FORÇA EXPEDICIONÁRIA BRASILEIRA

 


1957 - Brigadeiro Intendente da Aeronáutica, atingiu o generalato da mesma Força Armada

OVÍDIO ALVES BERALDO
Major Intendente/BO-4082

 

 


Ovídio Alves Beraldo - 1920
"O jovem que, cheio de fé no próprio destino e fé em Deus, ia tentar a escalada da carreira militar".

Ovídio Alves Beraldo nasceu em 22/07/1902, na cidade de Taubaté-SP, filho primogênito de José Alves Beraldo e de Maria Augusta Alves Beraldo. Casou-se com a Alcina Ribeiro Beraldo, com quem teve quatro filhos: Wayr Augusto (Engenheiro), Nylze (Contadora), Iná (Contadora) e Kenio Alcyr (Cel. Intendente da FAB). Faleceu no Rio de Janeiro, em 17/10/1978. Ovídio sentou praça no Exército em 29/11/1920; no posto de Capitão tornou-se Oficial de Gabinete do Ministro da Guerra, Gen. Eurico Gaspar Dutra. Em 1942 transferiu-se para a recém-criada Aeronáutica, ainda como capitão. Ocupou, na segunda Guerra, a função de Chefe do Serviço de Intendência. Recebeu treinamento em Orlando, Panamá, Suffolk e Itália. Em 07/01/1945, regressou ao Brasil, continuando na FAB. Ocupou as funções de Oficial de Gabinete do Ministro da Aeronáutica, Brig. Nero Moura; Diretor Geral de Intendência, Diretor do DCI, chefe do serviço de Intendência da DIRMAB, sub-diretor de Provisões de Intendência, sub-diretor de Finanças e chefe do Gabinete da Direção Geral de Intendência. Transferiu-se para a reserva remunerada no Posto de Ten. Brigadeiro Intendente, em 15/01/1962. Durante o período pós-guerra, exerceu o magistério militar no Exército e na Aeronáutica; foi instrutor na Escola de Aeronáutica dos Afonsos, na ECEMAR e na Escola de Aperfeiçoamento de Oficiais de Cumbica (SP). Na vida civil, diplomado como Doutor em Ciências Econômicas, pela Faculdade de Ciências Econômicas do Rio de Janeiro - Universidade Federal da Guanabara (atual UFRJ) - tornou-se professor catedrático de Ciência da Administração da mesma faculdade. Recebeu as seguintes condecorações: Campanha da Itália, Campanha do Atlântico Sul, Medalha Militar de ouro e passador de platina com 4 estrelas, Cruz de Aviação Fita B, Mérito Santos Dumont (prata), Ordem do Mérito Aeronáutico (Comendador), Medalha do Pacificador, Ordem Nacional do Mérito (Paraguai), Medalha de Ouro San Martin (ouro - Argentina) e Presidential Unit Citation (EUA). Completou vários cursos militares: Curso de Formação - Curso de Estado Maior e Serviços da Aeronáutica e Curso Superior de Guerra; Cursos de "Finance Officcer" e "Fighter Cadre Training Course" da "Army Air Forces School of Aplied Tactics" de Orlando, Fla, EE.UU. Entre os trabalhos de sua autoria, em apostilas, para uso de seus alunos nos Cursos Militares: Análise da Economia Brasileira, Curso de Economia de Guerra, Apontamentos de Estatística, Economia e Ciência das Finanças, Manual de Intendência em Campanha, Recursos Financeiros para as Forças Armadas (monografia tese, exigida na Escola Superior de Guerra, para conclusão do referido curso).


1931 - O 1º Tenente


1940 - Capitão do Exército e Oficial de Gabinete do Ministro da Guerra General Eurico Gaspar Dutra.

