FORÇA EXPEDICIONÁRIA BRASILEIRA



Carta para o Cemitério Brasileiro de Pistóia
Quadra: ?
Sepultura: ?


Belo Horizonte, 30 de junho de 1958

Saudoso amigo José

Lembrei-me, hoje, muito de você. Quedei-me um pouco de minhas tarefas e pus-me a pensar... Retrocedi no tempo, há mais de 13 anos, quando juntos combatíamos o domínio alemão, nessas terras onde você repousa para a eternidade. Neste passe mágico, que somente a lembrança nos conduz, vi-me ao seu lado: inicialmente no Morro do Capistrano, na Vila Militar, em exercícios... (pesados exercícios); “pegando o rancho”; desfilando no dia da Parada da Despedida... (que emoção!!!).
Nosso adeus era em silêncio e com o olhar a tudo que, para nós, representava Brasil.
Eu sentia que você tinha vontade de gritar a todos, que a todos amava e que por todos entregaria sua vida, afim de que, no Brasil, tudo continuasse com a mesma Liberdade e o mesmo espírito bonachão de nossa gente, esta raça Tupiniquim, livre como os pássaros e expansiva como os próprios ventos.
Embarcamos. Você tinha lágrimas nos olhos. Quis falar-me a respeito de sua mãe, de seus irmãos, porém, julgou muito bem, que não tínhamos mais o direito de claudicar: a honra do Brasil acima de tudo!
Aí, na Itália, a falta de conforto era a nossa melhor companheira. Passavam-se as horas e mais se aproximava o momento de nosso Batismo de Fogo; lá um belo dia (seria mesmo um belo dia?), fomos informados pelo comando, de nosso deslocamento para a Zona de Riola. Os “peixes podres” se sucediam.
Lembro-me, muito bem, de quando tivemos a notícia da morte do Francisco... Aliás, sua família, até hoje, anda sempre em dificuldades. Perdeu um filho tuberculoso pois, sua esposa não tendo recursos e solicitando a proteção do governo, ficou na expectativa, esperando... esperando, até que, não resistindo, a criança morreu.
Bem, voltemos às minhas lembranças. Na Zona de Riola, chegamos à noite, carregando, Deus sabe como, um amontoado de coisas, num peso irresistível. Não sei como você agüentava galgar tanto morro com aquela mochila, depois de um dia que talvez nem o diabo tivesse vontade de andar... Entrando também pela noite, tomamos as posições no “front”. Tudo era silêncio. Todos tinham vontade de melhor elevar o nome do Brasil. Passamos a noite com o dedo no gatilho, na expectativa de um contra-ataque do “tedesco”  - que ao final já aspirávamos, para por um ponto aquela angústia interminável. Durante a noite, a Lurdinha “rasgou pano” como nunca, em nosso setor esquerdo, forçando o recuo de nossos valorosos companheiros que, cumprindo missão, saíram em patrulha. Os canhões, em voz tonitruante, atiravam por sobre nossas cabeças as suas balas, num cochicho impressionante, e mostravam, perfeitamente, a dura missão a que estávamos empenhados. Raiara o dia. Você, eu, bem como os demais, nos interrogávamos: encontrávamo-nos mesmo naquele inferno ou seria aquilo um pesadelo? Talvez você ignore, ou melhor, penso que não, pois trata-se de um de seus companheiros de sacrifício, de um dos “17 de Abetaia”. Falo a respeito do Ereny da Costa... o Ereny, aquele soldado muito disciplinado. Tombou varado por uma rajada inimiga. Foi encontrado coberto de neve, junto de vocês e de dedo em riste. Morreu como um gigante!
Outro nosso grande amigo, Frei Orlando, foi morto quando regressava de uma missa que fora celebrar em nossas posições. Se contássemos aos nossos conterrâneos que ouvíamos missa no “front”, haveriam de nos julgarem folgados; não é um fato? Deixemos que assim o sintam, porém, nós sabemos, perfeitamente, como arranjávamos os altares nos “bucos”.
Ao seu lado, você tem inúmeros e heróicos amigos que, representando o Estado do Brasil, ilustram de maneira mais que brilhante, a contribuição de nosso País à defesa da dignidade humana.
Deixe-me recordá-los:

