FORÇA EXPEDICIONÁRIA BRASILEIRA


WALDOMIRO BAPTISTA ALCÂNTARA

Marinha

 

Eu me chamo Eisenhower e ele,
o Herói de Guerra, era meu pai... 


Nascido lá no interior das Gerais, num bairro rural, como todo menino sadio, cresceu cheio de sonhos. Andou de pé no chão, nas estradas de ouro, nas areias finas. Subiu nas árvores, caçou passarinhos e, um dia, foi-se embora. Queria conhecer a cidade grande, o mar. Mal chegando, foi tirar os documentos, ser gente. E já o alistaram na Marinha, deram-lhe uma farda, um sapatão e puseram-no num navio. Era o ano de 1942. Ele tinha apenas 18 anos e o mandaram para servir de bucha de canhão lá na Europa. 
Contava-me, anos depois, que ficara enterrado nas trincheiras, com água até a cintura, mais de 24 horas sem dormir. Um frio desgraçado, as bombas estourando e uma titica de ração.  De vez em quando matava uns bosches: era a ordem! Acabaram conquistando um morrinho safado lá na Itália... 
Ferido em batalha, puseram-no num navio-hospital e o levaram pros States. No meio do caminho encontraram um comboio. Lá estava um general: o Eisenhower, que ia fazer o desembarque na Normandia. Deram aos feridos umas medalhinhas e a recomendação que deveriam ser sempre bons cidadãos, pois haviam lutado contra o fascismo, a guerra, um mundo injusto e um montão de coisas mais...  

Aqui chegando, foi prá São Paulo trabalhar como motorista; casou e teve um filho. Deu a esse filho o nome de quem o havia condecorado, pois afinal alguém havia reconhecido seu valor. 

Um belo dia foi internado.
A neurose de guerra aflorou e foi considerado um perigo à sociedade. Internaram-no. Passou três anos no manicômio judiciário, levando choque elétrico (a terapia de então), sob os cuidados do Estado que ajudara a defender.
Nunca recebeu uns trocados da FEB, da Marinha, ou de quem quer que seja! Desfilava no 7 de setembro, todo orgulhoso, com seu uniforme branquinho e a medalha no  peito. Na parede da sala de jantar o  diploma de  herói de guerra - seu único diploma.

Retirou-se da vida da cidade grande e voltou pras Gerais, para o lugar onde havia nascido. Lá viveu até o fim de seus dias. Aos 82 anos, no último dia 13 de maio, seu coração parou e ele se libertou. Partiu de encontro ao Senhor, que a ele aparecera em sonhos e delírios, e dissera para ficar quietinho em sua terra natal, que um dia viria buscá-lo.

Eu me chamo Eisenhower e ele,
o Herói de Guerra, era meu pai...

Hoje bateu a saudade e escrevi estas linhas. É assim  que o Brasil trata sua gente. Desculpem-me, mas estava com esse nó preso na garganta.

Eisenhower de Alcântara
E-mail: eisenhower1@terra.com.br

 

Minha Homenagem

Recebi esse texto, em pps formatado por Jesus Prado Amador, e ele me tocou profundamente. A vida desse pracinha é bem igual a tantas milhares de outras vidas desse Brasil. Waldomiro Baptista Alcântara era filho de Manoela de Jesus e João Baptista de Alcântara. Nasceu em Guardinha, distrito rural de São Sebastião do Paraíso/MG, e faleceu no dia 13 de maio de 2006. Casou-se com Antonia Amaral Alcântara e teve um filho único: Eisenhower de Alcântara. Entrei em contato com seu filho e lhe pedi dados e autorização para criar essa página. Eu não poderia deixar de divulgar seu desabafo. Sua coragem ao fazê-lo só o dignifica e exalta seu pai, que viveu, sofreu, lutou, sobreviveu e morreu desamparado e esquecido por nossos governantes. Nossos pais foram todos Heróis de Guerra. Heróis de uma Guerra que não entendiam, na qual lutaram sem saber porque e nem para que, mas não fugiram do seu destino. Pertencentes a uma FEB desfeita pela arrogância de um ditador - que tão facilmente conturbara a existência de milhares de brasileiros inocentes - retornando ao Brasil, os nossos pracinhas, esquecidos e amargurados, doentes e abandonados, mesmo assim ainda se orgulhavam de sua história. O desprezo recebido pelos nossos ex-febianos compõe uma das páginas mais injustas de nosso país. Representam o descaso e o desrespeito pelo nosso povo: descaso e desrespeito históricos nesse imenso "País do Carnaval".

Maria Auxiliadora Mota G. Vieira

Um Herói nunca morre!

Simples História de um Homem Simples
As Origens
Força Expedicionária Brasileira
l
1 l 2 l 3 l 4 l 5 l 6 l 7 l 8 l 9 l 10 l 11 l 12 l 13 l 14 l 15 l 16 l 17 l 18 l 19 l 20 l
l
21 l 22 l 23 l 24 l 25 l 26 l 27 l 28 l 29 l 30 l 31 l 32 l 33 l 34 l 35 l 36 l 37 l 38 l 39 l 40 l
l 41 l 42 l 43 l 44 l 45 l 46 l 47 l 48 l 49 l 50 l
51 l 52 l 53 l 54 l
55 l 56 l 57 l 58 l 59 l 60 l
l
61 l 62 l 63 l 64 l 65 l 66 l 67 l 68 l 69 l 70 l 71 l 72 l 73 l 74 l 75 l 76 l 77 l 78 l 79 l 80 l
l
81 l 82 l 83 l 84 l 85 l 86 l 87 l 88 l 89 l 90 l 91 l 92 l 93 l 94 l 95 l 96 l 97 l 98 l 99 l 100 l
Homenagens aos Heróis
Saudade
A vida felizmente pode continuar... 

 

 

 

Voltar

| Home | Contato | Cantinho Infantil | Cantinho Musical | Imagens da Maux |
l
Recanto da Maux | Desenterrando Versos | História e Genealogia l
l
Um Herói nunca morre l Piquete - Cidade Paisagem l
MAUX HOME PAGE- designed by Maux
2003 Maux Home Page. Todos os direitos reservados. All rights reserved.