 "Por força de um imperativo da Lei, a Intendência da Aeronáutica, com tristeza, assiste afastar-se do seu meio o Exmo. Sr. Major Brigadeiro Ovídio Alves Beraldo.
Oficial General dos mais brilhantes da Força Aérea, possuidor de uma fé de ofício que espelha a grandeza da sua vida militar, tendo galgado os mais elevados postos da hierarquia militar a golpes de esforço próprio, de valor, de inteligência e de cultura, deixa o Serviço da Intendência com a fronte erguida pela obra que ajudou a construir, pelo trabalho eficiente e produtivo que despendeu em prol da carreira que abraçou e à qual dedicou o melhor do seu talento, o máximo da sua dedicação, a segurança de sua personalidade. Oriundo de nosso grande Exército, tendo iniciado sua vida militar em 1920 como soldado, conseguiu à custa de uma tenacidade, digna de registro, galgar graduações e postos dispondo das armas próprias da lealdade, da dignidade, da abnegação, do valor indiscutível. Aspirante em 29, 2º Tenente em 30, 1º Tenente em 31, Capitão em 39, Major em 44, Tenente-Coronel por merecimento em 46, Coronel em 50 também pelo princípio do merecimento, alcançou as estrelas do generalato em 1957. Considerado, com toda justiça, como um dos intelectuais da FAB, S. Exa. satisfez a todos os cursos especializados na Aeronáutica, havendo transposto a todas as metas com o brilhantismo decorrente da sua inteligência e da sua cultura. Portador de inúmeras condecorações nacionais e estrangeiras, distinguido e designado para Comissões da mais alta relevância, inclusive a prestação de serviços de Guerra, no Teatro de Operações da Itália, a sua vida civil e militar, contudo, sempre estereotipou uma norma rígida, na qual a simplicidade, a distinção, a camaradagem e o apreço pela pessoa humana constituíram fatores decisivos de sucesso. Na Força Aérea Brasileira, nas complexas e delicadas funções em que emprestou o brilho de sua inteligência, a sua atuação proporcionou à Chefia do Serviço de Intendência a tranqüilidade garantida pela noção de responsabilidade que sempre possuiu e pelo valor profissional nunca desmentido. A Intendência da Aeronáutica despede-se sentida do Brigadeiro Beraldo; a sua obra, os seus trabalhos, as suas decisões, os seus conselhos, a sua experiência, tudo isso constituirá subsídio bastante para que sua ação seja lembrada, dignificada e enobrecida. No recesso do lar, no descanso a que fez juz pelo seu trabalho útil e eficiente a serviço do Exército e da Aeronáutica, terá S. Exa. a satisfação proporcionada pela certeza do dever cumprido, pelas sementes do trabalho honesto e fecundo que semeou, pelo exemplo de honestidade e de dignidade em que sempre se constituiu."


Major Brigadeiro Augusto Xavier dos Santos
Diretor Geral da Intendência da Aeronáutica - 15/01/1962


1942 - O Capitão Beraldo transferiu-se para a Força Aérea Brasileira.

CANÇÃO DO 1º GRUPO DE AVIAÇÃO DE CAÇA

Passei o Carnaval em Veneza
Levando umas "bombinhas" daqui.
Caprichei bem o meu mergulho.
Foi do barulho, o alvo que atingi.
A turma de lá atirava
Atirava sem cessar
E o pobre Jambock pulava
Pulava e gritava sem desanimar
Assim:
FLAK, FLAK, este é de quarenta
FLAK, FLAK, tem ponto cinqüenta.

Um Bug aqui, um Bug lá,
Um Bug aqui, um Bug lá,
Senta a Pua! Minha gente
Que ainda temos que estreifar.

Letra: Cap. Pessoa Ramos, Ten. Rocha, Ten. Perdigão e Ten. Rui
Música Carnaval em Veneza: Benedito Lacerda e Herivelto Martins


1944 - Major da FAB, em uniforme de Campanha, na Segunda Guerra Mundial.

Para entender a letra da música acima:

Bombinhas - Duas bombas de demolição de 500 lb por avião
A Turma de lá - Os alemães
Jambock - Nome de código do 1º Grupo de Aviação de Caça, na Itália - permanecendo até hoje aqui no Brasil
Flak - Iniciais de FLugzeug Abwehr Kanonen - Canhão de Defesa Anti-aérea alemão
Este é de quarenta - Calibre da FLAK, 40mm
Tem ponto cinquenta - Calibre das metralhadoras do P-47, 0.50 polegada (aproximadamente 12,5 mm)
Bug - Nome de código adotado por toda a Força Aérea aliada,durante a Segunda Guerra, para indicar qualquer avião no ar não identificado. (Após a identificação, se fosse inimigo, era identificado como Bandit)
SENTA A PÚA!! - Grito de Guerra do 1º Grupo de Aviação de Caça
Estreifar - Jargão utilizado pelos pilotos para designar a manobra de varrer o solo atrás de alvos após as missões de bombardeio


 1945 - Missão Cumprida - de regresso do Teatro de Operações ao Sul da Itália.

"Tínhamos uma instrução de vôo pesada, que começava com alvorada às 4 horas da manhã, terminando às 15 horas. O vôo mesmo ia só até meio-dia. Nosso chefe da instrução, o Cel. Gabriel P. Disosway, que não se cansava de repetir que estávamos treinando para entrar em combate, e que aquela era a última oportunidade de aprender, foi o responsável direto pelo sucesso técnico do 1º Grupo de Caça; a outra parte coube ao Cel. Nero Moura e seus comandados, do Major Beraldo (o mais antigo) ao soldado menos graduado".

Rui Moreira Lima - "Senta a Pua!"


1952 - No posto de Coronel, quando deixou o cargo de Oficial de Gabinete do Ministro da Aeronáutica
- Brigadeiro Nero Moura, para assumir como Diretor de Provisões da Intendência da Aeronáutica

"Não há unidade de combate independente na Força Aérea que não tenha junto a si o Serviço de Intendência. Nero Moura escolheu para chefiá-lo no 1º Grupo de Caça o Major Intendente Ovídio Alves Beraldo. Em Orlando, fez o Curso de Ajudante (Adjutant), correspondente no US Army Air Corps ao Oficial Intendente de um Esquadrão operando isoladamente. Homem de rara cultura, mereceu logo o respeito de todos nós pelo seu grande caráter e espírito de justiça. Era o decano dos oficiais do 1º Grupo de Caça. Escrevia corretamente o português, assessorando o comandante quando este expedia suas ordens do dia, famosas pelo entusiasmo, correção do vernáculo e patriotismo."