Manoel Chagas (Amazonas) - Miguel Souza Filho (Acre) - Maurício de Araújo Martins (Pará) - Manoel Eduardo de Souza (Piauí) - Clóvis da Cunha Pais (Ceará) - Manoel Lima de Paiva (Rio Grande do Norte) - Adalberto Candido de Melo (Paraíba) - Joaquim Xavier da Lira (Pernambuco) - Eduardo Gomes dos Santos (Alagoas) - Lino Pinto dos Santos (Sergipe) - Humberto Alves Nogueira (Bahia) - Pedro Mariano de Souza (Espírito Santo) - Marcelino Lourenço (Estado do Rio) - Gildo dos Santos Pereira (Distrito Federal) - Francisco de Almeida (Estado de Minas) - Sebastião Garcia (Paraná) - Ramis Mendes (São Paulo) - Lourenço Filho (Santa Catarina) - Vital Fontoura (Rio Grande do Sul) - Abel Antonio Mendanha (Goiás) e Laurentino da Silva Nonato (Mato Grosso).

Cada um tem uma história digna de nosso orgulho! Talvez você esteja interrogando-me a respeito do Cruz, aquele motorista. Pois, saiba: o Cruz foi ferido por explosão de um 105 e continua vivo... Para os que sentem, como nós, as cousas da guerra, ele está apenas, com cicatrizes que o tornam mais belo. Porém, para os civis ele deve ser um monstro. Tenho certeza, você se o tocasse, orgulhar-se-ia em senti-lo sem braços, sem um olho, sem queixo, com algumas pregas na pele do peito e, melhor ainda, com um moral elevadíssimo.
Os que não tomaram parte na guerra, nunca poderiam... Bem, não façamos cogitações.
Há tempos, encontrei-me com a esposa do Carlos, o Sargento Carlos, nosso grande parceiro de prosa. Quando ele faleceu, ai no “front”, deixou 5 filhos. Sua esposa teve inúmeras dificuldades em educá-los (hoje esbeltos rapazes). Acontece entretanto, que tristonhos julgam infrutífera a morte do pai na guerra. Eu conheço o drama em que vivem.
Você compreende... As escolas não mencionam nenhum fato da guerra, não incutem no espírito da juventude aquele amor às tradições, não apresentam como exemplos de Brasilidade os que combateram; enfim, tornam desconhecidas das crianças, as vidas sacrificadas em prol da Pátria e da Liberdade. Por incrível que pareça, outro dia perguntei a um jovem de 17 anos se ele já ouvira comentários a respeito da participação do Brasil na Guerra e, como resposta, obtive uma negativa e um sorriso. E... que sorriso inconseqüente! Tivemos inúmeras vitórias e fizemos um grande número de prisioneiros. Milhares!!! Mas, como ninguém é profeta em sua terra, há quem diga que os alemães já se encontravam ansiosos por se tornarem prisioneiros, sendo este o motivo de sua capitulação em massa. Não sei, José, como podem pensar em tamanha calamidade. Você sabe que, para se chegar ao final a que chegamos, defendendo a integridade e colhendo glórias para o Brasil, muito sangue se derramou, muitos lares foram desfeitos e incontáveis atos de heroísmo foram praticados. Em julho de 1945, regressamos ao Brasil. Vocês ficaram em Pistóia, outros foram para os hospitais, EE UU e muitos trouxeram para a Pátria uma alma amargurada, abrigada em um corpo não menos contundido pelas peripécias da guerra.

Ao chegarmos ao Rio, houve uma recepção apoteótica, bastante emocionante. Uns não encontraram seus pais, outros não puderam rever irmãos, esposas e filhos. Era um quadro misto de dor e alegria, onde se fundiam lágrimas e risos. Entre nossos patrícios, corria a notícia de que regressávamos ricos. José, você já viu alguém ter uma importância de Cr$27 000,00 (total de nosso terço de campanha), economizada durante meses, considerar-se rico? Com este cartaz de riqueza fomos assaltados em plena Rua Larga, aqui no Rio, onde os comerciantes menos escrupulosos vendiam aos menos experientes, por preços exorbitantes, objetos de que não tínhamos necessidade. Em São João del Rei, foram vendidos relógios e outras quinquilharias aos expedicionários, por três vezes mais que o preço normal. Nós respeitamos nossos vencidos e fomos saqueados em nossa própria terra. Houve a dispensa geral dos participantes da guerra, sem vistoria médica, e regressamos aos nossos lares onde, para a maioria, estava reservado o fel mais amargo da vida. Muitas histórias tristes poderia eu lhe contar sobre o desenrolar de fatos, afeitos aos nossos colegas e familiares. Desajustamentos, incompreensão, ilusão e desilusão, perda de controle mental e intolerância, foram peças que se ajustaram, perfeitamente, para levar à loucura, suicídio e excessos alcoólicos, nossos incompreendidos companheiros.

