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FORÇA EXPEDICIONÁRIA BRASILEIRA |
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Aramis
Guimarães |
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Nasceu em Ponta
Porã-MS, em 20/01/1922, filho de Armindo Vaz Guimarães e de Olímpia Mattos
Guimarães. Por ocasião da Segunda Guerra Mundial alistou-se como
voluntário, no 9º BE Comb em Aquidauana-MS. No Teatro de Operações, na
Itália, Aramis foi um dos sapadores mineiros que compunham o "esquadrão
suicida" da FEB. Retornando ao Brasil, Aramis trabalhou nos Correios por
um tempo, mas sua maior vocação era ser fazendeiro, comprando e vendendo
gado. Sempre morou em Campo Grande-MS. Casou-se com Iracy Débora da Silva,
com quem teve três filhos: Analice Silva Guimarães Guerra Amarilho (sem
filhos); Carlota Luiza Silva Guimarães Domingues (mãe de Victor Alexandre,
Gabriel Henrique e Fernanda Beatriz - esta última, mãe de Lívia Beatriz;
Carlota é mãe pelo coração de Daniele Cristina, que por sua vez também lhe
deu um netinho: Vinícius); Luiz Fernando Silva Guimarães (pai de Thaís
Fernanda, Bruno Henrique e Guilherme). Sócio atuante da Associação dos
Veteranos da FEB, uma das lembranças mais tocantes citadas por seus
filhos, foi quando do falecimento de Aramis Guimarães, em 30/04/1991. Seu
caixão foi conduzido por ex-pracinhas da FEB seus amigos e companheiros de
luta, já velhinhos, acompanhados de seus familiares. |

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SEU GUIMA, MEU PAI... Quando eu nasci, como diziam, era a raspinha do tacho, pois meus pais já estavam em idade avançada, minha mãe com quarenta e um anos e meu pai com cinqüenta e dois. Sempre fui criada como a menininha do papai, e tudo que eu pedia você me dava - se bem que antes, sempre me olhava de cara feia. Quando você ia para a fazenda, eu ficava com saudades, e quando voltava, minha mãe me deixava dormir no meio de vocês, para que pudesse matar a saudade... Os anos foram passando e eu sempre lhe amando cada dia mais, meu pai-herói. Não me cansava de falar na escola que você tinha ido à Guerra - nem sabia o que era Guerra nesta idade - mas sabia que era algo importante, pois você, meu pai, foi e voltou vivo. Sempre na sua, não era muito de carinho, nem era muito chegado em abraços, em tirar fotos, essas coisas. Hoje eu sinto que deveria ter insistido mais. Como, no entanto podia adivinhar que meu herói não iria viver para sempre? Você gostava de tomar coca-cola depois da sesta da tarde, sempre me pedia para ir à venda comprar. Eu adorava quando chegavam as férias escolares, pois você sempre nos levava para a fazenda e eram dias mágicos. Você mandava separar o cavalo mais manso para sua caçulinha andar... Depois, quando fiquei "aborrescente", não queria mais ir nas férias para a fazenda. Como fui tola, eu achava que meu pai-herói era eterno e que existiriam outras oportunidades... Sempre comparecíamos aos eventos na Associação dos Veteranos e eu amava escutar os relatos de seus companheiros, do quanto foi valente, pois você era desativador de minas. Imaginam o que é isso? Ir à frente de todo um batalhão procurando minas prestes a explodir... No final de janeiro de 1991, quando você foi para a fazenda e voltou mais magro, nós estranhamos. Apesar de certa idade, você era um homem forte e tinha saúde de ferro. Já era seu inimigo mostrando as garras: o câncer. Eu contava apenas dezessete anos nesta época; não queria acreditar no que estava acontecendo: meu herói definhando em um hospital e a batalha perdida. Um pouco mais de três meses depois meu chão desabou. Eu estava no quarto quando escutei seu último suspiro. Meu herói finalmente descansara, aos 69 anos! Desde então, permanece um vazio em meu coração, que nunca mais será preenchido.
Em 1992,
encontrei um homem parecido com você; chego até a me assustar com as
mesmas manias, acho que é bem coisa de "milico" mesmo. Somos casados e
felizes até hoje. Não temos filhos... Também não me casei na igreja,
somente no civil, pois não teria forças, Seu Guima, para entrar na Igreja
sem seu braço forte me sustentando...
Em 1998 me
formei em Administração; meu esposo dançou a valsa comigo; se você
estivesse vivo, eu teria dois padrinhos para dançar a valsa.
Seu Guima,
metade da minha vida já passei sem você ao meu lado, fisicamente falando,
mas sempre em meus momentos de angústia, converso com você e sei que me
ouve, que cuida de mim... Uma das lembranças que guardo com carinho são
suas medalhas da época da Guerra. Se um dia eu tiver filhos, eles saberão
o grande homem que o avô foi. Homem de coração bom, que amou meus irmãos
como se fossem filhos de seu próprio sangue e, graças a este gesto tão
lindo, hoje os Guimarães tem uma descendência. Sempre falo com meu esposo
e com outras pessoas sobre você, e parece que falo no presente, como se
estivesse aqui. Já se passaram dezessete anos - e como estes anos foram
doídos para mim! Seu Guima, um dia nos encontraremos, com certeza. E
andaremos à cavalo novamente... TE AMO.
Sua filhinha
caçulinha... |