Rui Moreira Lima - "Senta a Pua!"


Alcina Ribeiro Beraldo - a mulher que o acompanhou e amou por toda a sua vida


Ovídio servindo em Itajubá, MG no início de sua carreira militar.
Foto gentilmente cedida por Wanda Beraldo.


Ovídio Alves Beraldo, seu pai José Alves Beraldo e seu primogênito Wair Augusto.

 


Da esquerda para a direita em pé: Iná Ribeiro Beraldo, José Alves Beraldo, Wair R. Beraldo,
Nilze R. Beraldo. Sentados: Ovídio Alves Beraldo e sua esposa Alcina Ribeiro Beraldo


 1962 - Reserva remunerada no cargo de Tenente Brigadeiro


Em 1977, ao lado de seus familiares. Da esquerda para a direita: Décio Guimarães, Maria de Lourdes Beraldo Leite,
Ovídio Alves Beraldo, Josepha Beraldo Guimarães, Alcina R. Beraldo e Iná R. Beraldo.

Catedral Oculta

Meu ser é a catedral subjetiva! É calma,
é a música do harmonium, a voz da consciência!
A voz que me revela, em mística dolência,
na abóbada do crânio, a acústica da alma!

No halo dos vitrais de roxa transparência,
um anjo suas asas lívidas espalma!
Traz juntas, sobre o peito, as mãos, palma com palma!
Deus fulge sobre o altar da própria transcendência!

Assim, para que eu ache DEUS, basta somente
que me recolha em prece e volva os olhos meus,
ao templo interior que é a Catedral de Deus!

Escuto a voz do harmonium! É aquela em que Deus sente,
na acústica da alma, o efêmero consciente,
que entoa o cantochão dos pensamentos meus!

Rio, 07/11/1936

O soneto encontra-se acompanhado deste desenho a lápis também da autoria de Ovídio Alves Beraldo. Encontrado em uma folha solta, dentro de um dos muitos livros pertencentes a sua maravilhosa biblioteca.


Maria Auxiliadora e seu primeiro filho Carlos Meton,
no apartamento de Ovídio Alves Beraldo, sob o quadro que o retrata - 1977

MINHA HOMENAGEM

A vida de Ovídio Alves Beraldo, com suas conquistas advindas de seu esforço pessoal e competência, exemplifica como podemos ultrapassar os limites aparentemente para nós programados. Tio Ovídio sempre foi para mim, desde a minha mais tenra idade, um exemplo a ser seguido. Ele e seus irmãos, com sua inteligência e luta, traçaram o seu caminho no mundo, transmitindo-nos a certeza de que também poderíamos fazê-lo. 

Quando sai de Piquete para cursar Medicina no Rio de Janeiro, este homem fascinante me chamou ao seu apartamento. Encontrei-o sentado ao lado da janela que lhe permitia acompanhar o movimento da Avenida Nossa Senhora de Copacabana. Recém operado de uma catarata, a qual se seguira uma nova intervenção, devido a um descolamento de retina, apresentava-se com óculos escuros, tranqüilo, ainda preservando a imponência e o fulgor de sua inteligência que sempre me fascinaram.

Falou-me de sua história; contou-me de nossa família, da nossa capacidade criativa e da importância de prosseguirmos numa trajetória de sucesso. 

"Você é a primeira desta geração, a bisneta mais velha do papai. Após o seu recente sucesso no vestibular, eu comentei com Osvaldinho que a filha da Mariinha seria como nós. Marque seu espaço na vida e sirva de exemplo aos que virão depois de você. Tenho certeza que fará isso. Desde a sua meninice que eu acompanho seus passos... Você é uma Beraldo; nunca se esqueça disso, não importa como assine o seu nome."

A emoção me invadiu. Aquele homem que admirara desde pequenina, acreditava em mim e depositava em minhas mãos a obrigação das primeiras conquistas da nova geração dos Beraldo.

Os sobrenomes modificam-se... As mulheres se casam e seus filhos aparentemente nada têm a ver com as origens esquecidas. No entanto, os ensinamentos ficam; a inteligência é herdada, a força e a capacidade de luta e trabalho também...

Procurei transmitir isso aos meus filhos e me orgulho que na atual geração dos Beraldo, com sobrenomes trocados pelas leis e pelos casamentos, eles já demonstrem de onde vieram... Acredito ter cumprido o meu destino!

Maria Auxiliadora Mota Gadelha Vieira


Ovídio Alves Beraldo em 1959

As fotos dessa página pertencem ao arquivo de Maria Auxiliadora Mota Gadelha Vieira

 

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