaria de lado a hipótese de que egressos de quilombo tenham se instalado ao lado dos caminhos íngremes do sopé da serra (da Mantiqueira), onde a facilidade de esconderijo parecia determinante e a agregação, defensiva. Não ficaria fora de cogitações o arranjo das danças e da cantoria como marca cultural de reconhecimento de origem em resistência disfarçada. Daí a cantoria ter duplo sentido e parecer ingênua travestida em canto para ser decodificado. Aos integrantes a revelação, percebida ou não, interessava manter a representação simbólica envolvente entre as pessoas de diferentes idades em amplo arco, da adolescência aos níveis mais elevados da escala etária. Em Piquete, na primeira metade do século XX, pontificaram figuras emblemáticas do jongo, convocadas e convocantes de elevado prestígio no grupo representativo e de seu entorno: Conceiçãozinha, Jacó, Terezinha Generoso e, mais modernamente, Gilberto Augusto da Silva (Gil). 


Terezinha Generoso
Foto enviada por Vera Regina Generoso

Atualmente, a ocupação da Raia perdeu as características originais de bairro exclusivamente de população negra. Incorporadas as benfeitorias de infra-estrutura, o bairro é, hoje, dotado de serviços urbanos e cedeu espaço para construções mais sofisticadas. Não mais as casinhas de pau-a-pique, cercas de bambu (quando as havia), hortas rudimentares, brejos infectos e a quase exclusiva presença negra. Expandida a partir da Raia, e com algumas das referências desta, a Vila Eleotério é, atualmente, núcleo do cultivo do jongo e da escola de samba Império do Brás, que se aglutina nos seus grupos de raiz, afro-descendentes cujos ancestrais povoaram os terrenos da Raia e incorporaram suas tradições. Não sem motivos, outra manifestação cultural aí encontra fundamento – a do boi-de-carnaval, herdeiro das manifestações do reisado.


Dona Zezé e Prof. Gil
Foto de Lety

Quanto à dança do jongo propriamente dita, hoje é ativada pelo grupo liderado por Gil e o apoio de pessoas como Dona Zezé e Rosa (falecida), e outras senhoras de menor peso em anos e experiências. Além dos tocadores de tambor. Os instrumentos de toque – os tambores – já perderam as características da autenticidade, fora algumas cópias pretendentes a serem mais fiéis. As letras da cantoria perderam, por falta de provocação, um pouco de sua força, e, repetidas nas suas ênfases, pertencem mais à coreografia para festas do que propriamente para os fins originariamente destinados.
Participante das festas do padroeiro São Miguel Arcanjo (29-09), São Benedito (julho) e principalmente a comemorativa do 13 de Maio, o jongo era, no passado, relevado como demonstração apreciada em lugar previamente destinado, com tablado e cobertura vegetal. Tal se dava especialmente nas quermesses, nas quais eram sempre imprescindíveis as presenças de Conceiçãozinha e Jacó. Mesmo no período da repressão, quando o jongo chegou a ser proibido, procurava-se driblar os órgãos públicos, sob intensa reclamação da classe dirigente, a qual, entretanto, acabou por cooptar as manifestações culturais populares, levando-as à participação nas referidas quermesses, mas em espaço delimitado. Entretanto, torna-se importante recorrer aos registros memorialísticos referentes ao jongo em Piquete. Entre os memorialistas piquetenses ficaram registrados os seguintes momentos referentes à primeira metade do século XX: De Francisco Máximo Ferreira Netto e Luiz Gonçalves, em Tradições, Costumes e Lendas de Piquete, o comentário de que o jongo era a dança mais concorrida na festa de São João. Descrevem o uso de dois instrumentos para cadenciar o ritmo: o tambu, tambor maior, e o candongueiro, o menor. Anotam serem esses instrumentos confeccionados de pequenos barris, cuja extremidade apresentava uma peça de couro. Aquecidos ao calor da fogueira – era comum que no centro da roda de jongo estivesse uma fogueira acesa – para produzirem melhor som. Descrevem, também, a fuita (em outros lugares, chama-se puita [2]), como uma “flauta” obtida de um canudo de taquara. Segundo os autores, o jongueiro chefe iniciava a dança, cantando:
 
Eu como guia, papai
Eu como guia, papai
Eu como guia, papai
Em nome do padre
Jesus, Santa Maria (bis)
 
Bango – que bango – ê...
Bango – que bango – ê...
Batuque na cozinha
Sinhá não quer...
Sinhá não quer...
Sinhá não quer...