Caríssimo amigo, você está cansado de ouvir-me, ou melhor, de ler este meu desabafo? Aprume seus ossos, pois vou mais além. Um momento, José. Deixe-me tirar uma baforada no meu cigarro... (quase me queimei o bigode!). Continuemos. Não me esqueço das nossas reuniões em Pisa, Granaleone, Porreta, Sila e Bombiana, quando cantávamos Lili Marlene, Barril de Chopp e aquelas músicas, tocadas na vitrola, do Jorge Veiga (Quero uma mulher que saiba lavar e cozinhar); Carlos Galhardo (Rosas de Maio, doce poema); Francisco Alves (Brasil, terra boa e gostosa...) e, quase posso ouvir o Orestes Abraão cantando “Hoje estou abandonado, por aquela mulher, que foi minha perdição...” Quanta saudade!

Mudando de assunto, você se lembra do Prefeito de Belo Horizonte, em 1942, o Dr. Juscelino Kubitscheck? Saiba você, ele hoje é o Presidente da República, depois de uma campanha política, aliás, bastante vitoriosa; com um intermezzo dramático, tomou posse democraticamente, do governo. É um ótimo Presidente. Dinâmico, realizador e tem dado bastante atenção às petições dos Expedicionários. O Sr. Presidente da República colocou no Ministério da Guerra um enérgico General. Trata-se do General Henrique Duffles Batista Teixeira Lott. Você se lembra deste homem?

No nosso tempo, na Vila Militar, ele era tido como um militar de excepcionais qualidades, reto e justo. Seu posto naquela época era de Major. Este General hoje, é um grande amigo nosso e tudo faz para que dentro de seu Ministério o ex-combatente tenha assistência condigna. Temos inúmeros amigos bons. Poderia lhe citar outro oficial, que pela dedicação a nossa causa não poderia ficar ausente nesta minha carta. É o General Lima Câmara.

Após nosso regresso, fundamos a Associação dos Ex-Combatentes do Brasil. Esta Associação congrega todos os ex-participantes do corpo expedicionário, as três armas, com a finalidade de não deixar desaparecer a lembrança de vocês e a grande fraternidade que nos uniu no campo da luta. Sempre nos encontramos e nos abraçamos. São os nossos melhores momentos, os momentos de nossos contactos. Não existe, entre nós, diferença de graduação ou posto. Somos uma só alma. Somos apolíticos, porém, sempre assediados por políticos oportunistas que se valem das necessidades naturais e prementes de muitos dos nossos colegas, afim de usufruírem votos, sob promessas de uma ajuda que nunca se concretiza. O governo sancionou diversas leis em nosso benefício e muitas não são cumpridas, aliás, as mais eficientes. Os jornais sempre as publicam, porém, nunca se puseram em campo para verificar se as mesmas são postas em prática.
Para lhe dizer a verdade, hoje somos pessoas socialmente incomodas. Não usufruímos de nenhuma simpatia.
Há razão para isto e eu lhe explico: somos muitos e quase todos com uma situação a regularizar. Os que se encontram em situação privilegiada não se incomodam com os mais necessitados. Poderiam prestar um pouco de colaboração! O governo vota as leis e estas não são executadas. Há clamor por parte dos pseudo beneficiados. O povo comenta que não temos razão, porquanto as leis foram sancionadas, etc. e assim caímos num círculo vicioso e deste ao círculo antipático. É o prêmio, José. A guerra já terminou há treze anos e esqueceram-nos rapidamente. Muitos feridos de guerra foram reformados. De acordo com as leis, parte destes recebeu uma casa doada pelo governo. Aqueles que foram atingidos pela reforma, tiveram a situação normalizada. Porém, há uma maioria, a dos deslocados, inadaptados, inadaptáveis por conseqüência da própria guerra, que sofrem amargamente. Pelo visto, já o sinto mais feliz que nós outros, meu caro José. Você, talvez, nunca receberá uma folha informativa tão longa quanto esta. Poderei continuar ou estou lhe sendo incomodo? Um momento, José, bateram-me à porta e irei verificar...

