FORÇA EXPEDICIONÁRIA BRASILEIRA


 

Sinval Pinheiro
2º Ten - Companhia de Canhões Anti Carro
11° BI MTh - Batalhão de Infantaria da Montanha
São João Del Rei - MG

 

Com apenas vinte e três anos de idade, o cearense, segundo-tenente do Exército Sinval Pinheiro, nascido em 12 de março de 1921, filho de Sigisnando Diógenes Pinheiro e Maria Estelina Pinheiro, embarcava com o Décimo Primeiro Regimento de Infantaria para a Itália, em setembro de 1944, a bordo do navio transporte americano "General Meigs " para tomar parte nas operações de guerra contra as tropas nazi-fascistas de Hitler e Mussolini. Alguns meses antes, servindo no 23º Batalhão de Caçadores, em Fortaleza, o jovem Sinval Pinheiro, durante o Campeonato Regional, participara de competições esportivas, obtendo consagradoras classificações: o primeiro lugar no voleibol e na corrida de 1500 metros, o segundo lugar no lançamento de peso e no salto de extensão, o terceiro lugar no pentatlo. Sua fama como atleta já era conhecida antes, nos tempos da Escola Militar, quando, no torneio de "water-polo" disputado contra os alunos da Escola Naval, em lance decisivo, assegurou, em 1941, a conquista da "Taça Henrique Lage". Não só como atleta, também como aluno - no último ano da Escola Militar, nos resultados finais, alcançara o sexto lugar da sua turma - Sinval Pinheiro sempre foi merecedor de elogios, tanto da parte de seus chefes, que lhe elogiavam o zelo e a competência, quanto da parte de seus colegas, pelo seu companheirismo e senso de solidariedade. Segundo o então Instrutor-Chefe da Arma de Infantaria, major Humberto de Alencar Castello Branco, o cadete Sinval, em manobras escolares, sabia estabelecer a coesão nos elementos e contribuir para a eficiência e o sucesso das ações. Da Escola Militar para o palco da guerra, essas características, reveladas pelo jovem cadete e apreciadas por seu instrutor, foram imediatamente postas à prova definitiva durante a Segunda Grande Guerra Mundial. Em junho de 1944, adia o seu casamento e é incorporado à Força Expedicionária Brasileira - FEB. 


Diva Borges Gadelha

Seu grande espírito de iniciativa, observado pelo major Castello Branco, impulsionando com serenidade e segurança todas as tarefas que lhe eram atribuídas, mesmo em circunstâncias adversas, revelou-se plenamente na guerra, quando, apesar de não ter o comando da tropa, o tenente Sinval prontificou-se a compartilhar na defesa de "Cappel Buso", assumindo o controle geral dos serviços de reconhecimento e observação. Mesmo sob cerrados bombardeios de artilharia e morteiros inimigos, o jovem Sinval não deixou de levantar preciosas informações acerca da origem dos tiros e da posição dos inimigos, informações vitais para facilitar o avanço das tropas aliadas. Materializava-se assim a percepção que o seu antigo instrutor adivinhara em sua conduta, em sua capacidade. Do mesmo modo, não mais numa competição esportiva, o jovem cadete na guerra ajudara a conquistar a taça da vitória, granjeando mais uma vez a reverência e a estima de seus camaradas. Terminada a guerra, com vinte e poucos anos de idade, o jovem tenente Sinval Pinheiro, em 1945, recebeu a medalha americana "Bronze Star". No mesmo ano e mês, foi-lhe conferido o título de membro honorário do IV Corpo do Quinto Exército Americano. Em agosto de 1945, o major-general comandante do IV Corpo Willis Crittenberger outorgou-lhe o uso da Barreta do Teatro de Operações Europeu. Em novembro de 1947 recebeu do governo brasileiro a medalha "Cruz de Combate" por ato de bravura, além das medalhas de Campanha e de Guerra. Retomando ao Brasil, casa-se em 03 de outubro de 1945 com Diva Borges Gadelha (cujo nome passa a ser Diva Gadelha Pinheiro), também cearense, filha de Meton de Alencar Gadelha e Maria Guiomar Borges Gadelha.


Os noivos Diva e Sinval

Sem jamais abandonar a sua carreira no Exército, retoma seus estudos, se forma como Engenheiro Geógrafo no Instituto Militar de Engenharia e gradua-se em Engenharia Civil pela Escola Nacional de Engenharia. Promovido a major, como topógrafo e geógrafo, participa no Estado do Paraná de diversas atividades relacionadas à preservação e defesa dos recursos naturais. Com o apoio do governo estadual, em 1956, publica, em parceria com o coronel João de Mello Moraes, o relatório "Primeira Expedição Científica à Serra de Paranapiaceba e Alto Ribeira". A partir de 1959, como Adido Militar, trabalhou junto ao Ministério das Relações Exteriores para a Comissão Brasileira Demarcadora de Limites, visando à solução dos problemas de fronteira com a Bolívia. Aos 40 anos de idade, pai de três filhos (Roberto, Paulo Ricardo e Sérgio) é admitido na Ordem do Mérito Militar e promovido por merecimento ao posto de tenente-coronel. Aos 43 anos, abruptamente o destino cortou-lhe o generalato: aos 23 de junho de 1964, um câncer, tardiamente diagnosticado, tirou-lhe a vida. Aos seus amigos e familiares, Sinval Pinheiro dizia que considerava como sua missão semear a união e o amor. Quem o conhecia, sabia do seu espírito religioso, da sua alegria, da sua cordialidade, da verdade e da sinceridade de suas palavras, da retidão de suas atitudes. Antes de provar a colheita, o semeador partiu, numa perda irreparável para seus filhos pequenos e sua mulher. De sua vida pode-se dizer que viveu um grande amor à Pátria e à sua família.

Depoimento de Paulo Ricardo Gadelha Pinheiro
O Ceará na Segunda Grande Guerra
Stenio Azevedo e Geraldo Nobre


Imagem congelada, retirada de um filme do You Tube, sobre a atuação da FEB na 2ª Guerra Mundial.
Sinval Pinheiro é o último à direita, na fila detrás.

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As Origens
Força Expedicionária Brasileira
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