Terminada essa cantiga, seguiam-se outras:
 
Cachorro sem nariz
Não pode farejar
Boi sem joelhos
Não pode trabalhar.
 
E chita gererê – chita
E chita gererê – chita
Tanto pano bonito na venda
Mas vestido da Maria é chita.
 
Papai dá
Mamãe dá
Desafio de crioula
Ta chorando o paletó
 
Oh Bananá
Tenha pena do meu pená
As minhas penas são douradas
Tenho dó de molhá
 
Rancou seu dente
Disse que não doeu
Achei muito bonito
Vou mandar rancar o meu
 
Os autores citam que numa festa de São João realizada na fazenda São José, no Itabaquara, um negro de nome Adão entoou o seguinte verso:

Meu sinhô dono da casa
Saia fora e venha vê
À beira do seu terreiro
Como está para florescê
Tanta couve na horta
Cambinda tá no repolho.
 
Para a interpretação dos versos acima citados, os autores comentam serem as couves as pessoas brancas dançando na sala, enquanto os cambindas eram os negros no jongo (no terreiro). E, no caso, os cambindas representariam “uns purgões” encontrados nas hortaliças. Entretanto, segundo Adão, os brancos, em sua maioria, “estavam a apreciar o jongo no terreiro”. Por isso, os versos registraram:

“À beira do seu terreiro
como está pra florescê
tanta couve na horta
combinda tá no repolho”.

No comentário dos autores, a ironia estava contida no linguajar esperto do negro, em contraste com o do branco instruído, para criticar a falta de sinceridade deste. De outra forma, uma negra cantava:

Eu vinha de Itabaquara
Puxando minha muchila
Minhas penas são douradas
Crioula, tenho pena de molhar

Criticada, pois estaria cantando errado, fora substituída por outra:

O galo tá cantando
É mentira, não é dia
O galo tá dizendo
Que ele chama claro dia.
 
É assim que circulavam os versos pelo jongo na fria noite festiva (noite de São João), referindo “a visão do escravo negro” na herança cultural do grupo. Já na madrugada, o canto seguia:

Eh meu Deus
Quero beijar o santo!
Santo virou cacunda
Santo virou cacunda...
 
E assim partiam para as casas – no dizer dos autores, “choupanas” –, cantando:
 
Tatu  tá de cangaia
Mantimento de quem é?
 
Portanto, segundos os registros acima, o jongo manifesta-se nas festas de São João.
 
Para o memorialista Carlos Vieira Soares, em Folclore de Piquete – Pequena Contribuição, o jongueiro líder lançava um desafio por meio do “ponto”, que “deveria ser desatado”. O que conseguisse lançaria outro ponto, sob o ritmo dado pelo “tambu”, pelo “quinzengue” e outras caixas menores – todos “temperados”, isto é, aquecidos junto à fogueira. O autor cita os seguintes versos:

Passei na porta da igreja
Rato tava roendo pé de santo
Caruru nasceu na pedra
Também quero aproveitá.

Verso para o jongueiro: Caruru nasceu na pedra. E aos outros: Também quero aproveitá. Repetia-se o refrão para reforço da mensagem. E assim seguiam, segundo o autor, em requebros e ameaças de rasteiras, com a peculiaridade da umbigada, obrigatória, mas que, a mais das vezes, apenas simulava, para ele, “um ritual de procriação”. O autor está comentando os movimentos lascivos, provocadores de excitação.
Numa representação crítica, cantavam:

“Tanta madeira no mato
Embaúva é coroné.”

O que seria interpretado como representação dos mandões (o prefeito ou o delegado) como “joões-ninguém”, isto é, incapacitados para o governo. Ou, no caso dos versos seguintes, com o mesmo significado:

“O pescoço do burro é pequeno
Pra tanto cincerro”.