Aqui estou, novamente, com uma grande novidade para você e veio na hora! O Brasil venceu a Copa Jules Rimet, o maior prêmio mundial em disputa de futebol. Somos os Campeões Mundiais. Temos um time maravilhoso! Para lhe dizer a verdade, nunca tivemos uma equipe tão esmagadora quanto esta. Meninos novos, ótimos profissionais, demonstraram no exterior o valor esportivo do Brasil. O Campeonato foi realizado na Suécia. Nossos representantes passaram pela Itália e estiveram ai, pertinho de vocês. Na certa lhes fizeram uma visita, pois são briosos e não poderiam deixar de levar, pessoalmente, a vocês, um pouco de nossa saudade e reconhecimento. Mas, como ia lhe dizendo, o jogo final (Brasil x Suécia) foi de 5x2 favorável ao Brasil. Houve carnaval com a Vitória. Os jornais estampam manchetes calorosas. Eu sou admirador do time. Sinto não levar pessoalmente, a todos eles, meu abraço e felicitá-los. A imprensa publica fotografias, as mais empolgantes. São fotos emocionantes de gols fantásticos. A torcida e a Imprensa Européia ovacionaram nossos homens, delirantemente. Estão programando a chegada dos craques, com uma recepção estrondosa. O time todo vai ser agraciado pelo governo com medalhas de ouro; vai ganhar inúmeros prêmios, não se falando da importância de Cr$260.000,00, televisão, imóveis, etc. e etc.

Faz-me lembrar nossa chegada ao Brasil, pelo contraste. Não fomos à Europa esportivamente. Fomos cumprir um dever de honra: “Viver ou Morrer”. Não fomos, caro José, sob remuneração e, tampouco, sob condições de tratamento especiais. Fomos para morrer! Não tivemos coberturas jornalísticas. Não tivemos irradiações nas batalhas e uma legião de fotógrafos atrás de nossos pelotões, na linha de frente, registrando a morte e o heroísmo de A ou B. Não impuseram nenhum “Sine Quanon”. Embarcamos, morremos, regressamos e ... bem, acima já comentei. À chegada, fomos explorados ao embarque, entramos em nossos lares pulverizados pelas necessidades, recebemos os abraços daqueles que mais nos ansiavam e, depois, caímos no ostracismo. Dizendo mais, há famílias que não receberam nem as medalhas de bronze (sim, de bronze), pela perda de seus diletos filhos.
Àqueles que trocaram a vida pela honra da Pátria, foram dados, como prêmio, o esquecimento, o tripúdio e a miséria. José, você se sentirá muito feliz em sua condição de morto, ao ter conhecimento destes fatos. Muitos de nossos companheiros têm sido encontrados mortos na via pública; foram presos em distritos policiais ou enxotados pela aparência pouco recomendável.
Conceda-me uns minutos, somente. Esqueci-me de que sou humano e há bastante tempo estou conversando com você... Espere-me! Cá estou, meu irmão, prossigamos...
Você conheceu o Xisto Nogueira? Não se lembra? O “Juriti”. Agora você se lembrou... Pois bem, o Juriti gostava de, vez ou outra, de uma “grapa” e naquele estado de, nem bem nem mal, dizia ao sargento: “Pra riba de mim não sargento!” Com tudo isso, foi um ótimo soldado, cumpridor de seus deveres de combate. Com “Pé de Trincheira” foi evacuado para o Brasil, com uma situação indefinida que só foi regularizada após 12 anos. Vivia às expensas da Associação. Morreu na via pública. Recolhido ao necrotério, como indigente, teve da Associação toda a assistência, incluindo roupa mortuária e enterro. Sua esposa, D. Judith, com três filhos menores, pleiteou uma colocação de servente num estabelecimento público do Estado de Minas Gerais e, nomeada diversas vezes, viu-se impossibilitada de tomar posse, por interceptação de afilhados políticos, somente o fazendo após 2 anos e, mesmo assim, por ocorrência constrangedora para nós, no Palácio do Governo.
Este fato vem, em paralelo, demonstrar o que acontece atualmente aos homens que trouxeram o troféu Jules Rimet. Caríssimo amigo, não sou contra as concessões feitas a esses homens do time nacional. Em absoluto! Acho que são figuras merecedoras de nossos aplausos, esportivamente falando. São cidadãos com uma situação financeira perfeitamente definida profissionalmente, com um futuro mais que garantido a si e a seus familiares. Entretanto, àqueles que imolaram suas vidas, a fim de que dentro de um clima de liberdade, toda a livre iniciativa, inclusive o esporte, pudessem florescer como vem acontecendo; àqueles que inaptos por ferimentos de guerra ou por psicoses, provenientes dos próprios impactos do combate, a consciência brasileira legou ao esquecimento.
Enquanto que, aos esportistas são concedidos o máximo de donativos luxuosos, residências, educação de filhos a ser votada pelo Senado, indumentárias, transporte próprio e medalhas de ouro (condecoração imediata), o ex-combatente e família se vê obrigado a esmolar o direito adquirido por leis, a entrar em filas de modestas casas da Fundação da Casa Popular, estando estas ainda na dependência das necessidades, números de filhos e possibilidades financeiras.