As Medalhas de
Campanha
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Seu Guima,
Aramis Guimarães... Meu Pai! Qualquer desses
nomes pra mim é a mesma coisa... Pena que saiu da minha vida tão cedo e
não acompanhou o crescimento dos netos. Quando ele nos deixou, minha
caçula tinha quase dois anos, o mais velho quatro anos - e foi o que mais
sofreu. Como pai sempre foi sério, meio distante, mas me ensinou muito,
mesmo dessa distância. Pontualidade era com ele, caráter e honra; não que
era sem defeitos: tinha os seus, mas para mim o que importa são suas
qualidades. Uma coisa que me marcou muito foi seu jeito em cima daquele
cavalo - parecia um príncipe... Quando adoeceu, o pessoal da Associação da
FEB foi visitá-lo e disse: - "Aramis você foi na guerra,
lute". Ele
respondeu: - "Contra esse inimigo não tenho armas". Entendi ali que
seria o seu fim. Quando faleceu, parecia meu príncipe do
cavalo. Meu
pai, meu herói, meu confessor (hoje em dia). Você não viu sua
família crescer. Hoje você tem até bisnetos... Está vindo mais um. Sei que
de onde você se encontra, você está cuidando. Orando por nós. Amo muito
você e não vou deixar ninguém lhe esquecer, pois você ainda vive aqui,
junto a sua família. Todos nessa casa sabem quem você foi e é. Avô amado,
que um dia, por infelicidade dos homens foi para uma guerra horrível.
Nessa guerra perdeu amigos e entendeu do que a humanidade é capaz. Lembro
seus medos: a panela que caía parecia o som da bala que saía da arma que
você treinava e ouvia. Dizia que um animal vale muito, porque enquanto
esperavam, vinham os cachorros que eram distração... Bolacha trazia
lembranças, canivete era arma, mas depois virou instrumento de trabalho;
para esquentar o pé nada melhor do que papel; o frio - nada melhor para
lembrar da casa... Contava que queria lembrar do cheiro de terra... Cheiro
de óleo queimado era o cheiro dos tanques e jipes... Hoje, vejo que as
pessoas falam de guerra como se não fosse nada. Vivenciei o que uma guerra
deixou marcado no meu pai... Carlota
Guimarães |
Família
Guimarães
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SEU GUIMA... Já está fazendo
um ano que o senhor nos deixou. Às vezes, a saudade aperta, mas não adianta mais, só nos
resta chorar e rezar. Filhos a gente não escolhe. Ele nos manda e a gente
cria, mas o senhor nos escolheu, e mesmo quando Deus nos mandou um
presente, o senhor não nos fez diferentes. Continuou ensinando,
respeitando, amando: nós é que não víamos. Mas o tempo também é bom
professor, só que quando a gente aprende, o tempo não nos deixa voltar. Só
nos resta consertar dali em diante. Mas o tempo resolveu nos pregar mais
uma peça: quando descobrimos o professor em casa, já estava na hora de
mudar de sala. E, agora, só nos resta dizer: - "Tchau, Seu Guima! Um
dia a gente se vê, se Deus quiser".
De seu filho Luiz Fernando Silva Guimarães |
Informações de Roberto Graciani:
Partida para a
Itália: 22/09/1944
Retorno ao Brasil: 17/09/1945

"Seu"
Guima

Dona
Iracy
Um Herói nunca morre!
Simples História de um Homem
Simples
As Origens
Força Expedicionária Brasileira
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