Ou seja, que um cidadão hierarquicamente colocado, ocupante de muitos cargos, nada produzia. Carlos Vieira Soares destaca os nomes dos principais jongueiros de Piquete, como: Benedito Jacó, Amaro Salgado, suas filhas (não cita os nomes dessas) e sua irmã, D. Brasilina, Sebastião Mendes Leal, João Miguel e Benedito Miguel.
O pesquisador Paulo Pereira dos Reis, também um memorialista piquetense, recorrendo à sua vivência no município de Piquete, registra as visitas que fez à Fazenda São José, cujo proprietário era conhecido como Juca Brito (José de Brito), e aí assistia a algumas rodas de jongo. Registra a presença da fogueira e os jongueiros em semicírculo tocando zabumbas e atabaques e cantando canções “tristes e enfadonhas”. Comenta “vozes plangentes acordando o silêncio das horas ermas”. Cita o jongo como “samba rural”, de “gingas ritmadas, mas monótonas”. Na verdade, este autor só cita superficialmente a existência do jongo entre as danças típicas de negros entre 1926-32, período descrito como memória em obra intitulada Reminiscências Piquetenses 1926-32. Provavelmente, o autor não teve, naquele momento, em idade infantil, oportunidade de se adentrar nos significados da cantoria, sempre recorrente de crítica e ironização nas relações com a classe dominante (a dos brancos), da qual ele era parte.

PORQUE O JONGO PERDEU FORÇA?

Representativo de um poder derivado do sagrado [3], o jongo é, entretanto, uma dança profana de roda e de umbigada criada para divertimento em horas de lazer. Mas, dominada pelos antigos, possui no seu arranjo um caráter rígido quanto ao respeito dos preceitos aos mais velhos, além de um sistema de representações retidas e repetidas nas “mirongas” (base dos pontos e de seu intrincado arranjo). Admitidos como poetas-feiticeiros, os mais velhos, dotados da capacidade de liderança, desafiam-se nas rodas do jongo para disputar os conteúdos entendidos como de sabedoria. Ou, para sintonizar as tensões e clivagens perpassadas no cotidiano, referenciado para a comunidade como de exclusão e invisibilidade. Grito de alerta disfarçado na singeleza do verso, a cantoria passa aos ouvintes como divertimento, quando seu sentido é resistente. Aos iniciados e portadores do conhecimento na comunidade ou grupo, a metáfora contida na cantoria é símbolo da cumplicidade que une os participantes, mas que somente aos “sábios” cumpre “desatar o ponto”, ou seja, decifrá-lo em seu enigma.
Evitar ser “amarrado”, pois, se não entender a mensagem, significa ficar “enfeitiçado”. Afinal, os mitos mágicos são, no jongo, uma força a ser alimentada ritualisticamente. Daí, a necessidade de identificar e solucionar o enigma. Assim, no imaginário popular, esses dispositivos de ordem no código das representações jongueiras leva à idéia de magia, de feitiço, de encantamento. Contemplado por esse viés interpretativo, o jongo, como a macumba e o canjerê, são vistos como símbolo do mal a evitar. Não foi, portanto, sem motivos, que as disposições dos códigos de posturas municipais relegaram o jongo a atividades perigosas e perniciosas para a população. Assim, em nome do polimento social, a Lei nº 3 de 16 de janeiro de 1893, do Código Municipal da Vila Vieira do Piquete, assinada pelo Intendente (cargo de prefeito), o cidadão Carlos Augusto Tacques Bittencourt, estabelecia que, pelo artigo 25, parágrafo 2, “Os batuques, sambas, cateretês, cana-verde e outros”, sem aviso da autoridade competente, “ficavam proibidos, sob pena de 5$000 de multa ao dono da casa” onde se promovesse o ajuntamento. Ato contínuo, que se processasse sua imediata dispersão. O argumento no qual a Lei se baseava era o de que o jongo e as manifestações citadas, como batuques e sambas (denominações equivalentes), perturbavam a comunidade, a segurança, a tranqüilidade e a moralidade. Outra manifestação legal de controle deu-se pela Lei nº 61, de 5 de novembro de 1914, do Código Municipal da Vila Vieira do Piquete, no capítulo VI, referente aos leilões, espetáculos e divertimentos públicos. O artigo 53 dessa Lei estabelece que são proibidos os bailes de pessoas de má vida, denominados fusos, batuques, sambas, cateretê, cana-verde, os toques de tambores, rufos, etc., e algazarras, a pretexto de festas, sob pena de multa de 20$000 e destruição imediata dos objetos a isso destinados.