Porque, caríssimo herói, não encontramos patrocinadores à nossa causa? Contam-se nos dedos de uma só mão, unidades da imprensa que pugnam em nosso favor. Todos são unânimes em dizer que temos direito, somos merecedores, etc. Estamos aguardando que a voz da razão, impressa energicamente em uma folha de papel, grite e mostre à mentalidade brasileira, as disparidades ora cometidas. A sua morte e a dos demais exigem outro tratamento. O sangue que vocês derramaram não se coagule, enquanto não lhes derem a tranqüilidade do cumprimento das promessas. Não queremos luxo. Necessitamos sim, de uma compreensão sincera aos nossos problemas mais simples, mais naturais e mais dignos. Temos herdeiros de heróis, seiva do futuro, fundo moral de nossa Pátria. Que o Brasil saiba valorizá-los. A todo o momento lemos e ouvimos, com profunda amargura, tópico como estes: “Estes homens (22 craques) fizeram para o Brasil mais que as embaixadas ou comitivas - Abriram ao Brasil as portas da fortuna - Tornaram o Brasil conhecido e respeitado - Agora o mundo conhecerá que a capital do Brasil é Rio de Janeiro”, etc.
Ora José, será que, ao demonstrarmos nosso espírito democrático, juntando nosso sangue ao dos demais povos; somando nossas perdas de homens, às baixas sofridas pelos aliados; desamarrando as peias que tolhiam o povo sincero da Itália e demais povos oprimidos; levando de vencida o inimigo atarracado às posições mais difíceis no campo de luta, será que, com tudo isso, não conseguimos fazer este País respeitado? O prestígio de um país não se decide em canchas esportistas e sim em maratonas cívico-espirituais, onde a grandeza do caráter seja moldado nos cadinhos do brio, da instrução, do amor à Pátria e mútuos sentimentos.
Desculpe-me, José, entristeci-o? Quem sabe, fiz mal em lhe tirar a tranqüilidade, nesta santa mansão? Deixe-me terminar... Pois bem, antes que se esbanjem gentilezas, poderia nosso povo lembrar-se de inúmeras famílias, descendentes de heróis, ainda sem nenhum amparo, público ou particular. Se na balança do conceito, entre Sangue de Expedicionário derramado na luta e Troféu Jules Rimet, for mais meritório e engrandecedor este, prezadíssimo amigo e irmão, não me faça esperá-lo. Leve-me às suas companhias pois, acredito, nada mais possa me interessar; nada mais me fará digno de mim mesmo e nada mais salvará da falência, o Amor Patriótico que dedico a este querido Brasil.
Obrigado, amigo, obrigado por ter paciência. Você me compreendeu, você é um expedicionário. Queira agora descansar. Que Deus lhe dê o repouso eterno e o recompense, regiamente, das agruras por que passou nesta vida. Seu irmão de guerra,

Dr. Otton Arruda Lopes
3° Sgt da 6ª Cia

Texto gentilmente cedido por Roberto R. Graciani,
pertencente ao arquivo de seu pai Raul Graciani.

http://www.anvfeb.com.br

 

Um Herói nunca morre!

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