SITUAÇÃO ATUAL

Na atualidade, o grupo de jongo liderado pelo mestre Gil apresenta-se sob solicitação, sem calendário próprio, e participa de encontros de jongueiros promovidos por entidades conservadoras das práticas culturais tradicionais. Desde que apoiados por dotação de verba para transporte e hospedagem, comparecem a encontros como os festivais anuais do Revelando São Paulo, promovidos no Parque da Água Branca, em São Paulo, pela Secretaria de Estado da Cultura, no qual a tradição cultural paulista é apresentada sob condição de garantir as referências de raiz e autenticidade. Daí o fato de seus organizadores exigirem dos grupos essa preocupação – a que procuram se ater os promotores do jongo em Piquete, mesmo sem contar com uniformes, instrumentos e símbolos de autêntica origem. Em fase de reorganização, o jongo, em Piquete, realimenta seus quadros, busca espaços em residências ou pátios disponíveis e tem, entre seus propósitos, chegar às escolas, como prática de reforço cultural local. Além de que, tem sido preocupação do mestre Gil ativar a dança do jongo entre crianças descendentes dos antigos jongueiros, seus netos, bisnetos e trinetos. 
Diferentes periódicos registraram em suas publicações manifestações folclóricas e eventos do jongo em sucessivas épocas em Piquete. Recentemente, “O ESTAFETA”, órgão informativo da Fundação Christiano Rosa, tem registrado referências aos eventos ligados ao patrimônio cultural imaterial difundidos na cidade de Piquete e respectivo município, por exemplo, nos bairros rurais e nas comunidades periféricas, e entre eles, especialmente o jongo. É o caso, por exemplo, da matéria referente ao jongo estampada na página 5 do número 97 (fevereiro – 2005), na qual são elaborados comentários sobre o significado da dança  e de participações, nos anos da década de 1980, como as de Terezinha Generoso, que, além de vereadora, era importante líder comunitária ligada aos movimentos negros, habitante da Raia, como o foram também seus ancestrais. Após o seu falecimento, o grupo de jongo se dispersou, ocorrência comum aos demais grupos que se formavam e se aglutinavam em torno de um líder. No número citado de “O ESTAFETA”, são exibidas fotos de Arlete Monteiro focalizando a dança do jongo e seus participantes ao lado do atual líder Gil, já citado, em fase de reorganização da dança jongueira. Consta do comentário ter o grupo em reorganização um conjunto de 40 integrantes e de ter participado, em dezembro de 2004, do 9º Encontro de Jongueiros, no Rio de Janeiro, onde se realizava o I Seminário Nacional sobre o patrimônio Imaterial do Jongo. A população tem acompanhado, com interesse, o projeto de reorganização.


"Canjiquinha" - culinária tradicional dos jongueiros.
Foto de Lety

A costumeira culinária que encerra os encontros jongueiros – culinária com vistas ao tradicional – é um dos atrativos. A “canjiquinha”, servida após intenso cozimento por mãos habilidosas, reforça o sentido coesivo da dança do jongo e sua significação.


Canjiquinha após a dança
Fotos de Lety

Autora do texto: Dóli de Castro Ferreira
Fundação Christiano Rosa - Piquete, SP



[1] O jongo, segundo seus pesquisadores, é dado como originário de Angola; é também conhecido pelos nomes de angona e angome, e pertence ao ramo das danças consideradas sagradas.
[2] Em outros grupos de jongo, a piuta é citada como tambor dotado de bastão de bambu acionado como se fosse uma cuíca.
[3] Consta uma tradição oral que, em viagem, ameaçados pelo diabo, o Senhor e o Deus Menino foram “protegidos” por negros dançando o jongo, cuja roda se fechou de tal modo que o diabo “passou e não os viu”. Daí puderam livremente prosseguir sua viagem, após abençoar os “feiticeiros” e demais participantes. E daí para frente o jongo passou a ser uma “dança sagrada”.

Ponto de Jongo na voz do Prof. Gil

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